“The Firm” Chapter Three 2012 Portuguese Português

Posted by on April 4, 2012

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Anteriormente, em ‘A Firma’…
Para o chão!
O que vos entreguei
incriminou a firma.
Vocês meteram em causa
vários tipos de eventos,
que podiam prejudicar-vos, Mitch.
Eles trabalham por vingança.
Este é o Marshal Coleman
do programa de Protecção
de Testemunhas.
Já passaram 10 anos.
Estamos fartos de fugir.
Chama-se Kinross Clark.
Ele ofereceram-me emprego.
– Juntaste-te a uma firma.
– Não dou graxa a ninguém.
Tudo bem.
Vai informar-me
de todos os seus casos.
Sou a sua chefe a partir deste dia.
Sou o seu advogado de defesa.
Mitch McDeere.
Porque é que uma corretora
de seguros de 27 anos
mataria uma mulher de 71 anos
no seu sono?
Não matei.
Ele sabe
por que lhe fizemos uma oferta?
Claro que o nosso
verdadeiro interesse é a Sarah Holt.
Vamos discutir o teu caso.
A sério,
estou no caminho certo.
Ele devia estar sob vigilância.
Temos de estar
de ouvidos bem abertos.
A nossa prioridade
aqui é o controlo.
Tenho de ver uma pessoa
que sabe a verdade.
Se o Mitch McDeere encontrar
a verdade neste caso,
todos aqui presentes serão presos.
Sr. Markson,
obrigado por ter vindo.
Cinco minutos. Foi o que disse.
Depois, vou-me embora.
Ele é o meu cliente.
Sabe quem é?
– Não.
– Há uma mulher morta.
O rasto leva-me a si
e à sua companhia.
Eles vão matar-me.
É como se já estivesse morto.
Sr. McDeere. Segurança do hotel.
Abra a porta.
– Disse que os tinha despistado.
– Sr. McDeere, abra a porta!
Eu não posso ajudá-lo.
E você não pode ajudar-me.
Sr. Moxon. Martin.
O que está…
Sr. McDeere, segurança do hotel!
Mitch McDeere! Abra a porta!
– Não o tenho.
– Podes também não ter emprego.
– A chefe não vai ficar feliz.
– Ao menos o Moxon morreu.
O McDeere perdeu
a sua única testemunha.
É verdade.
E não foi só isso que perdeu.
S01E03
– Chapter Three -
CINCO SEMANAS ANTES
Limites? Essa palavra
não se usa em firmas, amigo.
– Só em terapia para casais.
– A sério.
Não sou um empregado vosso.
A minha firma está associada a vós.
– Significado?
– Eu escolho os meus casos.
Não podem convocar-me.
Tiveste terapia para casais?
Duas vezes. Eu contava-te,
mas estamos a definir limites.
É o primeiro:
eu aprovo os meus casos.
– Combinado.
– Segundo:
prefiro trabalho criminal.
– Combinado. É tudo? Já chegámos.
Outra coisa: não vou a reuniões
com pessoas que usam fatos
que custam mais de 5 mil dólares.
Isso é um problema?
Já não.
Lamento o atraso. Russell
Strickland, este é o Mitch McDeere.
Obrigado por vir.
Este é o meu filho Brian.
– Olá.
– Olá.
Sei que têm muito que falar,
por isso vou deixá-los.
Então, isto é um problema criminal?
Não sabemos.
A minha namorada, a Amy Sackheim,
está desaparecida há três dias.
A Polícia quer interrogar o Brian.
Parece rotina. Devem querer saber
a última vez que a viu.
Aí é que está o problema.
Estive com a Amy
na noite em que ela desapareceu.
Tivemos uma briga.
Estamos juntos há quase três anos.
Vamos acabar o curso em maio.
Não queria perdê-la.
Por isso, convenci-me
de que devíamos casar-nos.
Comprei este anel.
Fiz uma reserva no Sofia,
um pequeno restaurante francês
perto de onde eu vivo.
E perguntei-lhe.
– E ela disse que não?
– Não disse apenas que não.
Zangou-se.
Disse que éramos
demasiado jovens,
que devíamos ter discutido isto.
– Tiveram uma briga.
O empregado disse-nos para sairmos.
– Estava toda a gente a olhar.
– O que aconteceu no exterior?
Fomos para o carro,
mas a Amy não queria entrar.
Queria estar sozinha.
Então, pegou nas minhas chaves
e disse que ia para casa.
Deixou-te lá?
Vivo perto do restaurante.
Ela sabia que podia ir a pé.
O carro do Brian
nunca foi encontrado.
Ninguém vê a rapariga
há três dias. É tudo o que sabemos.
E quando é que a Polícia
quer ver-te?
Amanhã às 11.
Acha que devíamos ir?
Sim. A Polícia
já deve saber da briga.
E se estás a contar a verdade,
prefiro que revelemos já isto.
É a verdade.
Eu amava-a, Sr. McDeere.
Vais levar o filho voluntariamente?
Se não o fizermos, a Polícia
concentrar-se-á apenas nele.
Já devem estar a fazer isso.
Talvez, mas o miúdo
tinha uma explicação plausível,
por isso temos
de fornecer uma nova teoria.
Acho que ele a matou.
É só a minha opinião.
Não sabes nada sobre a rapariga.
Talvez tenha abandonado a cidade.
Ou talvez ande com outra pessoa.
O Brian pede-a em casamento,
ela não quer contar-lhe,
por isso foge da cidade
com o novo namorado.
– Eis uma teoria.
– E vão para Vegas.
Dormem em motéis no caminho,
mas ninguém repara neles.
Comem em paragens de camiões
e existem apenas
com o seu amor secreto.
É uma quantidade perturbadora
de detalhes, querida.
Obrigada.
Por agora, quero que este caso
seja a vossa prioridade.
E o teu homicídio? A mulher?
A Sarah Holt? Vou vê-la esta tarde.
Encontrem-me a Amy Sackheim.
– Sr. McDeere?
– Brian?
O que lhe contei
não era inteiramente verdade.
Senta-te.
Foi um acidente.
Saímos do restaurante juntos.
A Amy obrigou-me a parar o carro.
Eu não queria, mas ela insistiu.
Deixei-a lá.
Não era capaz.
Eu amava-a.
Por isso, voltei para trás.
Queria pedir desculpa, chorar,
dizer que nem sabia
por que estávamos a brigar.
Pu-la no carro
para a levar ao hospital…
… mas ela estava morta.
– O que aconteceu a seguir?
Há um lago… a duas horas
daquele sítio, para norte.
A minha família costumava ir lá
quando eu era novo.
Levei-a para lá. Deixei a Amy
num hangar para embarcações.
– Afundei o carro no lago.
– Tens de ir à Polícia.
Ouve-me. Se foi um acidente,
temos de lhes contar isso agora.
Eles vão encontrar o corpo
e o carro e quando o fizerem,
nunca acreditarão em ti.
– Não posso ir para a prisão.
– Não pode contar ao meu pai!
– Tu tens de contar ao teu pai.
Tens de contar à família da Amy.
Eles merecem saber o que ocorreu.
Já vi os casos centenas de vezes.
Segundo a lei, o que o Brian disse
está protegido por privilégio.
Ele tem o direito
de confidenciar ao seu advogado.
Não podemos contar à Polícia.
Ao menos podemos contar
aos pais da Amy onde está o corpo.
– Não, não podemos.
– Por que não?
Porque ele é nosso cliente.
Não podemos incriminá-lo.
Não é “nosso” cliente, mano.
Tu é que ficaste com o caso.
Vocês trabalham para mim.
O privilégio aplica-se a todos nós.
O corpo está num local
que pode ser associado ao Brian.
O corpo pode ter provas
que indiquem que ele a matou.
– Isso levá-los-ia ao carro.
– Então, ficamos parados?
Esqueçam. Eu vou buscar o corpo
e levá-lo a um hospital.
E serás preso por mexer em provas
e obstruir a justiça.
Estamos a obstruir a justiça
ao não fazermos nada.
Ray, vê se consegues encontrar
o hangar.
Não toques em nada, apenas verifica
a história do Brian.
– O que vais fazer?
– Vou convencê-lo a contar tudo.
Temos de estar na esquadra
amanhã às 11.
Faremos com que aconteça
a coisa certa.
Expliquem as respostas.
Não me dêem apenas nomes e datas.
Calma, Martin.
Está tudo sob controlo.
Não, as coisas não estão
sob controlo. Há pontas soltas.
O McDeere trabalha para nós agora.
Ele não sabe por que o contratámos.
Julga que é por causa
de um caso de danos dele.
Como é que ele
ficou com o nosso caso?
Um erro. Ele foi destacado pelo
tribunal antes de sabermos do caso.
A melhor pergunta é como
é que a rapariga foi presa.
Ainda não sabemos.
O nome dela é Sarah Holt.
O McDeere vai vê-la agora.
Eu sou a chefe dele.
O que ele aprender, eu aprendo.
– É tudo?
– Não. Temos outro problema.
– Precisa de estar em algum lado?
– Não, não até às… 11.
Fale-me da mulher que eles dizem
que matou, a Margaret Whitaker.
Mal a conhecia. Tenho um novo
médico aqui em Washington,
fui a uma consulta há uma semana.
– Conhecemo-nos na sala de espera.
– Falou com ela primeiro?
Sim. Notava-se
que estava muito doente.
Não sabia que estava terminal.
– Eram só vocês as duas?
– Sim. Começámos a falar.
Ela disse que vivia sozinha,
que o seu único filho
é um delegado de xerife
que vive a suas horas dela.
Estava muito infeliz.
Não podia estar sozinha à noite
e disse que a mulher do hospício
que ficava com ela era abusiva.
– Ela usou essa palavra?
– Sim. Parece uma loucura,
mas ela perguntou se eu
podia ficar com ela à noite.
Ela disse que não exigia
muito trabalho e pagava bem.
Eu disse que sim.
Sou uma mulher cristã.
Cheguei lá às 20.
Vimos televisão durante uma hora.
Trabalhei no meu portátil
e depois, levei-a para o quarto.
Esperei até que ela adormecesse.
E foi então que o vi.
Era tão bonito.
E sei que foi incorrecto…
… mas pu-lo.
Ouvi a porta a abrir-se.
Quem é você?
Onde está a minha mãe?
Deve ser o Eugene,
o filho da Margaret.
Recebi um telefonema do hospício.
Ela despediu a enfermeira dela.
Espere aqui.
Ele disse-lhe para esperar
enquanto ia vê-la.
Assustei-me. Não queria estar lá
para explicar.
Por isso, saí e quando já estava
lá fora, lembrei-me do pingente.
Foi um erro.
Comecei a voltar para trás
e ele apareceu com a arma na mão.
Disse que encontrou a mãe morta.
Não sei como.
Eles não podem acreditar que eu
a matei por um colar.
Olá, Claire.
Vais à festa do Ali no sábado?
– Sim.
– Óptimo. Eu também.
E se queres que alguém
fale contigo lá, ou novamente,
tu não viste nada.
Não é um colar qualquer.
Vale mais de 50 mil dólares.
Vá lá, Diane.
Ela é uma ajustadora de seguros
automóveis sem cadastro.
É uma boa samaritana,
não uma assassina.
Estava a roubar aquele colar
e teria levado mais
se não fosse o filho.
– Estás errada.
– E como sabes disto?
Porque falei com ela.
Sou bom a ler as pessoas.
Não vejo o teu caso aqui.
Lamento, não és o único
que sabe ler.
Tenho o relatório do examinador.
A causa da morte foi asfixia.
A Margaret Whitaker
morreu por sufocação.
– Parece que já se sabe.
– Porquê? O que se passa?
Ouvi há pouco. Aquela estudante
universitária que desapareceu?
– A Amy Sackheim?
– Parece que está morta.
O tipo que a matou entrou
numa esquadra e confessou.
– Estás bem?
– Sim.
Tenho de ir. É o meu cliente!
Detective?
Detective! O meu nome
é Mitch McDeere. Sou um advogado.
Sei que estão
a interrogar o meu cliente
sobre o desaparecimento
da Amy Sackheim.
Ele está representado.
Não podem interrogá-lo sem…
Não interrogámos ninguém.
Ele entrou e confessou tudo.
Então, invoco os direitos dele
a um advogado.
Não podem interrogá-lo
até que eu o veja.
É tarde demais.
Ele contou-nos tudo.
Eu ia encontrar-me com ele aqui
esta manhã.
Tem 10 minutos.
Quem é o senhor?
Mitch McDeere.
Sou um advogado de defesa.
Óptimo.
Parece que vou precisar
de um advogado.
– Nome e idade?
– Calvin Parker, 43.
E vive em Washington?
Tem os cotovelos na mesa.
E a sua postura é horrível.
Lamento. Sabe o que mais
é horrível, Calvin? Mentir.
Diz que assassinou a Amy Sackheim
quando ambos sabemos que não o fez.
– Eu matei-a.
– Não, não matou.
Por que diz isso?
Acho que sei o que fiz.
Melhor do que uma pessoa
que acabei de conhecer,
uma pessoa com as maneiras
de um chimpanzé.
– Conhecia a Amy Sackheim?
– Claro que não.
Só durante uns minutos.
Dei-lhe boleia no meu carro
perto de um restaurante francês.
Andava a pedir boleia à chuva.
Muito perigoso.
– Continue.
– Ela queria voltar para casa.
Teve uma briga com o namorado,
ou algo parecido.
Para ser franco, não lhe liguei.
Achei muito indelicado
falar de outro homem no meu carro.
– Então, matou-a?
– A voz dela enervava-me.
Encostei o carro
numa rua secundária.
– Qual?
– Não me lembro.
E estrangulei-a.
– E o corpo dela?
– Era magro. Atlético.
O que fez ao corpo dela?
Não grite. Não precisamos de gritar
para sermos ouvidos.
– Está a enervar-me!
– Preciso de saber, Calvin.
Se fez mesmo isto, onde
posso encontrar o corpo da Amy?
Não sei!
Na sala vermelha.
Pu-la na sala vermelha…
– Sala vermelha? Como assim?
– Não gosto de falar consigo!
Decidiu simplesmente confessar?
Os assassinos vão para a prisão.
É isso que quer?
Quer ir para a prisão?
Acho que é altura disso.
Acho que preciso de ser impedido.
– Senão, posso voltar a fazê-lo.
– Já fez isto antes?
Sim. Muitas vezes.
Não é aceitável sentar-se assim.
Vai ficar com uma corcunda.
Quer ter uma corcunda horrível?
Mãe, vou à casa da Julia
depois das aulas.
A sério?
– Obrigada por me informares.
– Estou a informar-te.
Quero dizer, posso ir?
Avaliei o teu teste.
Não queres saber quanto tiveste?
A segunda nota mais alta da turma.
– Quem me venceu?
– A Heather Gamble.
O que queres dizer com isso?
Nada. Nada.
Sei que ela não tem sido
tão boa como tu no passado.
– Mas é esperta.
– Certo. Obrigada, mãe.
Por que fazes isso?
Outra aluna melhora,
devias estar feliz por isso.
Feliz por mim como professora.
– Como queiras.
– Não, não é “como querias”!
Porquê? É um teste.
Se estás com inveja…
Não. Não estou com inveja!
Acho que é óptimo, parabéns.
Ela cabulou!
Cabulou, está bem?
Tinha as respostas todas no braço!
Como sabes disso?
Vi-a. Mas mãe,
não podes dizer nada.
Mãe, por favor! Ela não pode saber
que eu te contei!
Tenho de fazer alguma coisa.
Ele entrou e confessou?
Múltiplos homicídios.
Nem sabe quantos foram.
Já vi isto antes, mano.
Partilhei uma cela com um gajo
que matou a família
e um homem inocente
confessou o crime.
– Achas que ele é maluco?
– Ou quer atenção.
Ele tinha detalhes. Sabia que a Amy
estava a caminhar na chuva,
que ela andava na faculdade,
que teve uma briga com o namorado.
Ele lê jornais.
Tudo isso foi noticiado.
É verdade. E parecia não saber
onde estava o corpo.
– Já sabemos onde está o corpo.
– Se o Brian disse a verdade.
– Talvez tenha mentido.
– Mitch, o Brian não mentiu.
– Encontraste o hangar?
– Lago Echo, duas horas para norte.
Não te rales
que não toquei em nada.
A Amy está aqui,
como disse o Brian.
Se ela está aí,
o Calvin Parker está inocente.
– E louco.
– A Polícia não sabe disso.
Precisamos do Brian. Se ele contar
a verdade, salvamos o Calvin.
Já tens um cliente neste caso.
Não podes ter dois.
Não vou ficar parado enquanto
acusam o homem errado de homicídio.
Se é isso que queres, força.
Não quero saber das regras.
Mas o que vai dizer o Russell?
– Nem pensar.
– Ele está perturbado, Russ.
Não sei por que confessou,
mas tenho a certeza
que o Calvin não matou a Amy.
– Não sabe disso!
– Sei sim.
O Brian contou-lhe que foi ele?
Não posso responder a isso,
mas tivemos uma conversa.
Lamento imenso, Russell.
Não consigo encontrá-lo.
Não o vejo desde a nossa reunião.
– Não está em casa?
– Não. Nem me telefona.
– Se estiver a escondê-lo…
– Não estou!
Mas mesmo que estivesse,
você teria de protegê-lo.
– É o advogado dele.
– Ouça-me.
Não farei nada
que incrimine o seu filho.
Mas sinto-me obrigado
a ajudar a Polícia
a perceber que o Calvin
não é responsável.
Não! Para o representar,
vai apontar o dedo ao Brian!
Não apontarei. Tem a minha palavra.
Se chegar a esse ponto,
Eu disse que não.
Acabou a conversa.
Vou fazê-lo, Russell.
Não deixarei
que um defensor público aborrecido
faça asneira e o torne culpado.
Se quer enfrentar-me nisso,
faça uma queixa à Ordem
e divulgaremos isto numa audiência.
Eu entendo, Martin,
e disse-lhe que trataríamos disso.
Por que achas que ele funga assim?
Tem uma constipação
ou anda a snifar metade da coca
da costa leste?
Bem, se é uma constipação,
tem-na há três anos.
– Pode ser um tique nervoso.
– Deve ser.
Tem razões para estar nervoso.
O McDeere encontrou-se com
a Sarah Holt. Tens uma actualização?
Ainda não. Telefonei, mas ele
está ocupado com o Strickland.
– Perguntou se podia esperar.
– A actualização, sim. Isto, não.
Quando a Sarah Holt foi presa,
ela tinha o portátil com ela.
– Dela?
– Não, é do empregador dela
e digamos que tinha
informações confidenciais.
Sabes o que são?
O material que nos preocupa
está ocultado.
Uma análise de rotina
da Polícia não o revelará,
mas o nosso cliente
quere-o protegido.
E como vou ganhar acesso a isso?
É um prova.
Rouba-o. Ou paga a alguém
para to dar.
Ou incendeia o edifício.
Não quero saber se tens de te
alistar na Academia da Polícia.
Tudo o que a chefe precisar.
Podes não saber o que está
no computador, mas o que sabes
é mais do que suficiente para te
derrubar junto com o resto de nós.
Não é só o que eu preciso.
É o que tu precisas,
o que a tua mulher
e o teu filho precisam.
– Estamos entendidos?
– Sim.
Calvin Parker, 43 anos
e uma bola flamejante de diversão.
– É avaliador fiscal do IRS.
– Não admira que queira atenção.
Tem um trabalho anónimo e ingrato.
Há milhares como ele.
– Onde cresceu?
– Aqui, em Washington.
O pai foi morto no Vietname,
e ele foi criado pela mãe.
Ela ensinava Música num colégio,
muito chique.
Ela passava o dia com crianças
ricas e bem-educadas.
Isso explica a cena
dos cotovelos na mesa.
Ela quer que o filho
se comporte como eles.
– Deve tê-lo enlouquecido.
– Literalmente.
– Mais alguma coisa?
– Tudo o resto é rotina.
No dia em que a Amy foi morta,
ele foi ao banco
e arranjou o carro
num concessionário.
Nada de especial no cartão
de crédito. Ele está limpo.
É um bocado assustador.
15 mulheres.
– Raparigas.
– É assim que ele sabe dos casos.
Decora os detalhes dos jornais.
Sim, a verdade
é que não faz muito sentido.
Algumas delas desapareceram,
mas regressaram ilesas mais tarde.
Por que põe ele
as fotos delas aqui?
Porque está inocente e louco.
Não. Meia dúzia
destas raparigas foi assassinada
e aposto o meu crachá
em como foi o vosso menino.
A não ser que saibam algo
que eu não sei.
A Polícia ainda julga
que é o Calvin. Não desistem.
Vão desistir.
Sabemos que não foi o Calvin.
– Temos de encontrar o Brian.
– Tenho as minhas fontes nisso.
Entretanto, o corpo da Amy
permanece num hangar
e os pais dela
julgam que ela pode estar viva.
O que também me horroriza,
mas tenho as mãos atadas.
As nossas opções esgotaram-se.
– Não, não se esgotaram!
– Ray, tu já foste condenado.
Sabes porque é que os criminosos
precisam de confiar nos advogados?
Eu assumi a responsabilidade,
não me escondi atrás
de um pormenor técnico!
Não é um pormenor técnico.
É a lei.
Tu e as tuas regras preciosas.
Como consegues viver contigo?
O que queres que eu faça? Que me
deixe dominar pelas emoções?
Sabemos como é que isso
resultou para ti.
Significado?
Apanhaste 15 anos
numa prisão federal.
E a tua família inteira apanhou
10 anos na Protecção de Testemunhas.
Ao menos eu
pude manter o meu apelido.
De certa forma,
sinto-me responsável.
Tenho andado a pressionar
esta aluna para melhorar e…
Não a levaste a cabular,
se é isso que estás a dizer.
Mesmo que tivesse levado,
não posso fazer vista grossa.
Tenho de confrontá-la, certo?
Concordo.
Ou talvez
possas deixar esta passar.
– Estás a falar a sério?
– Estou a pensar na Claire.
Ela passou a vida inteira
a mudar de sítio
e foi educada em casa.
– E depois?
Está a tentar integrar-se.
A última coisa de que precisa
é de denunciar
a menina popular à sua mãe.
– Que interessante.
– O quê?
Só pensas em regras no teu emprego,
mas no meu…
Os riscos são diferentes, Abby.
Estás bem?
Quando eu era novo, o meu pai
tinha uma carrinha velha.
Uma pick-up vermelha
que já devia ter 30 anos.
Os travões estavam em mau estado,
não tinha airbags nem suspensão.
Avariava-se muitas vezes.
E a minha mãe tinha uma regra:
o Ray e eu não podíamos andar
naquela carrinha. Nunca.
– Parece mesmo ela.
– Aquela coisa era um perigo.
Um dia, o Ray e eu estávamos
a brincar à porta de casa.
O meu pai apareceu, disse que
ainda não tinha de ir trabalhar
e para entrarmos na carrinha.
Íamos tomar o pequeno-almoço.
– Mas a regra…
– Não impediu o Ray.
Saltou logo para a frente.
Eu não entrei.
– O que aconteceu?
– Nada.
Duas horas depois,
eles regressaram.
Ele deixou o Ray
e foi para o trabalho.
O meu pai…
… foi morto naquele dia.
Morto numa explosão na mina.
Era o seu último dia
e o Ray passou-o com ele.
É esse o problema das regras.
É mais do que aquilo que fazemos,
é quem somos.
Algumas pessoas foram feitas
para as seguir, outras não.
Querido, o Ray
podia ter morrido naquele dia.
Ou tu, numa carrinha velha
com muitos quilómetros.
– O que disseste?
– Acho que o teu pai…
Não, não.
Sobre a quilometragem.
Abby, é isso.
É isso.
– Onde vais?
– Tenho de ligar ao Ray.
Acho que acabaste
de salvar o Calvin Parker.
Meritíssima, o réu é acusado
de um só homicídio:
o homicídio da Amy Sackheim.
Mas tenha em conta que ele
confessou muitas outras mortes.
Que o Doutor não consegue provar.
Está a tentar influenciar
o tribunal com especulação.
Especulação? Isso é uma piada?
Ele falou-nos dos crimes, só não
tivemos tempo para investigar.
O meu cliente confessou
que matou uma dúzia de raparigas
e o procurador sabe
que metade delas está viva.
É essa a sua defesa?
Ele julga que matou 12,
mas só matou seis?
Não matou ninguém.
São confissões falsas.
E porque é que um avaliador fiscal
quereria que pensássemos
que é um assassino em série?
Porque é instável,
porque quer atenção.
Meritíssima, os pais da Amy
estão presentes no tribunal.
Já é difícil
enfrentarem esta tragédia
e agora,
dizem-lhes que era tudo falso?
Lamento. Mas o Calvin não fez isto.
Ele nem consegue dizer à Polícia
onde está a filha deles.
– Uma reunião à parte?
– Depressa.
No dia antes do desaparecimento
da Amy Sackheim,
o carro do meu cliente
foi arranjado.
– Qual é a relevância?
– Ouça.
O Calvin diz que deu boleia
à Amy, no seu carro,
perto dum restaurante
chamado Sofia.
Fica a 47 km do concessionário
que arranjou o carro dele.
E depois?
O concessionário registou
a quilometragem quando o arranjou.
A Polícia também registou
a quilometragem quando o apreendeu.
O carro tinha percorrido
apenas 34 km.
Não é possível. Ele não pode ter
estado lá, não com aquele carro.
– Admito que é uma discrepância.
– Isto é uma mentira.
A confissão inteira dele
é uma mentira.
Sr. Hoberman,
além da confissão do réu,
tem alguma prova
que o associe ao crime?
– Estou confiante que…
– Responda à pergunta.
– Não directamente, não.
– E há outros suspeitos?
Pretendíamos interrogar o namorado
da vítima, mas não era necessário.
Agora, já é. Não tem o suficiente
para deter este réu.
Até encontrar mais,
a acusação está rejeitada.
Oficial, avance.
O Sr. Parker vai ser libertado.
– O que disse ela?
– Sugiro que procure ajuda.
Não, espere.
Ouça-me, está a cometer um erro.
Sou um assassino.
Não. Não faça isto!
Agora, vai arrepender-se!
Preciso de estar preso!
Sou um assassino! Não façam isto!
Por que não me impedem?
Preciso de ser impedido!
Por que não me impedem?!
– O que vais fazer, querida?
– Ainda não sei.
Fizemos o suficiente
nos últimos 10 anos
para garantir à Claire
uma vida inteira de terapia.
Não quero fazer nada
que piore as coisas.
Eu compreendo, mas também
não queres dar-lhe a impressão
de que é ela quem manda, sabes?
Claire? Preciso da tua ajuda
a preparar a mesa.
E esta menina, a Heather,
vai safar-se?
Talvez não.
Quando eu tinha 19 anos, estava
apaixonada pelo Jimmy Martucci.
Lindo. E ele ia a um sítio
onde eu servia à mesa.
Era mais velho, 21 anos,
e não me ligava nenhuma.
– Isso é difícil de acreditar.
– Bem, era um gajo duro.
Na verdade, não era,
mas ele pensava que era.
Um dia, eu apareci no trabalho
com o meu novo Firebird.
Poupara dinheiro
durante dois anos.
E de repente,
o Jimmy queria conhecer-me.
– Perguntou onde o comprei.
– Então, minhas senhoras?
Leva esses pratos para a mesa.
Se faz favor.
Não sei porquê,
mas disse que o tinha roubado.
– As palavras saíram-me.
– Não disseste isso.
A partir daquele momento,
o Jimmy amou-me.
Eu era a menina má dos seus sonhos.
E começámos a sair juntos
quase todas as noites.
– Foi espantoso?
– Na verdade, foi do piorio.
Ele era um completo otário,
os amigos dele eram criminosos
e eu passava o tempo
a conduzir com estes parvos
e a pensar em como me iria afastar.
É esse o problema de fingir
que somos alguém que não somos.
Depois, temos de ser esse alguém,
mesmo que já não queiramos.
Era o Strickland.
O detective Doyle telefonou.
A Polícia quer falar com o Brian
outra vez.
Se está escondido, a minha gente
vai encontrá-lo antes da Polícia.
Talvez esteja no hangar.
Por que voltaria lá? Não iria tirar
o corpo do sítio, pois não?
Talvez seja psicológico.
Levou o corpo da Amy para lá
por alguma razão.
Sente-se seguro no hangar.
Às vezes, quando as pessoas
fazem coisas horríveis, regridem.
Regressam ao sítio onde se sentiam
seguras quando eram crianças.
Continuo a pensar nisto,
por isso vou dizê-lo.
E se o Strickland
encontrou o Calvin Parker?
E se contratou este maluco
para confessar?
– Achas que isso é possível?
– Não sei, mas há algo errado
e continuo a pensar que isso
está relacionado com o Calvin.
– Onde cresceu?
– Washington, mãe solteira.
Andou num colégio chique,
Wardell qualquer coisa.
– Casa Wardell?
– Certo.
A mãe dele
leccionava lá. Conheces?
Ouvi falar dela.
Foi encerrada há uns anos.
Trabalho com algumas pessoas que
leccionaram lá.
Houve muitas escolas
que perderam o financiamento
quando a economia piorou.
Espera aí. O Calvin disse que punha
as vítimas numa sala vermelha.
“A Sra. Joanne Parker
na sala de música do básico.”
– Deve ser a mãe dele.
– Pode ser uma coincidência.
Ou, talvez nem tudo o que
o Calvin nos contou seja mentira.
– Obrigado pela ajuda.
– Obrigado pelos 100 dólares.
Mas não sei o que é que procuram.
Há anos que ninguém
vem a este sítio.
É só pesquisa para um caso.
É aqui. Isto é a sala de música.
Olhem, vão precisar disto. Estarei
lá fora se precisarem de mim.
– Obrigado.
– De nada.
Vivaldi.
– Não vejo nada aqui.
– Talvez aqui em cima.
Traz essa arca para aqui.
Preciso de me pôr em cima de algo.
Desliza-a.
– Ray?
– Empurra com força.
– Contei seis corpos, só mulheres.
– Não estava a mentir.
O Calvin Parker é um assassino
em série e eu libertei-o.
Não entendo. Como é possível?
O Calvin Parker mata mulheres.
Ele avisou-me. Está tão louco
que perdeu a conta.
Foi por isso que confessou. Leu
acerca do desaparecimento da Amy
e presumiu que fora ele,
como todas as outras.
– E agora?
– Tu ouviste-o.
Ele disse que nos arrependeríamos.
É só uma questão de tempo
até voltar a fazê-lo.
Mitch. Pode ser uma menina
como a Claire.
Está na hora. Se querem expulsar-te
da Ordem, deixa-os.
Não podem. Os advogados podem falar
para salvar uma vida.
– É a regra, não é?
– Força.
112? Gostaria de participar
um múltiplo homicídio.
A Polícia de Washington relatou
a descoberta de seis corpos,
todos de mulheres,
numa escola abandonada na cidade.
A Polícia confirma
que recebeu uma dica anónima.
Acredita-se que os corpos estão
associados a Calvin Parker,
o homem recentemente libertado
devido a falta de provas.
Heather? Posso falar contigo?
Heather, foste excelente no teste.
– Tenho muito orgulho em ti.
– Obrigada.
Sempre soube que tinhas
um grande potencial, mas isto…
Fiquei mesmo impressionada.
Como é que conseguiste?
Acho que foi do estudo.
Bem, eu ensino outros alunos
que precisam de ajuda,
todas as terças e quintas depois
das aulas. E como foste tão boa,
decidi tornar-te
na minha assistente.
Acho que podes ajudá-los.
Não sei se posso ficar cá
depois das aulas.
Não há problema. Liguei à tua mãe
e ela disse que podes.
Ela também tem muito orgulho em ti.
– Óptimo.
– Óptimo.
Hoje é terça, por isso até logo.
Onde encontraste o Brian?
Estava escondido numa pousada
de juventude na baixa.
Qual é o plano, Brian?
Vais fugir para sempre?
Deixa-me dizer-te
que é mais difícil do que julgas.
– Não quero fugir.
– Eu sei.
Porque, se quisesses,
já estarias muito longe daqui.
Olha para mim.
Foi um acidente?
Então, estarei contigo até ao fim.
Isto não estará bem
até o enfrentares,
até a Amy estar em casa.
Tu sabes disso.
Adoro-te.
SARAH HOLT
PORTÁTIL
CINCO SEMANAS DEPOIS
– Andrew Palmer.
– Ouve-me. Descobri uma coisa.
Não sei o que é,
mas alguém tentou matar-me.
– Mitch, do que estás a falar?
– Não sei quem eram,
mas não devia falar neste telefone.
– Só um segundo.
É o McDeere.
– Diz que alguém tentou matá-lo.
– Mantém-no a falar.

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