The Band Wagon 1953 Portuguese-BR Português

Posted by on August 10, 2012

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The Band Wagon -- CineMagia.ro - Trailer (Flash)

 

Resync:
MarcoALauten
“A RODA DA FORTUNA”
Senhoras e senhores, estamos
com sorte hoje aqui em LA.
Durante anos, as Galerias Bullwinkle
trouxeram a leilão…
LEILÃO DE BENS DE TONY HUNTER
muitas coleções de bens pessoais…
de astros de cinema famosos.
Mas hoje é um dia especial.
Os bens pessoais de Tony Hunter!
Lote 94. Senhoras e senhores,
comecemos com o lote 94.
Uma série de objetos pessoais
que o Sr. Hunter…
usou em seus famosos
filmes musicais. Lembram-se?
Talvez a cartola e a bengala
mais famosas da nossa geração.
Sim, a que ele usou em
“Dançando até o Panamá”…
e em outros filmes famosos.
Vamos começar com US$ 5.
Estou ouvindo US$ 5?
Vale bem mais.
Certo. Comecemos com US$ 2.
Bem…?
US$ O,5O?
Qualquer coisa?
Só mais uma.
Uns 2O minutos até NY.
Saúde!
– Você é da Califórnia?
– Exato. A Ensolarada.
– A Ensolarada!
– É, a Ensolarada.
Deve conhecer muitos
astros do cinema.
Devo confessar. Sou uma pessoa
comum. Só os vejo no cinema.
Mas leio sobre eles.
Sei tudo sobre eles.
– Gostaria de conhecer Ava Gardner.
– Tarde demais. Ela é casada.
– Conhece esse?
– Quem é?
– Tony Hunter.
– Ah, ele! O cantor-dançarino.
Minha mulher via todos os filmes dele.
Quase nos divorciamos!
– “Tony Hunter!”
– Ele era bom há 12 ou 15 anos…
mas os colunistas dizem
que ele está acabado.
Acabado? É um fracasso!
Não faz um filme há 3 anos.
– Disse alguma coisa?
– Disse que concordo.
Esse Tony Hunter já era.
Tem um fósforo?
Eu não iria vê-lo nem
se me dessem US$ 5 com o ingresso.
Não devia…
O engraçado no que dizem é que
é totalmente verdadeiro.
Tomem.
São charutos explosivos.
É a última mala, Sr. Hunter?
Pode colocá-las num táxi e
mandá-las para o Hotel Plaza?
Sim, senhor.
Obrigado, senhor.
– Todos estão descendo, senhor.
– Vou esperar uns minutos, sim?
Será que pode arrumar uma cama
para mim aqui esta noite?
Não, senhor.
Não posso.
Há um monte de repórteres
e fotógrafos lá fora.
Deve ser algum figurão.
Talvez o presidente.
Não, são muitos.
Talvez um astro de cinema.
– Oi, pessoal.
– Tony Hunter! Olá, Sr. Hunter!
Agradeço pela recepção.
Eu não esperava.
– O que o traz à NY?
– Só vim me divertir e descansar.
– Entressafra, Tony?
– De certa forma.
Não saiu na”Variety”
que iria fazer um show?
Lily e Les Marton tinham
planejado algo. Ainda não decidi.
É um meio diferente. Na verdade…
– Lá está ela, pessoal!
– Com licença, Sr. Hunter.
– Até mais, Tony!
– Oi, Sra. Gardner.
Pode parar, por favor?
Sorria. Obrigado.
– Quanto tempo ficará na cidade?
– Não tenho planos definidos…
Tony! Não sabia que estava no trem.
Que surpresa!
Vai ficar muito tempo?
– Talvez uma ou duas semanas…
– Com licença.
Os rapazes podem tirar outra
foto de você saindo do trem?
Claro. Francamente,
isso tudo não é um tédio?
– Adorei ver você.
– Foi um prazer.
Na porta, por favor. Mais uma.
Pronto. Obrigado.
Meu jornal quer
fazer uma matéria…
Pobres estrelas!
As pessoas não as deixam em paz.
Não sei como aguentam!
Vou seguir meu caminho sozinho
Como se andasse sob as nuvens
Vou seguir meu caminho sozinho
Sozinho na multidão
Vou tentar me aplicar
E ensinar meu coração a cantar
Vou seguir meu caminho sozinho
Como um pássaro voando
Vou encarar o desconhecido
Vou construir um mundo meu
Ninguém sabe melhor que eu
Estou totalmente sozinho
Tony Hunter! É Tony Hunter!
FÃ-CLUBE DE TONY HUNTER
Salve, Tony!
Tony Hunter é o maior!
Pintaram essas placas para mim?
Que gentis!
Piggy!
– Vamos nos livrar disso.
– Foi a maior surpresa que já tive.
– Pode me dar seu autógrafo?
– Claro, garota. Venha cá!
– É a minha mulher! Solte-a.
– Não se preocupe. Eu já devolvo.
– Quem é ele?
– Nunca vi.
Oi, Piggy!
Oi, maluco!
Por que não disse que vinha?
– Soubemos pelo seu agente!
– Por que não mandou um telegrama?
Não queria badalação.
Acreditem, não foi difícil.
Quero ver se mudaram
em um ano.
Les, você não mudou nada.
Parece doente, como sempre.
– Por que disse isso?
– Brincadeira.
Tive um dia péssimo. Meio ausente,
aéreo, uma pressão aqui…
…uma coisa aqui dentro, meu…
– Você está ótimo.
E você? Essa palidez de NY é
como uma rajada de ar fresco.
Você é bonita demais para ser uma
ótima escritora casada com isso!
É o elogio mais lindo
que recebi!
Vamos, pombinhos,
temos trabalho a fazer!
– Tenho aqui o roteiro de um show!
– Não acredito que trouxe!
É ótimo. A melhor coisa que
já escrevemos.
Pegue. Cheire.
Sabe que é bom.
Há um ótimo papel para você,
e bons papéis para nós dois.
Espere. Ele deve estar faminto.
Vamos ao Sardi”s.
Só faltam dois quarteirões
para o Sardi”s.
– Devemos contar a grande surpresa?
– Conte você, Les.
Quem vai fazer o show?
O melhor diretor/produtor da cidade:
…Jeffrey Cordova.
– Quem?
Jeff Cordova. Vamos conhecê-lo
hoje, nos bastidores, após o show.
– Como é mesmo o nome?
– Jeffrey Cordova!
Não fala sério! Acho que
ele nunca ouviu falar do cara.
Vocês não recebem
jornais na Califórnia?
Esse gênio dirigiu “O Homem na
Ratoeira” e “A Ninfa Perdida”…
enquanto estrelava
“Édipo Rei”!
Ele está com três sucessos
e estrela um deles.
– Só um?
– O cara é fabuloso, fenomenal…
…fantástico! Faz qualquer coisa!
– Já dirigiu um musical?
E daí? Ele faz qualquer coisa!
Ele é o teatro.
Um novo homem de teatro.
O teatro mudou. Muita coisa mudou.
Sem dúvida!
O que houve com a Rua 42?
Assim não dá!
Não consigo entender. Era a
maior rua de teatros da cidade.
Fiz um grande sucesso
no New Amsterdam. Um ano e meio.
Noel Coward e Gertie
estavam no Selwyn.
Só os melhores, entendem?
Nada além da nata.
Fiz meu primeiro show no Eltinge.
Acho que não existe mais.
– O que houve?
– Acho que ele quebrou minha perna.
– Consegue se apoiar nela?
– Desculpe. Foi sem querer.
– Esqueça.
– Vamos chamar um táxi.
Táxi!
– Eu carrego você.
– Meu caro, a culpa foi minha.
Desculpe. Tome.
Pelo seu incômodo.
Apóie-se em mim.
Suporto tudo, menos dor.
Está inchando. Vai virar um hematoma.
O sangue está jorrando!
Quero compressas frias.
Quentes, não! Frias.
Vão para o Sardi”s. Vejo vocês depois.
Chofer, leve-os até lá.
Quero um filé. Até mais.
Com licença. Estou meio confuso.
Aqui não era o Teatro Eltinge?
A NOIVA DO GORILA
ELETRICIDADE É VIDA
PREVISÕES
TESTE SEU PODER DE SEDUÇÃO
LINDO
Quando você está na pior
No fundo do poço
E não consegue melhorar
Faça algo para se animar
E mude de atitude
Dê um jeito na gravata
Coloque um vinco na calça
Mas se você quer mesmo
se sentir bem
Engraxe os sapatos
Quando seus sapatos
estão engraxados
Há uma melodia no seu coração
E uma sensação de felicidade
É um ótimo começo
para encarar o dia-a-dia
Com o “deedle-dum-dee-dah-dah”
Uma pequena melodia que faz
As preocupações irem embora
Quando você anda pela rua
Totalmente despreocupado
Vai entender o que eu digo
Quando seus sapatos
estão engraxados
Há uma melodia no seu coração
É um jeito ótimo
de começar o dia
Você pode engraxar os sapatos
na barbearia
Você pode engraxar os sapatos
no trem
Você pode engraxar os sapatos
no salão de bilhar
Você pode engraxar os sapatos
na escola
Mas não importa onde seja
Vai lhe fazer muito bem
se você deixar
Um pouco de polimento vai
apagar o que incomoda você
Quando seus sapatos
estão engraxados
Melodia no seu coração
Sensação de felicidade
Maravilha!
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Sapatos engraxados
Brilho,brilho,brilho
nos meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Engraxei meus sapatos
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Tenho sapatos engraxados
Viva!
“ÉDIPO REI” – ADAPTADO DO
GREGO POR JEFFREY CORDOVA
ESTRELANDO: JEFFREY CORDOVA
DIRIGIDO POR: JEFFREY CORDOVA
Em tal momento,
você deve colher em dobro…
com duas vezes
mais sofrimento.
Caro amigo, só você é leal a mim.
Embora eu seja cego…
sei que você está aqui,
e a sua voz me é conhecida.
Homem de feitos escusos, como teve
coragem de cegar a si mesmo?
Que divindade o levou a isso?
Foi Apolo, amigos! Apolo!
Aproxime-se. Coloque sua mão
sobre um homem infeliz. Não tema.
Minha maldição
só atinge a mim.
Agarre-me e leve-me daqui!
Mande-me, pelo amor de Deus,
para um lugar distante!
Esconda-me! Mate-me!
Esse cara vai dirigir um musical?
Esse cara faz qualquer coisa.
Não considerem feliz
nenhum ser humano.
Enquanto não for atingido pela dor,
não se pode dizer que foi feliz.
Querida, começamos com o pé
esquerdo. O sucesso depende de…
Lily, querida! Como vai?
Lester, como eu estava?
– Jeff, este é Tony.
– Com licença.
– No fundo, é tudo muito simples.
– Ele não é maravilhoso?
Peça um sanduíche de carne.
Magra, sem gordura nem cartilagem…
…milk-shake e picles.
– Pessoal, o Sr. Cordova quer…
Fique aí. Está tudo bem.
Aquele louco!
Hal? O maestro quer…
Eu sei. Carne enlatada.
Já está no camarim.
Este é o Sr. Hunter.
Hal Benton, empresário de Jeff.
– Muito prazer. Sou um grande fã.
– Obrigado.
– Quando chegou à cidade?
– Desci do trem há algumas horas.
– A cortina não estava lenta?
– A culpa foi minha. Lamento.
Não mude. Deixe assim.
Está ótimo. Dobra o aplauso.
– Jeff, este é Tony Hunter.
– Como vai? Desculpe.
Estarei com vocês assim
que me livrar desses panos.
Max, o que houve com o
refletor âmbar? Estava fraco!
Preciso de mais luz em mim.
Não é segredo que estou no show.
– Com licença.
– Olá, querida.
– Está maravilhosa.
– Obrigada.
Marque um ensaio completo.
Sexta. Para toda a companhia.
Péssima dicção. O original era
em grego, mas isto é em inglês.
Não vamos esconder isso.
Amanhã, quero ver a matinê…
…de “O Homem na Ratoeira”.
– Não dá. Temos uma leitura…
– Esqueça. Daremos um jeito.
– Jeff, este é Tony Hunter.
Eu sei. Já nos conhecemos.
Sr. Hunter!
Desculpe.
É um prazer conhecê-lo.
Não imagina como estou encantado
em vê-lo. Encantado e emocionado.
Queremos os grandes do teatro aqui.
Quando Lily e Lester disseram que
fariam um show com Tony Hunter…
era tudo que eu precisava saber.
Vou largar os outros projetos.
E há muitos, acredite.
Isso é maravilhoso, mas
todo esse… os clássicos…
– Quer mesmo fazer um musical?
– Musical!
Estou farto das barreiras
entre o musical e o drama.
Para mim, não há diferença
entre os ritmos mágicos dos versos…
de Bill Shakespeare…
e os ritmos mágicos
dos pés de Bill Robinson.
– Hal, anote. Vou usar em Princeton.
– Já anotei. Usou semana passada.
Se algo emociona, estimula
e diverte, é teatro!
Quando há uma combinação certa,
e temos “teatro”…
quero estar mergulhado
até o pescoço.
– É mais que o normal.
– Queria que Tony ouvisse isso.
Tentei dizer o que sente, mas
sabia que diria tão lindamente.
Lily! Criatura adorável!
Tire as mãos da minha mulher,
e vamos aos negócios.
Tenho um roteiro.
É ótimo. Está pronto.
Quero que leve isto para casa.
Leia esta noite e…
Antes, faça um
resumo da trama.
– Agora?
– Só para eu ter uma idéia.
– Estou ansioso.
– Fale, Lester.
– Você fala melhor.
– Francamente!
– Por favor.
– Francamente!
Pensando em Tony, visualizamos
um show leve e intimista.
Queremos que ele seja um
cara charmoso, numa trama…
cheia de números
animados e variados.
Ele é escritor e
ilustrador de livros infantis…
mas, para ganhar dinheiro,
ao mesmo tempo…
ele escreve livros de mistério,
cheios de violência e sangue!
O sucesso o faz pensar que
vendeu a alma ao diabo…
mas ele não pára. E há muitas
situações cômicas com os amigos…
…que somos nós.
– Adorei. Ótimas possibilidades.
São alguns dos melhores números
que já escrevemos!
Um playground, uma escola,
12 garotas jogando softball!
– E um número sobre um crime!
– Vocês são o máximo!
– Estou tão feliz!
– As melhores falas que escrevemos.
O que acha, Jeff?
Vocês são gênios!
A coisa toda é brilhante e criativa.
Você criaram não apenas
uma ótima trama musical…
mas algo que é verdadeiro
e atual, moderno.
Estou tão feliz!
Claro que ele precisa
escrever livros de mistério.
– Dão fama, dinheiro.
– É uma situação engraçada.
Claro! É brilhante,
contemporâneo, perceptivo.
Esta história é a versão
moderna de “Fausto”.
– “Fausto”?
– Está brincando, Jeff!
Acho que não contei direito.
Não fui clara.
Você foi admiravelmente clara.
Você usou a frase:
“Ele vendeu a alma ao diabo”.
Essa é a linha
a qual vocês devem seguir.
Como Fausto,
ele é tentado pelo diabo…
e essa concessão deve
acabar em danação eterna.
Isso os fará rir.
Vocês podem escolher
entre uma comédia musical…
e um espetáculo musical moderno
com significado e estrutura.
Mas não queremos
escrever “Fausto”.
Estão me levando ao pé da letra.
Quero a história de vocês! Adorei!
Mas quero ressaltar
a analogia…
entre a lenda de “Fausto”
e a história desse homem.
Mas não vai ficar pesado?
É uma idéia comercial?
Será que “Fausto” é comercial?
“Fausto”, de Christopher Marlowe,
de Goethe, de Gounod…
de Hector Berlioz.
Quem tocou nesta lenda…
transformou-a em uma mina de ouro.
Será um sucesso!
Mas ainda pode ser
divertida, certo?
– Com alguns valores!
– Estou muito feliz.
– Muito feliz.
– Nós também, Jeff.
O editor que mencionaram pode
ser a encarnação do diabo.
O mal personificado!
Levando a humanidade para
os caminhos da tentação!
– Mas ninguém o faria como você.
– Ninguém vai fazer.
Você vai fazer?
No papel da garota… uma novata,
com paixão, charme, graça e beleza.
– Gabrielle Gerard.
– Ela é dançarina de balé!
Ela não quer fazer um show.
Recusa tudo!
– Ninguém nunca me recusou.
– Acha que conseguimos? Que elenco!
Tony Hunter, Jeff Cordova,
Gabrielle Gerard! Não é demais?
Será uma espécie de
“Fausto” moderno.
Eu sou Fausto. Você é o diabo.
Terá valores, importância.
– Vou dançar com essa bailarina.
– Ela é maravilhosa!
– Será ótimo!
– Para alguém.
– Mas eu vou para casa.
– Mas, Tony!
Deus os abençoe e boa sorte,
mas isso não é para mim.
Sei o que posso fazer
e vou me ater a isso.
É o problema. Você se ateve
a isso e continua assim.
– O quê?!
– Ninguém o admira mais que eu.
Vi todos os shows e filmes que fez,
mas vamos encarar os fatos.
Os tempos mudaram,
e você não mudou com eles.
– Ficou estagnado.
– Então não precisam de mim mesmo.
Precisamos! Porque pode
ser maior do que jamais foi!
Faremos você explodir
no teatro como um foguete!
Nada de velhas cartolas,
gravata e casaca…
mas um grande artista
no auge!
O novo Tony Hunter!
Tony Hunter, 1953!
– Mas eu posso fazer isso?
– É um desafio para todos nós.
– Mas teatro é isso: desafio.
– Seja o novo “eu”…
ou o antigo “eu”,
sou apenas um artista.
O que acha que eu sou? E eles?
E o teatro? É tudo entretenimento!
Não há diferença entre
os ritmos mágicos dos pés…
…de Bill Robinson…
– Já disse isso.
Certo! O que Bill Robinson fez?
Dançou numa escada, certo?
Agora eu sou Édipo, o rei,
na mesma escada.
Qual é a diferença?
Tudo é teatro.
Mostrem-me o maior ator trágico
ou um palhaço do burlesco…
e eu lhes mostro um artista.
Somos todos…
Jeff, você está bem?
Tudo que acontece na vida
Pode acontecer num show
Você pode fazê-los rir
Você pode fazê-los chorar
Tudo, tudo pode acontecer
O palhaço
com as calças caindo
Ou a dança que
é um romance de sonho
Ou a cena
em que o vilão é cruel
Isso é entretenimento!
As luzes na moça
de roupa colante
Ou a noiva que tem um amante
Ou a dança
em que ela demonstra seu amor
Isso é entretenimento!
A trama pode ser quente
Bem cheia de sexo
Uma divorciada alegre atrás do ex
Pode serӃdipo Rei
Em que um cara mata o pai
e causa muitos problemas
O escrivão que é mandado embora
Pelo chefe que está desmoralizado
Pela garota que o está traindo
O mundo é um palco
O palco é um mundo
de entretenimento
Isso é entretenimento
Isso é entretenimento!
Veja o que eu posso fazer.
Ainda sou eu!
A dúvida
enquanto o júri está fora
Ou a emoção
quando eles lêem o testamento
Ou a perseguição ao bandido
Isso é entretenimento
A dama que é conhecida
como amante
Ele é um tolo que
não vai deixá-la escapar
Isso é entretenimento!
Pode ser uma luta
como você vê na tela
Um camponês sendo assassinado
pelo amor de uma rainha
Uma grande cena de Shakespeare
Em que um fantasma
e um príncipe se encontram
E todos acabam mortos
A piada pode estar
acenando a bandeira
Que começou com um Sr. Cohan
Viva o estilo americano
O mundo é um palco
O palco é um mundo
de entretenimento!
– Ainda está aí, Hal?
– Aqui, Jeff. Ao telefone.
Redação?
Alô, Mike. É Hal.
O Sr. Cordova tinha requisitado
Gabrielle Gerard pro show dos Marton.
Houve um engano.
Ainda há tempo de consertar?
– Eu fico grato. Obrigado.
– Por que fez isso?
Para evitar que faça
papel de idiota na imprensa.
– Sabe que não pode ter Gerard.
– Por quê?
Paul Byrd não a deixará fazer
um show. É um cliente exigente.
Não é apenas o coreógrafo dela,
também é o namorado.
– Ela não faz nada sem ele!
– Deve ser Paul Byrd.
– São 3:OO!
– Faça-o entrar.
– Olá, Paul.
– Onde estão?
Aí dentro.
– Olá, Paul.
– Onde está?
– Quem?
– Oscar Hammerstein!
Na cama, espero.
– É Dick Rodgers?
– O que está dizendo?
O maior produtor de musicais
não estava aqui e queria me ver?
– Sou eu. Vou fazer um musical.
– Você me tirou da cama…?
Já entendi.
Não precisa continuar. A resposta
sobre Gabrielle Gerard é “não”.
Gabrielle? Paul, não entendi.
Ela não vai fazer um show.
É importante demais para o balé.
Não tem nada a ver com ela.
Quero que faça a coreografia do maior
musical dos últimos tempos.
– Ah… Não sabia.
– Por isso o acordei.
Nem consegui dormir.
Os Marton são brilhantes.
Desta vez, eles se superaram.
O show é o sonho de qualquer
coreógrafo, e só você pode fazê-lo.
– Eu não diria isso.
– Sem falsa modéstia.
Você é o maior e sabe disso.
É a sua especialidade.
Um grande tema clássico.
“Fausto” nos tempos modernos.
Parece interessante.
Nunca fiquei tão animado
com um projeto.
Somos Tony Hunter, eu…
uma vitória dos Marton.
Maravilha. Minha cabeça está
começando a fervilhar.
Agora vamos procurar uma cantora
maravilhosa para o papel da garota.
Cantora? Não acha que devemos
enfatizar a dança nesse papel?
Não, Paul.
Ela deve ser uma grande artista,
com paixão, charme, beleza…
uma dama com jeito de menina.
Nenhuma dançarina tem isso.
Espere. Claro que eu não deixaria,
mas Gabrielle tem tudo isso e mais.
Gabrielle?
Paul, estou envergonhado.
Ela é charmosa,
dentro de suas limitações.
– É uma grande artista, e você sabe!
– Desculpe. Sei como gosta dela.
Não tem nada a ver! Ela pode
ser uma grande estrela do teatro.
– Todos a querem.
– Para algo leve e sem compromisso.
Leve e sem compromisso?
Ouça, Jeff…
não farei o show se
o papel não for de Gabrielle Gerard!
Isso complica as coisas, certo?
Esqueça. Trabalharemos
juntos um dia…
Espere. Ao menos, vá vê-la amanhã.
Leve Hunter, os Marton…
Impossível! Tenho uma apresentação,
mas vou mandar os Marton.
Podemos conversar depois,
mas não prometo nada.
Boa noite.
Redação? Mike, é Hal de novo.
Pode imprimir a notícia.
E agora, se o Sr. Cordova disser
que vai contratar Tallulah…
para”Little Eva”, acredite.
TEATRO COMMODORE
COMPANHIA DE BALÉ COUTRAY
– Então?
– Fabulosa, sensacional.
A coisa mais linda que já vi.
– Meio alta, não é?
– Ilusão do palco.
– Então não gostou muito, foi?
– A garota é fantástica, linda…
…mas não posso dançar com ela.
– Pare de se preocupar!
Não é que eu não aprecie o que
ela faz. Ela é magnífica!
É o que me assusta. Não faço balé
desde criança. Pareceria idiota.
Lil, você está maravilhosa!
Ponha suas coisas ali.
Olá, Sr. Hunter. Como vai?
– Olá, Les. Que prazer!
– Como vai?
É a convenção anual
dos caçadores de peles?
– O chefe está lá com os ricaços.
– Os patrocinadores?
– Levantando dinheiro para o show.
– O nosso show?
– Claro!
– Ainda não leu o roteiro. Vou…
Desculpe. Se agitar a água, assusta
os peixes. Estão mordendo a isca.
– O que ele vai dizer?
– Seja o que for, estão gostando.
– Venha, Lil.
– Não entrem ainda.
Esperem no escritório. Ele vai
deixá-los para o fim. Com licença.
Não é maravilhoso?
– Vai ser demais, Tony!
– Por quê?
Cordova. A grana para o show.
Sem problemas!
– Quantas audições da última vez?
– Cinquenta?
Cem, talvez mais.
Jeff talvez consiga o patrocínio hoje.
Poderemos ensaiar em 3 semanas.
– Olá, Hal.
– Olá, Paul. Como vai?
– Que prazer. Entre.
– Esta é a Srta. Gerard. Sr. Benton.
Como vai?
Jeff está com os patrocinadores.
Esperem na biblioteca.
– Com licença.
– Obrigado.
Paul, vamos esperar aqui.
Espere. Ainda não estou pronto.
Ainda há muito a esclarecer.
Essa tal Gerard… não é só a dança.
É alta demais para mim. É gigante!
Não é alta demais. Eu a conheço.
Ela é assim. Talvez 5 cm menor.
Minha altura é perfeita para você.
Vire-se. Vê? Não está ótimo?
Gabrielle Gerard, na ponta dos pés,
tem no máximo 9O cm.
Calma. Vou pegar um drinque.
Pare de se preocupar com ela.
Jeff só a quer no show
porque ela é a melhor.
Temos que concordar com ele.
No show, alguém tem que
estar no comando…
e podemos confiar
em Jeff para…
…é o diabo, que vem cobrar
a alma do Fausto moderno.
Agitando as asas e
com olhar maléfico…
ele aponta o caminho
das profundezas do inferno.
Aleluia!
– Estou envergonhada.
– Não seja infantil.
Tony Hunter não deve
me querer no show.
– Por que diz isso?
– Ele foi me ver nos bastidores?
Ele sabia que iria
encontrar você aqui.
– Sou só uma bailarina…
– Você é uma bailarina famosa.
O que ele quer comigo?
Ele é um ator famoso.
É praticamente uma figura histórica!
Dançar com ele é como dançar
com a estátua do general Grant!
Gaby, é um show de Cordova.
É um passo importante para você.
Eu farei a coreografia.
Não precisa se preocupar.
Mas ainda acho que
ele não me quer no show.
Seu nariz está brilhando.
– Onde é o…?
– Talvez seja aqui.
Ele passa por almas atormentadas que
pagam pelos seus pecados!
Gula, avareza…
Deve ser lá em cima.
Onde fomos nos meter?
A história que ele está contando…
não tem nada a ver com a nossa.
Serão meses reescrevendo tudo!
Ele acha que vamos ensaiar
daqui a três semanas?
Enxofre e chamas! Salvem-me!
Corruptor de crianças.
Malfeitor. Calabouço.
Caldeirões borbulhantes.
Fornalhas aterradoras da perdição.
– Você é…
– E você é… Como vai?
Como vai? É um…
Esperávamos vocês lá.
– Acabamos de chegar.
– Nós chegamos há 5 minutos.
Meio cedo, eu acho.
O Sr. Cordova está ocupado.
Eu sei.
E corri tanto para vir!
– Estou horrível.
– Não. Está maravilhosa.
– Aceita um cigarro?
– Não, obrigada. Eu não fumo.
– Nunca?
– Uma dançarina não deve fumar.
– Entendo.
– Algum problema?
– Não. Belos sapatos.
– Obrigada.
– Sempre usa sapatos de salto?
– Nem sempre. Às vezes, sapatilhas.
Lamento. Fui muito rude. Não disse
como esteve maravilhosa esta noite.
Obrigada.
Também sou sua fã.
– Achei que nem me conhecia.
– Via todos os seus filmes…
quando era criança! E ainda
sou uma fã. Fui revê-los no museu.
Museu?
“Por aqui, senhoras e senhores.
Múmias egípcias, répteis extintos
e Tony Hunter…
…o velhote da dança.”
– Não quis dizer…
Ainda consigo colocar, sem óculos,
uma linha na agulha…
e ainda faço alguns
passos de sapateado.
– Não é balé, claro.
– Não é apaixonado por balé?
Sou. Ia ao balé
antes de você nascer.
Vi Pavlova, Karsavina,
todas as grandes bailarinas.
Não se vê dança assim
atualmente. Lamento.
Tudo bem. Não espero que
me compare à Pavlova.
Se ela estivesse aqui,
duvido que estaria à sua altura.
Pediria que
ela fizesse um teste!
Sem dúvida. Pediria que
minha avó fizesse um teste.
E por que não testa a minha?
Ela seria perfeita para você!
– Sinto muito.
– Não sente.
– Não sinto!
– Nem eu.
Ótimo!
– Paul, vou embora.
– O que foi, querida?
Não posso trabalhar com esse homem.
É insuportável!
Acabamos de chegar.
Vai parecer…
Está tudo cancelado! Essa garota
é um monstro! Para mim, chega!
E agora, senhoras e senhores,
o cérebro, o talento, os artistas.
Eles não são maravilhosos?
Nem imaginam como
as coisas vão bem. É maravilhoso.
Senhoras e senhores,
quero que conheçam o grupo…
responsável pelo show que todos vão
querer ver na próxima temporada.
O famoso coreógrafo
Paul Byrd!
Conhecem os autores: Lily e Lester
Marton. Uma reverência, Lily.
E, senhoras e senhores,
meu astro: Tony Hunter.
Um nome, um talento.
A encarnação do “show business”.
E, senhoras e senhoras,
a nova protagonista.
A glamorosa e encantadora
dançarina do mundo mágico do balé…
escolha do próprio Sr. Hunter:
Gabrielle Gerard!
Devem concordar que
o investimento é seguro, certo?
Agora vamos relaxar e beber.
Querida, como vocês, autores,
têm essas idéias brilhantes?
A cena da condenação.
Você já ouviu algo assim?
Rapaz! Tive o prazer de patrocinar
seu último show também!
Jeffrey, que tal…?
Aí está, pessoal.
A iluminação.
Só uma lâmpada, talvez, mas
nas próximas quatro semanas…
será nosso sol, nossa lua,
nossas estrelas.
Essas quatro paredes serão nosso
universo, nosso mundo particular.
Entraremos apenas com um sonho,
mas quando partirmos…
teremos um show.
Entre ambos haverá entusiasmos…
frustrações, irritação e café frio.
Alguns de nós vão brigar,
outros vão se apaixonar…
mas vamos trabalhar e adorar,
porque teremos a mesma motivação.
teremos um sucesso estrondoso.
E, acreditem, não há nada
mais reconfortante…
que um sucesso estrondoso.
Acha que isto é uma
produção qualquer?
Agora!
É isso! Maravilhoso!
Por que não fizeram isso antes?
Pode repetir para mim,
por favor?
“O mesmo tipo de cobra
oportunista que ele é.”
“Você entendeu mal.
Esta cobra venceu sozinha.
Vivemos pela lei da selva:
coma ou seja comido.
Só descobri que gosto de comer
e como caviar sempre que posso.
– Algum problema?”
– Essa fala é ruim.
Precisamos de uma imagem rápida
como “espalhar ideais num biscoito”.
Gostaram? “Já tentou espalhar ideais
num biscoito?” Deixe-me ouvir, Tony.
“Já tentou espalhar
ideais num biscoito?”
– Jeff. Eu não…
– Repita a fala para mim.
“O mesmo tipo de cobra
oportunista que ele é.”
“Você entendeu mal.
Esta cobra venceu sozinha.
– Vivemos pela lei da selva…”
– Desculpe, Tony.
Com licença, pessoal.
Conhece icebergs, certo? 1/8 acima
da superfície, 7/8 abaixo. É você!
Só está me dando 1/8.
Sou ganancioso. Quero mais!
Vamos lá. Dê tudo! Supere-se!
Vamos. Todos os 8/8!
Gaby, no mesmo lugar.
“O mesmo tipo de cobra
oportunista que ele é.”
“Você entendeu mal!
Esta cobra venceu sozinha!
Vivemos pela lei da selva:
coma ou seja comido!
Só descobri que gosto de comer,
e como caviar, sempre que posso!
Já tentou espalhar
ideais num biscoito?”
Muito bem, Tony!
É isso, 8/8.
– Desculpe. Sou desastrado.
– A culpa não foi sua.
É difícil. Tenho outra idéia.
Fique aqui. Jimmy…
segure Gaby assim e coloque-a
aqui perto de Tony.
Quero ensaiar duas ou três vezes.
Acho que consigo.
Ele pode ensaiar com Barbara?
As sapatilhas estão me matando!
Claro. Vá descansar.
Barbara, venha cá.
Acho que
isso está dificultando.
Se mantiver o equilíbrio,
assim, e segurá-la…
Acho que cometemos um erro.
Estamos desperdiçando Tony na cena.
A seguir é o fim do primeiro ato.
A cena da condenação.
Não quero diminuir o impacto dele.
Que tal ele entrar na casa
e assistir da varanda?
– Que tal?
– Ótima idéia.
Viu? Vai se poupar para o final.
Assim é bem melhor.
Vamos voltar às posições iniciais.
Gaby! Rapazes, fiquem aqui, garotas…
vocês estavam em fila.
Não muito perto.
Este grupo aqui, você ali.
Vamos tentar desse jeito.
Não! Não vamos tentar
desse jeito, nem de outro!
Para mim, chega.
Suportei 3 semanas de ensaios,
dessa tortura chinesa.
Não sei o que pretende,
além de me fazer passar por idiota.
Eu tentei. 3 semanas.
Suportei tudo.
Vi meu papel ser alterado,
meus números serem cortados…
e não disse nada. Quis cooperar,
fazer o melhor para o show.
Vamos esclarecer uma coisa:
não sou Nijinsky.
Não sou Marlon Brando.
Sou o filho da Sra. Hunter,
Tony, cantor e dançarino.
Diverti milhões de pessoas
na minha época.
E não gosto das insinuações
ordinárias dessa bailarinazinha…
de que sou um dançarino
sem talento.
Cansei desse sorriso de superioridade.
Cansei dela.
Cansei de “Fausto”.
Cansei desse show! Não precisa dizer!
“Tony Hunter, 1953″.
Eu declaro a minha independência.
Tony Hunter, 1776.
Deus os abençoe.
– Lester, aonde vai?
– Não sei. Eu ia…
O que houve conosco?
Vamos ficar calmos. É só um show.
– Eu sei. Sinto muito.
– Eu também. Sejamos sensatos.
– Devemos procurar Tony?
– Não sei. O que acha?
– Talvez devêssemos.
– Mas Jeff disse que não.
E não se deve desobedecer
ao professor.
Certo ou errado,
alguém tem que comandar!
Mas, para você,
ele está sempre 1OO% certo!
Se disser mais uma vez que
Jeff me hipnotiza, eu grito!
Ele a intimidou tanto…
– Vão achar que estamos brigando!
– Não! Estamos em total acordo!
Nós nos odiamos!
NUNCA FECHAMOS
COQUETÉIS
Joe, diga à Sra. Marton que
eu fui para o Taiti… pintar.
INQUEBRÁVEL
– Olá, Sr. Hunter.
– Deve estar no apartamento errado.
– Não. Vim vê-lo. Posso entrar?
– Por favor.
Eu já ia me deitar
na minha cama de pregos.
– Sinto muito.
– Tudo bem.
Não teria conseguido
se eu não a tivesse amaciado.
– O quê?
– Nada.
– Cigarro?
– Não, obrigada.
Certo. Dançarinos não fumam.
– Importa-se se eu fumar?
– Sim. Quer dizer, tudo bem.
Obrigado.
Que lindo!
Nunca vi quadros tão lindos
num hotel.
Ainda não pertencem ao hotel.
São meus e são originais.
Não se engane. Não entendo de arte.
Sou só um ator de Hollywood.
Ligo para o meu agente e digo:
“Tenho uma parede para cobrir.
Mande 6 metros de quadros
em cores variadas.”
É um Degas
bem do começo, certo?
“1877″.
Afanei da mesa dele na escola.
Como ele ficou bravo!
Em que posso ajudar?
Já sei, quer desculpas.
Tudo bem, peço desculpas.
Não faça isso.
Eu devo pedir desculpas.
Quer dizer…
Já sei. Eles se reuniram,
ameaçaram você…
Não. A idéia foi minha.
Só queria dizer que…
Tudo bem. Foi idéia de Paul.
Por que deixo que ele me manipule?
Do que eu quero me desculpar afinal?
Você foi cruel comigo!
– Você nunca me quis no show.
– O quê?
E acha que eu sou uma
bailarina qualquer.
Isso tudo está acabando comigo,
e nenhum show vale isso.
Eu não pediria desculpas
nem em um milhão de anos!
Não faça isso. Calma, por favor.
Tenha calma. Veja.
Achei que só eu tivesse
perdido o controle.
– E você se comportou…
– Eu me comportei muito mal. Eu sei.
Não estou acostumada com isso.
É muita pressão.
Você me entendeu mal, só isso.
Acho você incrível.
Tudo no show é incrível,
menos eu.
Eu morria de medo de você
e de todo o pessoal do coro.
Não seja gentil comigo. Isso faz
com que eu me sinta mais feia.
Eu diria que você é mais
comum do que feia…
…mas, ao menos, tem talento.
– Obrigada.
É uma bobagem nunca termos
nos sentado e conversado.
Somos os únicos animais que
podem se comunicar pela fala…
…e rosnamos um para o outro.
– Eu sei.
Somos de dois mundos diferentes,
duas épocas…
mas vamos dançar juntos, trabalhar
juntos. Ninguém nos consultou…
mas só nós somos importantes
nisso tudo.
Não aqueles gênios que
nos dizem o que fazer.
– Tem razão. Nós somos os artistas.
… e fazemos papel de idiotas.
– É isso que vai acontecer?
Não. Claro que não.
Tudo vai dar certo.
Sinto que tudo será bem melhor
daqui por diante.
Eu sei, mas…
…você e eu podemos dançar juntos?
– Não sei.
Vamos descobrir.
– Táxi, senhor?
– Sim, por favor.
El Morocco, por favor.
Stork? Waldorf?
Não. Estou malvestida.
Vim do ensaio.
– Não posso ir a esses lugares.
– Está ótima para mim.
– Tudo bem. Obrigado.
– Obrigado.
– Para onde, senhor?
– O cavalo decide.
Veja! Árvores!
Eu me lembro vagamente.
Árvores!
E isso não se chama”grama”?
– Veja, é o céu!
– Tudo isso estava aqui…
enquanto estávamos trancados
em nossa prisão artística.
É mesmo? Incrível!
Sabe o que é aquilo nos bancos?
Pessoas. Pessoas felizes.
Não se importam se temos uma
cena da condenação no show ou não.
Nem eu.
TRANSPORTE TEATRAL
TEATRO NEW HAVEN
Não dá para pôr
nos elevadores.
Leve este.
Não vai servir para o final!
– Como estamos?
– É um desastre!
Estamos em apuros.
Não podemos estrear em 3 dias!
Eu avisei desde o começo,
estão sobrecarregando o show!
Não pode pôr todo este cenário
no teatro!
– Por que não está pronto?
– Trabalhamos a noite toda…
Há mais cenários neste show que
no Parque Nacional Yellowstone.
Peguem as plantas. Vamos fazer
uma reunião. Vai dar tudo certo.
Parem!
Pedi metais, e só ouço flautas.
Não quero tantas cordas!
Preciso tirar 16
compassos da dança.
16 compassos! Lil!
Eu corto. Página por página.
Pergunte a Lily se ela aprova o corte.
– Lil, que tal o corte?
– Está ótimo.
É melhor pôr cordas…
Espere.
Não dá para ouvir Tony
em “Lovelier Than You”.
Talvez o tom esteja
muito baixo. Les…
pergunte se Tony pode
cantar um tom mais alto.
“Lovelier Than You”,
um tom mais alto?
Não vê que estou tentando cortar?
O tom é perfeito.
– Lily disse que faria a mudança.
– O tom é perfeito!
Preparem-se para
a cena da transformação.
– Não estamos prontos!
– Tudo bem. Próximo.
Atenção.
Vou indicar a música da transição.
Não é ótima? Herman!
Todos prontos aí atrás?
Precisamos de mais tempo!
– Preciso de mais 16 homens!
– Tenho elevadores…
Faça o melhor que puder.
Pessoal, é isso!
Homens nos elevadores,
esperem a deixa.
Painéis de controle,
preparem-se para a primeira deixa.
Garotas da escada, tomem suas
posições, mas sem medo.
Homens de armaduras,
acendam os candelabros.
Caprichem! Não se esqueçam,
é o final do primeiro ato.
Vocês estão bem?
Esperem a deixa.
Mudança de luz. Girar.
Vai ser lindo!
Será um momento memorável!
Memorável!
Isto é teatro de verdade!
Tudo funcionando perfeitamente.
Não, Herman!
Isso não sobe.
Isso desce! Faça descer!
O que é isso? Herman!
Acho que não entenderam
as deixas! Não, parem!
Isso não desce. Isso sobe!
Herman, pelo amor de Deus,
olhe as instruções.
Não eu!
Herman, este cabo enguiçou!
Calma. Não entrem em pânico.
Temos um problema, mas foi
por isso que viemos para cá.
– Nunca dará certo!
– Claro que dará.
Tenham alguma idéia brilhante!
Não vai pôr Gaby nessa coisa.
É perigoso! Não vou permitir!
Tudo bem, já esperávamos
alguns contratempos.
Reúna a companhia
para um ensaio…
enquanto esvaziam o palco.
Não podemos perder tempo!
Desculpe. Eu me esqueci.
Isso ajuda?
Está bom?
Vamos ensaiar. Vamos nos apresentar
em breve. Ainda não decorou.
Acho que Gaby está exausta.
Ninguém dorme há duas noites.
– Não pode deixá-la descansar?
– Trabalho com ela há muitos anos.
Eu a conheço melhor que você.
Venha, Gaby.
Madame,
concede-me esta dança?
Chega de palhaçada.
Não terá graça amanhã à noite.
Paul, estão prontos para
você no palco. Vamos.
Este é o grande momento.
Hal, tire isso daí.
Tony, Gaby, é agora.
Quero que seja impressionante!
Vocês devem ser belos, fabulosos,
apaixonados e selvagens!
A deixa é: “Dancem, idiotas!”
Hal, é um pouco
exagerado, certo?
Vamos estrear mesmo
amanhã à noite?
“Dancem, idiotas!”
O TEATRO NEW HAVEN
APRESENTA
UMA PRODUÇÃO DE
JEFFREY CORDOVA
Olá! É uma grande noite!
Todo mundo de Nova York
está aqui! Todo mundo!
Ouviu isso, querida?
Toda a Nova York está aqui.
Vamos. Não queremos que
percam a abertura.
Vamos nos preparar?
Vamos terminar essa rodada.
Ninguém fez discurso ainda.
Discurso?
Nunca vi uma estréia
sem que um cara…
reúna os pobres atores e
faça um longo discurso:
– “Eles devem ser brilhantes”.
– Todos no palco, por favor!
O Sr. Cordova quer
dizer algumas palavras.
Vamos, garotas. Rápido.
Vamos logo.
Companhia, uma última palavra.
Vocês foram maravilhosos.
Agradeço a colaboração.
Vamos nos apresentar para
uma platéia num teatro…
não apenas um templo das artes,
mas um local de negócios.
Sei que nossa aventura será
bem-sucedida em ambos.
Temos que manter a calma
e fazer um show.
Haverá dificuldades,
mas nós as resolveremos.
Foi para isso que
saímos da cidade.
Até agora,
eu dei as ordens como diretor…
mas agora, quando me virem,
serei como um de vocês…
um ator ansioso, querendo se
apresentar bem. Atores, vamos!
Preparem-se para o quadro, garotas.
Terminem a maquiagem.
Que bom que vieram!
Não se esqueçam da festa
no hotel, depois do show.
O elenco todo estará lá.
Vão conhecê-los.
Irei aos bastidores
cumprimentá-los depois.
Vejo vocês na festa.
Toda a Nova York está aqui!
Grande festa no hotel depois do show.
Grande festa, grande show.
Vamos. Não queremos perder nada.
Não se esqueçam da festa!
Evelyn, grande festa no hotel
após o show. Vou procurar você.
O champanhe é por minha conta.
“A RODA DA FORTUNA”
SERÁ O GRANDE SUCESSO DO ANO
Devo levá-lo ao hotel
para a festa, senhor?
Não, para a estação. Talvez ainda
pegue o trem das 23:4O para NY.
Sim, senhor.
– Boa noite.
– Desculpe. Procuro a festa do show.
É aqui, senhor.
Vamos. Rápido. Champanhe.
Aqui está, senhor.
Por aqui, por favor.
– Vai embora, senhor?
– Vou. Boa noite.
Vamos fazer isso mais vezes.
Dê-me algo para
eu me lembrar de você
Quando está longe de mim
É tudo culpa de Annie!
Devia ter ouvido minha mãe. Ela me
disse para só fazer sucessos.
Não quero me intrometer.
Só queria dizer que vocês são ótimos.
Não tive a chance de
conhecê-los bem.
– Lamento ter estragado o show.
– Espere. Entre. Tome uma bebida.
Não quero invadir.
– Um drinque para o Sr. Hunter.
– Uísque, bourbon ou cerveja?
– Cerveja está ótimo.
– Saindo uma cerveja!
Quer pizza?
Que tal um sanduíche?
Temos presuntos, ovos…
Chega disso por esta noite!
Lá estávamos nós.
– Os 1O Trovadores Sapateadores.
– Os 1O Trovadores Sapateadores?
Acreditem ou não…
ficamos encalhados
em Pittsburgh com US$ 3…
apertados num quarto
do tamanho daquele armário.
Gaby, entre.
Estamos fazendo um velório.
– Procurei você por toda parte.
– E Paul?
Está num velório exclusivo
com Jeff e os Marton.
– Aceita uma bebida? Uma cerveja?
– Quer pipoca?
Tony! Tony!
Lily, Lester! Entrem!
Têm certeza? Não se lembram?
Nós escrevemos aquilo!
É uma festa maravilhosa.
Entrem.
Quem vai sair e comprar cerveja?
Você foi eleita.
Tony, ouça isto!
Mais cerveja!
Jamais esquecerei.
Você ficou irado.
Perdeu o controle.
Vamos, Tony! Cante!
– Eu adoro um copo de cerveja
– Mais cerveja!
Cerveja combina com cerveja
– Mais cerveja!
Quanto tomo cerveja,eu penso:
“Ah! A vida é boa!
Mas há alguém que
eu amo mais que cerveja
Eu amo Louisa
Louisa me ama
Quando andamos no carrossel
Eu beijei Louisa
E então Louisa
Louisa me beijou
Estávamos tão felizes
Tão felizes e livres
Ah! Ah!
Mas ela é a bela Louisa
Ah!Quando eu as escolho
Não quero perdê-las
Um dia Louisa
Louisa será
Mais que apenas uma mulher
Para mim
– Os franceses adoram vinho
– Mais cerveja!
– Os ingleses preferem uísque
– Mais cerveja!
Mas quando tiro toda a espuma
Eu faço um brinde
Aos alemães e à garota
Que eu mais amo
Eu amo Louisa
Louisa me ama
Quando andamos no carrossel
Eu beijei Louisa
Eu beijei Louisa
Louisa me beijou
Nós estamos tão felizes
Tão felizes nós estamos
Ah! Mas ela é a bela Louisa
Ah!Quando eu as escolho
Não quero perdê-las
Ah! Mas ela é a bela Louisa
Ah!Quando eu as escolho
Não quero perdê-las
Um dia,Louisa
Louisa será
Mais que apenas uma mulher
Para mim
Mais cerveja! Mais cerveja!
Mais cerveja!
Com tanto talento nato,
por que não nos reunimos…
e montamos um show? Podemos
encontrar um galpão e talvez…
Suporto tudo, menos fracasso.
– Onde fica o telefone?
– Ali.
Quarto de Jeff Cordova,
por favor.
Alô, Jeff. É Tony.
Não diga nada. Escute.
Estou com o pessoal,
e tomamos uma decisão.
Não vamos suspender o show.
Vamos continuar.
Vamos colocá-lo na estrada
e refazê-lo totalmente.
Não será uma versão
moderna de “Fausto”…
nem do “Livro de Jó”
na época do suingue.
Será o nosso show,
o show que queríamos fazer…
que os Marton escreveram,
com as músicas que descartou.
Terá risos e diversão.
Lembra o que é diversão?
Adoraríamos tê-lo conosco,
mas, se não estiver…
não fará diferença nenhuma.
Faremos do mesmo jeito.
Vamos levar isso adiante,
certo, pessoal?
– O que me diz?
– Alô? Não tem ninguém aqui.
É a camareira, mas se quiser…
…deixo o recado…
– Obrigado, senhora.
Ele não está.
Jeff, ouviu o que eu disse?
Tony, aprendi uma coisa
no teatro:
um homem comanda,
os outros aceitam ordens.
Acredito no que você disse.
Fui na direção errada.
Você tem que ser o chefe.
Pode fazer isso brilhantemente…
e eu gostaria de participar.
– Jeff, você tem razão.
– Mas saiba que não há dinheiro.
O coronel Todd e os
patrocinadores desapareceram.
– Temos patrocinadores.
– Quem?
Uns pintores.
Um cara chamado Degas…
– Não venderia seus quadros!
– Claro. Eles amam o teatro.
Precisamos de 5 ou 6 semanas
em turnê para afinarmos o show.
– Jeff, pode ajudar com as reservas?
– Claro!
Hal, tem papel e lápis?
Precisamos enviar um telegrama.
– Washington.
– E Boston.
Podemos ir para Filadélfia,
Detroit e voltar a Nova York?
– Paul, não está animado?
– Estou. É maravilhoso.
Desejo muita sorte a eles.
– Mas estamos fora.
– Por quê?
Com Tony fazendo as coreografias,
não será meu tipo de show.
Nem seu. Não quero que participe.
Eu nem pensaria em deixar o show.
– Trabalhei muito na sua carreira…
– A carreira é minha. Quero ficar.
Vou pegar o trem das 9:OO,
amanhã, para Nova York.
Espero que esteja lá.
Boa viagem, Paul.
Dançarinos, cantores,
os esboços…
Pessoal, teremos que
ensaiar todos os dias…
o dia todo, até a estréia.
Vamos criar números novos
e aprendê-los bem rápido…
…e vamos tirar todo aquele…
– Lixo!
Já temos tudo programado,
e parece muito bom.
Filadélfia, Boston, Pittsburgh,
Washington, Baltimore…
FILADÉLFIA
Vejo um novo sol
em um novo céu
E o meu horizonte
atingiu uma nova altura
Ontem,meu coração cantava
uma música triste
Mas hoje eu o ouço cantarolar
uma música nova e alegre
Eu sonhei um novo sonho
Vi uma nova face
E estou espalhando a luz do sol
por toda parte
Com um novo ponto de vista
isso é o que vem ao meu encontro
Um novo amor
Uma nova sorte
– Um novo sol
– E há um novo sol
No céu
Acho que vou mudar de plano
Eu deveria ter imaginado
que haveria outro homem
Eu me esqueci disso
completamente
Até o grande caso começar
Antes que eu soubesse
onde estava
Eu me vi dispensado
E foi isso
Tentei alcançar a lua
Mas quando cheguei lá
Tudo o que eu consegui foi ar
Meus pés estão
de volta ao chão
Perdi a única garota
que eu achei
Vamos,carroça da Louisiana
Vamos,estamos prontos
Vamos logo,carroça da Louisiana
Não é preciso fazer a chamada
Gosto daquele rapaz
Sentado no feno, todo animado
Como o tempo é curto
Estale o seu chicote
Prepare o barco para partir
Vamos logo,carroça da Louisiana
Não estou brincando,estamos felizes
Vamos,carroça da Louisiana
Não é preciso fazer a chamada
– Jasmine Washington
– Tô aqui
– Sweet Pea Oglethorpe
– Tô aqui
– Jonquil Jezebel
– Aqui
– Lemon Verbena
– Eu tô aqui
– Mo e Freddy, Lily e Lettie
– A gente tá aqui
Estamos aqui
– Zeke e Lemuel,Hiram e Samuel
– A gente tá aqui, estamos aqui
– Primrose Paradise
– Eu estou aqui
– Daisy Dandelion
– Tô aqui
Estamos aqui,estamos aqui
Não está vendo?
Se vocês estão prontos
e estão decididos
Vamos,carroça da Louisiana
Vamos logo,carroça da Louisiana
Não é preciso fazer,não é
– Não é preciso
– Não é preciso fazer a chamada
Vamos, vamos
Eu gosto daquele rapaz
Sentado no feno, todo animado
O tempo é curto
Estale o chicote, faça o barco
– Faça o barco
– Faça o barco partir
Vamos,carroça da Louisiana
Afastem-se
Atenção,saiam da frente
Vamos, vamos
Carroça da Louisiana!
A cena só tem 2 minutos.
Não terá tempo de fazer a troca.
Sei que é difícil, mas não chegaremos
a NY se não fizermos.
– O máximo de ensaios.
– Melhor chamá-los às 1O:OO.
Não se esqueçam.
Ensaio, 1O:OO em ponto, Baltimore.
Isso é importante.
Vou lhe dizer o que faremos.
Quem é essa garota bonita?
Não pode ser a Srta. Gerard.
Está na empresa há anos.
Nunca a vi com óculos.
Você é uma beleza!
Como vai, Gaby?
– Estou bem, obrigada.
– Ótimo.
SR. PAUL BYRD
Desculpe.
– Deve estar cansada.
– Estou, um pouco.
– Também deve estar.
– Um pouco.
Lester, estou com um problema
com dois números.
A cena do crime tem um
ritmo de jazz, e eu não…
– Alguém tem notícias de Paul Byrd?
– Não, eu não tenho.
Na verdade, ninguém tem.
Ao menos, não mencionaram.
– Ele não ia…?
– Que traidor!
Traidor? Lester, espere aí.
Ele é um cara maravilhoso.
E talentoso.
Ele tem muito…
É jovem. Precisa de experiência.
Vamos lhe dar mais uns anos.
Provavelmente,
quando se acomodar e casar.
– Acha que daria um bom marido?
– E como! Ótimo!
Será um ótimo marido.
Claro. Ele é bom.
Não vai ser fácil.
Casamento, teatro e duas carreiras.
– Problemas. Não é brincadeira.
– Por isso nunca se casou?
Quem, eu?
– Sou o tipo de cara…
– Você tem razão. É feliz assim.
Gosto de sair por aí
e me divertir.
Lester, estou apaixonado por ela.
É ridículo, eu sei…
as coisas sendo como são,
mas é isso.
Não sei quais são
as suas chances…
mas espere até chegarmos a
Nova York e veja o que acontece.
Acho que ela é louca por você,
mas o que você vê…
numa garota bonita, jovem
e talentosa, eu não entendo.
CENA 6- “TRIGÊMEOS”
Três criancinhas inesperadas
Simultaneamente
O médico nos trouxe
E você pode ver que seremos
três para sempre
Você não sabe a agonia que
é sermos trigêmeos
Cada um é individualmente
uma vítima
Todo verão, vamos para
Baden-Baden-Baden
Todo inverno, voltamos para
Walla-Walla-Walla
Fazemos tudo igual
Somos iguais
Nos vestimos igual
Andamos igual, falamos igual
E ainda por cima
nós nos odiamos multo
Odiamos nossos pais
Estamos cheios das piadas sobre
como é difícil nos diferenciar
– Se um pega sarampo
– O outro pega sarampo
E todos pegam sarampo
Caxumba e difteria
Como eu queria ter uma arma
Uma armazinha
Seria divertido matar
os outros dois e ser o único!
A Sra. Wifflepoofer adora
contar à Sra. Hildendorfer
Sobre o dia fatal
em que ela teve o seu Willy
A Sra. Hassencooper adora
contar à Sra. Goldenwasser
Sobre a cirurgia
quando ela teve os gêmeos
Mas quando mamãe aparece
as outras se calam
Ela realizou algo
que é multo raro entre as mães
A MGM tem um leão
Mas minha mãe tem um trio
Ela tem orgulho
Mas diz que três é demais
Fazemos tudo igual
Somos iguais
Nos vestimos igual
Andamos igual, falamos igual
E ainda por cima
nós nos odiamos multo
Odiamos nossos pais
Estamos cheios das piadas sobre
como é difícil nos diferenciar
Comemos o mesmo
tipo de comida
Bebemos do mesmo
tipo de garrafa
Nos sentamos no mesmo
tipo de cadeirão
Cadeirão,cadeirão
Eu queria ter uma arma
Uma armazinha
Seria divertido matar
os outros dois e ser o único!
NOVA YORK
ESTRÉIA ESTA NOITE
“A RODA DA FORTUNA”
– Está chovendo canivetes!
– Estréia chuvosa dá sorte…
…quando chove na estréia.
Boa sorte, Tony.
Querida,
haja o que houver hoje…
Eu sei. Para mim também foi.
Se for um sucesso,
se cansará de me ver…
6 noites por semana,
2 matinês. Sem escapatória.
Se não for,
não terá mais que me ver.
Gaby, quero perguntar
uma coisa.
Sinto que há um obstáculo
entre nós.
Eu queria…
Paul vem hoje?
– Acho que sim.
– Entendo.
O que eu queria saber…
– Talvez não deva perguntar.
– Eu preferia que não, Tony.
– Boa sorte esta noite.
– Boa sorte, Gaby.
“A RODA DA FORTUNA”
TEATRO STRATTON
Vejo um novo sol
Num novo céu
– Se um de nós pega sarampo
– O outro pega sarampo
Então nós todos pegamos sarampo
Vamos,carroça da Louisiana
Vamos,estamos prontos
CENA 4- “CAÇA À GAROTA”
UM CRIME NO JAZZ
ELA TINHA QUE MORRER!
“CAÇA À GAROTA”
A cidade estava dormindo.
Os bares estavam fechados.
Os ratos, os gângsteres e os
assassinos estavam em seus buracos.
Odeio assassinos.
Meu nome é Rod Riley.
Sou detetive.
Em algum lugar,
num quarto mobiliado…
um cara estava tocando trompa.
Era um som solitário.
Aquilo me enervou.
Eu tinha resolvido um caso difícil.
Estava pronto para dormir.
Farejo confusão à distância,
e essa garota estava em apuros.
Ela estava assustada
como um peru em novembro.
Não havia restado nada do cara,
nada mesmo, exceto…
um pano,um osso,
e um chumaço de cabelo.
O cara tinha tentado me
dizer algo, mas o quê?
Então era assim que
eles queriam. Tudo bem.
Em algum lugar da cidade havia
um assassino, e isso era ruim.
Para o assassino, porque eu atiro
para matar. E eu detesto isso.
Eu tinha um palpite.
Ela chegou a mim por partes.
Mais curvas que uma ferrovia.
Ela era má, era perigosa.
Eu não podia confiar nela.
Ela estava se vendendo caro,
mas eu não ia comprar.
Tinha que ser o tal!
Pegá-lo é pegar todos eles.
Havia algo nela que me fazia
querer protegê-la para sempre.
Aquela bala era para mim!
Talvez fosse um tiro no escuro,mas
às vezes coisas assim compensam.
Eu estava começando
a entender.
Os bandidos eram espertos,
mas cometeram um erro.
Eles me irritaram.
De repente,as peças se encaixaram.
Eu sabia como o crime fora cometido.
A nota alta da trompa tinha
quebrado o vidro.
O vidro tinha nitroglicerina!
Eu sabia quem era o assassino,
mas não importava mais.
Assassinos devem morrer.
Outra página do livro de casos
de Rod Riley estava encerrada.
A cidade dormia.
Os bares estavam fechados.
Os ratos, os gângsteres e os
assassinos estavam em seus buracos.
Eu me sentia bem,
mas faltava algo.
Ela era má, era perigosa.
Eu não podia confiar nela.
Mas era o meu tipo de mulher.
– Quem é? Alguém entrou?
– Ninguém, Sr. Hunter.
– Tem certeza? Olhou no corredor?
– Ninguém, Sr. Hunter.
Não entendo.
Tem certeza de que foi um sucesso?
– Um grande sucesso. Parabéns.
– Mas não parece.
Não esperava que me levassem
numa carruagem ou atirassem flores…
– Hal, entre. Tome um drinque.
– Não, obrigado.
alguma observação
para o elenco amanhã?
– Boa noite.
– Ouça…
ninguém mais vem
aos camarins nas estréias?
Não, isso é considerado antiquado.
Descanse, Tony.
– Gaby saiu com Paul?
– Não sei. Acho que sim. Boa noite.
Bobby, sabe o que vou fazer?
Vou à melhor casa noturna…
tomar uma taça de champanhe
e comemorar.
Ótima idéia, senhor.
Vou seguir meu caminho sozinho
Sozinho na multidão
Vou tentar me aplicar
E ensinar meu coração a cantar
Vou seguir meu caminho sozinho
Como um pássaro voando
Vou encarar o desconhecido
Vou construir um mundo meu
Ele é um bom camarada
Ele é um bom camarada
Ele é um bom camarada
E ninguém pode negar
Ninguém pode negar
Ninguém pode negar
Ele é um bom camarada
E ninguém pode negar
Tony, a companhia se reuniu.
Nós todos contribuímos
e lhe compramos… nada.
Então, não temos
nada para dar…
além da nossa gratidão,
nossa admiração…
e nosso amor.
O show é um sucesso,
mas, mesmo que não fosse…
foi maravilhoso conhecer você,
trabalhar com você.
Talvez alguns de nós não tenhamos
concordado com você no começo…
talvez achássemos que não nos
entenderíamos, mas nos entendemos.
Sim, havia obstáculos entre nós,
mas nós os superamos.
Passamos a amar você.
Somos perfeitos juntos.
O show será um sucesso
por muito tempo.
Por mim, será um sucesso
para sempre.
– Tony.
– Gaby.
Podemos dizer uma coisa?
Um show que
é um show de verdade
Manda você embora
com um brilho
E você diz
enquanto vai embora
“Isso é entretenimento!
Uma música que vai crescendo
Ou uma dança com
um toque de romance
É a arte que fala ao coração
Isso é entretenimento
Admita que você é um sucesso
e nós continuaremos daí
Resolvemos uma charada
que era mais leve que o ar
Um caso antiquado
Enquanto cantamos este final
esperamos que tenham gostado
Nenhuma morte
como em “Macbeth”
Nenhuma provação
como no fim de “Camille”

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