Thank You for Smoking 2005 Portuguese Português

Posted by on August 10, 2012

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Thank You for Smoking -- Satirical comedy follows the machinations of Big Tobacco's chief spokesman, Nick Naylor, who spins on behalf of cigarettes while trying to remain a role model for his twelve-year-old son. Thank You for Smoking -- CineMagia.ro - Trailer (Flash) Thank You for Smoking -- Virgin.net Movies - Trailer (WMP) Thank You for Smoking -- MovieMaze.de - Trailer (Quicktime) Thank You for Smoking -- Film-Trailer.info - Trailer (Quicktime) Thank You for Smoking -- ZuGuide.com - Trailer (Flash)

 

Robin Williger.
É um rapaz de 15 anos
de Racine, Wisconsin.
Gosta de História.
Está na equipa de debate.
Teria um futuro que se lhe adivinhava
bastante brilhante,
mas recentemente foi-lhe
diagnosticado um cancro,
um tipo de cancro especialmente
agressivo.
O Robin disse-me que deixou
de fumar
e que já não acha que
os cigarros são “fixes”.
O nosso último convidado de hoje
é Nick Naylor.
O Sr. Naylor é vice presidente da
Academia de Estudos do Tabaco.
Eles são o mais importante
lobby da indústria do tabaco
em Washington, DC…
e o Sr. Naylor é o seu porta-voz.
MÃES CONTRA JOVENS QUE FUMAM
ASSOCIAÇÃO DO PULMÃO
SERVIÇOS HUMANOS E DE SAÚDE
MIÚDO COM CANCRO
Poucas pessoas neste planeta sabem
o verdadeiro significado do desprezo.
Podemos censurá-los?
Eu dou a cara por uma organização
que mata 1200 seres humanos por dia.
1200 pessoas.
Estamos a falar de dois
aviões Jumbo carregados
de homens, mulheres e crianças.
Quer dizer, há o Átila,
o Gengis,
e eu,
Nick Naylor,
a cara dos cigarros…
o Coronel Sanders da nicotina.
Aqui é onde eu trabalho,
a Academia de Estudos do Tabaco.
Foi estabelecida por sete cavalheiros
que talvez conheçam do C-SPAN.
Estes senhores depressa se
aperceberam que, se iam afirmar
que os cigarros não provocavam
dependência,
era bom que o pudessem provar.
Este foi o seu homem de confiança,
Erhardt Von Grupten Mundt.
Encontraram-no na Alemanha.
Não vou entrar em pormenores.
Ele tem estudado a relação
entre nicotina e cancro de pulmão
durante 30 anos e ainda não conseguiu
resultados conclusivos.
O homem é um génio.
Poderia refutar a gravidade.
Depois temos os nossos tubarões.
Provenientes das mais prestigiadas
universidades de advocacia
são-lhes dadas time-shares
e carros desportivos.
É tal qual os enredos
do John Grisham
sabem, mas sem toda aquela espionagem.
Mais importante ainda,
a reinterpretação de dados.
Aqui é onde eu entro.
Sou pago para falar.
Não sou médico nem advogado.
Sou doutorado em lábia, parto tudo
e calo qualquer um.
Conhecem aquele tipo que consegue
seduzir qualquer uma?
Sou eu
em grande.
Obviamente que este é um
tema muito polémico
e temos muito o que falar
aqui, hoje.
Nick, tens alguma pergunta?
Joan,
como podem as tabaqueiras
beneficiar
com a perda deste jovem rapaz?
Não quero nada parecer insensível,
mas, no limite, estaríamos
a perder um cliente.
Não só o desejamos, como também
nos convém
que o Robin continue vivo e a fumar.
– Isso é absurdo.
– Deixe-me dizer-lhe algo,
Joan, e por favor, permita-me
que o partilhe
com o nosso distinto e inquieto público.
Os Ron Goodes deste mundo…
querem que os Robin Willigers morram.
– Como?
– Sabem porquê?
Para que aumentem os seus orçamentos.
Isto não é nada mais do que
negociar a miséria humana,
e você, meu caro, devia
ter vergonha na cara.
Devia ter vergonha na cara?
Por acaso, estamos a ponto
de lançar…
uma campanha de $50 milhões
com o objectivo de persuadir
os crianças a não fumar.
Porque penso que todos
concordámos,
não existe nada mais
importante
que as crianças Americanas.
Muito bem, aí está algo
que teremos todo o gosto
em ouvir
mas após um pequeno intervalo.
Não saia do seu lugar, muito
mais já a seguir.
$50 milhões? Perdeste o juízo
por completo?
Todos temos um chefe.
E o BR
é o meu.
Ele veio do mundo das
máquinas de venda automática.
Isso tornou-o duro.
O nome BR vem do seu
tempo no Vietname.
As pessoas que conheciam o
seu significado estão todas mortas.
O acordo eram cinco milhões!
$5 milhões dá para um
par de posters no metro.
Não vai causar impressão em ninguém.
É essa a ideia, Nick.
Em breve, ainda me vais agradecer.
Provavelmente, isto vai trazer
excelente publicidade.
Tenho de falar com o Capitão
e ver se ele aceita.
Vai já para Washington D.C.
Muito obrigado por ter vindo.
Sr. Naylor?
É a sua vez.
O Joey é um rapaz brilhante.
Estamos ansiosos
que saia da casca.
É um bocado tímido.
Sim, sai à mãe.
Ei, Joey.
Por favor, não estragues
a minha infância.
Vá lá, Joey. Confia em mim.
Quantos de vocês querem ser
advogados quando forem grandes?
Certo.
E que tal…
estrelas de cinema?
E que tal Relações Públicas?
O que é isso?
É do tipo estrela de cinema.
É o que eu faço.
Ganho a vida a falar.
Falas sobre o quê?
Falo em nome dos cigarros.
A minha mãe fumava.
Ela diz que os cigarros matam.
A sério?
A tua mãe é médica?
Uma investigadora cientifica
ou algo do género?
Bem, então não me parece que seja
uma versada no tema, pois não?
Não te sintas mal.
Deves ouvir a tua mãe.
Quero dizer, devem ouvir
os vossos pais… Joey.
O que quero dizer
é que haverá sempre pessoas
a tentar dizer-vos
o que fazer e o que pensar.
Provavelmente, já existem pessoas
a fazer isso.
Estou certo?
Só quero dizer
que quando alguém se faz
passar por perito,
vocês podem dizer, “Quem disse?”
Então, os cigarros fazem bem?
– Não!
– Não, isso não…
Não era aí que eu queria chegar.
Vocês têm de pensar
por vocês próprios.
Têm de desafiar a autoridade.
Se os vossos pais vos dissessem
que o chocolate era perigoso,
acreditavam neles?
Exactamente.
Portanto, em vez de se comportarem
como ovelhas
no que respeita aos cigarros,
deveriam descobrir por vocês próprios.
Muito bem, então.
Obrigado, Sr. Naylor, pela
sua presença.
Todas as semanas encontramo-nos
aqui no Bert’s.
Juntos, representamos
o rosto
da indústria do tabaco, álcool e armas.
Somos chamados o Esquadrão MDM.
M-D-M, Mercadores Da Morte.
Tenho o dia arruinado.
Porquê?
Vão fazer um programa
sobre o síndroma de álcool fetal.
Obrigado.
A Polly trabalha para
o Conselho de Moderação.
Começou a beber aos 14 anos,
mas cedo desenvolveu
uma tolerância normalmente apenas
reservada aos estivadores Irlandeses.
No nosso mundo, ela é a mulher
que conseguiu com que o Papa
aprovasse o vinho tinto.
Vamos ser arrasados.
Alguma ideia?
Não sei.
Miúdos deformados, é lixado.
A minha sorte é que o meu produto
só os põe carecas antes de os matar.
Podias abraçar os putos.
Eles não me vão deixar
abraçar os miúdos.
Quem vai fazer o programa,
o Donaldson ou o Sawyer?
O Sawyer, provavelmente.
Estás fodida.
Porquê?
Porque ela vai abraçá-los.
Ouve, se vires que ela
os vai abraçar,
trava-a e fá-lo antes que
ela o faça.
O Bobby Jay trabalha para a SAFETY,
A Sociedade Para Progresso das Armas
e Efectivo Treino dos Jovens.
Querem que sorria?
Depois de ver cenas do tiroteio
em Kent,
o Bobby, na altura com 17 anos,
alistou-se na Guarda Nacional
para que ele, também, pudesse
matar estudantes.
Mas o recruta da Guarda Nacional
estava na pausa do almoço,
então o Bobby Jay acabou
por atirar contra uns Panamenhos,
o que era quase tão bom
como atirar contra estudantes.
Só que estes ripostavam.
Sabes, podes enganar o balão
– se chupares um bocado de carvão?
– A sério?
Talvez devêssemos mudar a nossa
campanha para:
“Se For Conduzir e Tiver Bebido,
Chupe Carvão.”
Pois, mas será que a policia
não se interrogará
porque é que estás a chupar carvão?
Não existe nenhuma lei contra o carvão.
– Ainda.
– Ainda.
Papá, porque é que o governo
Americano é o melhor?
Porque graças ao nosso sistema
podes recorrer indefinidamente.
Joe, não estás a apontar o
que te estou a dizer, pois não?
Joey, espera um segundo.
Qual é o tema da tua dissertação?
Porque é o governo Americano
o melhor governo do mundo.
Foi a tua professora que
elaborou esse tema?
Sim. Porquê?
Bem…vamos ignorar os óbvios
problemas de
de sintaxe gramatical,
e vamo-nos concentrar
no cerne da questão.
Assim, “A”
terá a América o melhor governo
do mundo?
E “B”, o que faz dele
o “melhor governo”?
Será o crime, a pobreza, a literacia?
E a América, definitivamente não
é a melhor.
Talvez nem seja dos melhores.
Temos um governo
bastante divertido…
Papá.
Desculpa.
Conheces o termo “B.S.”?
Tretas. (bullshit)
Pois, exactamente.
B.S., se me é permitido, é o que
perguntas como as da
tua professora merecem.
Porque mesmo que a América
tivesse o melhor governo,
não haveria maneira de o provar.
Quantas páginas são?
Duas páginas.
Duas páginas…
Muito menos em duas páginas.
Então o que devo eu escrever?
Escreve o que te apetecer.
Está bem.
Escreve sobre…
escreve sobre a sua admirável
capacidade
de fazer lucro, através da quebra
dos impostos comerciais
e levando os trabalhos daqui
para o Terceiro Mundo.
Ou o quão bons somos a
executar criminosos.
São todas respostas válidas.
Posso escrever isso?
Vês, Joey, essa é a beleza
da argumentação.
Se argumentas correctamente,
nunca estás enganado.
Papá, se terminar a dissertação
dentro de uma hora,
podemos ficar acordados
toda a noite?
Isso é negociar, não argumentar.
Sobreviveste, Conway.
Sim, aquela vozinha estava enganada.
Já me sinto melhor.
Eu também.
Por acaso, nunca me senti tão
bem em toda a minha vida.
E que tal um cigarro?
Ele está…?
Nick, ainda tens relógio, não?
Jill, não consigo evitar de pensar
que o Joey tem uma impressão
errónea do seu pai.
Seria óptimo se eu pudesse passar
mais tempo com ele, sabes?
Para que tenha uma perspectiva
equilibrada e justa.
Nick, tiveste tempo de sobra
para estar com ele.
Agora tomas conta dele
aos fins de semana.
Para além disso, ele tem o Brad.
Mesmo assim precisa do pai.
Nick.
Tens um segundo?
Claro, Brad.
Nick, deixando o teu trabalho
de parte,
espero que percebas que
o fumo em segunda mão
é um assassino nato.
Que queres dizer?
Só espero que lhe
estejas a proporcionar
um ambiente livre de fumo.
É isto que quero dizer.
Brad, eu sou o pai dele.
Tu és o gajo que lhe fode a mãe.
Isso era desnecessário.
Obrigado a todos.
Obrigado a todos por terem vindo.
O Tabaco está a ganhar a guerra.
A guerra contra os nossos filhos.
Eles usam bonecos e símbolos
para enganar as crianças.
Bom, agora temos o nosso
próprio símbolo.
Doutor.
Tenho esperança que
dentro de um ano
todo e qualquer maço de tabaco
vendido na América
acarretará este símbolo.
Quem sabe então, os cigarros
serão finalmente rotulados
apropriadamente como veneno.
Vou realizar um congresso
para discutir a inclusão
da caveira e os ossos cruzados
nas próximas duas semanas.
Como sempre, alargo o
meu convite
às tabaqueiras.
Talvez, desta feita nos agraciem
com a sua presença.
E com as suas respostas.
Muito obrigado.
Pessoal, o que se passa lá fora?
Olho para esta mesa e tudo o
que vejo são bandeiras brancas.
As vendas baixaram todas.
O número de jovens fumadores
a nossa mina de ouro,
está a cair como a merda cai do céu.
Nós não vendemos pastilhas,
por amor de Deus.
Vendemos cigarros.
E eles são fixes, estão disponíveis
e são viciantes.
É trigo limpo farinha amparo.
Este ambientalista está
a desafiar-nos.
Temos de lhe dar resposta.
Eu pergunto-vos,
quando este chupista puser
o Capitão Gancho nos nossos produtos,
que raio vamos nós fazer?
– BR.
– Sim, Nick.
Se me é permitido.
Em 1910,
os E.U.A produziam dez biliões
de cigarros por ano.
Em 1930,
estávamos nos 123 biliões.
O que aconteceu entretanto?
Três coisas.
Uma guerra mundial,
as dietas…e os filmes.
Filmes?
1927- aparecem os primeiros
filmes falados.
De repente, os actores
necessitavam
de algo para fazer enquanto falavam.
Cary Grant, Carole Lombard
começam a fumar.
Bette Davis – uma chaminé.
E o Bogart,
lembra-se do primeiro filme
com ele e a Lauren Bacall?
Bem, sim… não especificamente.
Bem, ela como que
desliza pela porta dançando,
19 anos.
Sexo puro.
Diz ela,
“Alguém tem um fósforo?”
E o Bogie atira-lhe
os fósforos…
e ela apanha-os.
O maior romance do século.
Como é que tudo começou?
Com o acender de um cigarro.
Hoje em dia, quando alguém
fuma nos filmes,
ou são psicopatas ou Europeus.
A mensagem que Hollywood
precisa de transmitir
é que fumar é fixe.
Precisamos de ver o elenco
do Will and Grace
a fumar na sua sala de estar.
O Forrest Gump a dar umas
passas por entre as caixas de chocolates.
O Hugh Grant a recuperar
o amor da Julia Roberts
comprando-lhe a sua marca
preferida – Virginia Slims.
A maioria dos actores fuma.
Se o começarem a fazer no
grande ecrã,
podemos devolver a sexualidade
aos cigarros.
Bom, é uma ideia.
Estava á espera de algo um
pouco mais inspirador,
mas pelo menos, já é um começo.
Quanto ao resto,
batam esses miolos
contra as secretárias
até que algo de útil saia cá para fora.
Foste incrível.
Obrigado.
Nick, foste chamado.
O Capitão quer ver-te.
Ele viu o programa.
O que lhe pareceu?
Apanha já o próximo voo
para Winston-Salem.
Muitas pessoas têm esta
imagem nas suas cabeças
a de profissionais do tabaco
a viajar por todo o mundo
em aviões privados,
a comer foie gras
enquanto contam o seu dinheiro.
Eu não.
Eu gosto de viajar com o povo.
Conhecer os meus clientes.
A minha gente encolhe-se
num assento minúsculo,
afogam-se em Xanax e sonham
com o momento
em que conseguirão dar
a próxima passa.
Se consigo convencer um destes miúdos a
começar a fumar,
tenho o meu voo pago.
O Capitão é o último grande
homem do tabaco.
Ele introduziu os filtros
depois do grande ataque da
Reader’s Digest.
Mais tarde, fundou a Academia
de Estudos do Tabaco.
O clube foi fundado pelos
barões do tabaco em 1890
para que tivessem onde ir
quando fugiam das suas mulheres.
Aqui, o Capitão é uma lenda,
um homem que começou do nada,
e acabou com tudo…
exceptuando, evidentemente, um filho.
Nick, meu rapaz.
Chegas mesmo a tempo de
uma copada.
Obrigado.
Senta-te aqui.
Sabes qual é o segredo
de um bom “julep”?
Bom, esmagas a menta
contra o gelo com o polegar
e esfregas bem, vês?
Assim solta o mentol.
Sabes quem me ensinou isto?
Não. Quem?
O Fidel Castro.
Lembras-te de 1952?
Bem, Sr., não era vivo em 1952.
Valha-me Deus, eu estava na Coreia
a matar Chineses em 1952.
A sério?
Hoje, são o nosso melhor cliente.
Para a próxima já não haverá
tantos para matar, não é verdade?
Não, Sr.
1952 foi o ano em que
o Reader’s Digest
nos lixou com aquela questão
da saúde.
Como o Churchill disse:
“Foi o principio do fim”.
Diz-me,
gostas do que fazes actualmente, Nick?
Sim, Sr.
É um desafio…
Se podes representar o tabaco
podes fazer tudo.
Sim, soa-me bem.
Sabes, Nick, fazes-me lembrar
a mim quando tinha a tua idade.
Obrigado, Sr.
Como naquele programa do Joan Lunden.
Podias ter desistido, chorado,
desculpar-te,
mas não o fizeste.
Mantiveste a lealdade.
E disseste-lhe das boas
àquele filho da puta.
Foi um prazer.
Agora, o BR veio com uma ideia
os realizadores de Hollywood
para fazer com que os actores
fumem no ecrã.
Tu sabes, como nos velhos tempos.
Pois, isso…
isso é uma grande ideia.
Inteligente, aquele BR.
Pois, pois.
E leal.
Sim, Sr.?
Senta-te Ron.
Ron, eu não posso estar em todos
os lugares onde sou preciso.
Por isso mando pessoas
como tu
para falar em meu nome.
Quando lá estás,
não és o Ron Goode,
o tipo que agrada os seus amigos,
és representante do Senador Finisterre,
e o teu nome, na verdade, não interessa.
Portanto, quando
o Ron Goode se comporta
como um completo idiota
no programa da Joan Lunden,
eu estou a ser um idiota
no programa da Joan Lunden.
Senador, Sr., ele atirou-se
a mim como…
Onde raio foste desencantar
o puto canceroso?
Era suposto ser de confiança.
Tinha referências do
Conselho Pulmonar.
Merda de Organização!
Quando quiseres um
miúdo canceroso,
ele deve parecer sem remédio.
Deve andar de cadeira de rodas.
Deve ter problemas de fala.
Deve ter um peixinho dourado
como animal de estimação
que carrega num saquinho,
sem remédio.
Peço desculpa, mas se não
fosse
– o Nick Naylor…
– O Nick Naylor?
Nem penses em usá-lo
como desculpa.
O homem vende lábia.
Tu trabalhas para um
raio de um Senador.
Um Senador que é suposto
atacar o tabaco.
Tem um pouco de… orgulho,
por amor de Deus.
Não volta a acontecer,
prometo.
Muito bem, estás dispensado.
Às vezes sinto-me como
um traficante de droga Colombiano.
No outro dia, a minha própria neta,
carne da minha carne,
perguntou-me, “Avozinho, é verdade
que os cigarros te fazem mal?”
Temos de fazer algo, Nick.
Acho que tu és o nosso homem.
Obrigado, Sr.
Quero que trabalhes neste
projecto de Hollywood.
Vais lá, durante umas semanas,
agitas um pouco as coisas
e comunicas directamente comigo.
Sr., acerca de,
dos $50 milhões.
A publicidade anti tabágica
para os adolescentes?
Bem, merda, é bom
que não seja demasiado persuasiva.
Assim espero.
Nick,
agora és da família.
Os tabaqueiros cuidam dos seus.
Obrigado, Sr.
Sr. Naylor?
Olá. Bem vindo ao Tabaco 1.
Obrigado.
O Capitão disse-me para lhe
dedicar especial atenção.
Portanto, se puder fazer algo
para que o seu voo seja
mais agradável…
não hesite.
Tiveste um voo agradável?
Pode-se dizer que sim.
Regressei no avião do Capitão.
Que bela forma de viajar.
Não saberia.
Não? Nunca andaste no Tabaco 1,
com aqueles assentos, a cozinha,
a hospedeira, Tiffany?
Ainda não tive oportunidade.
Bem, aconselho vivamente.
É a única maneira de voar.
Que disse ele da campanha
de $50 milhões?
A campanha anti tabágica?
Ele deu-lhe carta branca.
Ah, e ele adorou a tua ideia
de voltar a pôr os cigarros
no cinema.
– Isso foi ideia tua.
– A sério?
Ele deve ter-se confundido.
Bom. De qualquer forma, ele
parecia bastante entusiasmado.
Pois. Arranja um voo para L.A.
Vou-te arranjar uma reunião
com o Jeff Megall.
Quem?
Um super agente de Hollywood.
Gere a agência EGO:
Escritórios Globais de Entretenimento.
Este tipo é a própria indústria.
E tu és os cigarros, BR.
Como queiras.
Não são férias, é uma viagem
de aprendizagem.
A Califórnia é um dos estados
que mais
se tem desenvolvido, conta com
o maior número de votos
de todo o país.
Quero dizer, esta poderia ser
uma boa viagem para o Joey.
Sabes que mais? Não
me venhas com falinhas mansas.
Não o vais levar a ver
as vistas.
Muito provavelmente, vais
levá-lo a algum simpósio
sobre cancro do pulmão
onde um tipo com uma
caixa vocal electrónica lhe vai dizer
que o pai dele é o diabo.
Isso é injusto.
Injusto? E na Virginia?
O que é que tem a Virginia?
Levaste-o a uma fábrica de cigarros.
Não, levei-o a uma plantação
de tabaco.
Não é a mesma coisa.
Esta conversa está acabada.
Foda-se.
A semana passada tivemos
outro carteiro enojado.
E claro,
uma hora mais tarde, o Washington Post
pede-me uma apreciação.
Cambada de inúteis!
Eu disse-lhes:
“Se um avião se despenha
por culpa do piloto,
deita a culpa à Boenig?”
– Essa é boa.
– Obrigado.
Se um bêbado atropela alguém,
vais bater à porta da General Motors?
Diz-me que não disseste isso.
Já ouviram falar de uma jornalista
chamada Heather Holloway?
Sim. Sim. Do tipo Irlandesa.
Cabelo castanho, olhos grandes, azuis.
Bela pele.
Mamas incríveis.
Mamas? Que têm as mamas
de relevante?
Deixa-me ver.
Mamas ao mais alto nível numa
jornalista a entrevistar um homem
com informação confidencial,
são relevantes.
O que achas, Nick?
És um homem de mamas?
Não respondas. É uma ratoeira
Depende a quem pertençam.
Ouve, não te deixes levar,
está bem?
Bobby, acho que consigo lidar
uma jornalista atraente.
Obrigado.
Heather Holloway.
Nick Naylor, Tabaqueira.
Posso?
Só se a puder chamar de Heather.
Por favor.
Bem, Sr. Naylor…
– Nick.
– Nick.
Vamos começar com…
Um Margaux de ’82.
Está bem. É bom?
Fá-la-á acreditar em Deus.
Qual é o enfoque do seu artigo?
– Você.
– A sério?
Quer saber como vivo com
a minha consciência.
Não. Não creio que isso
seja grande problema.
Quero saber como se vê
a si próprio.
Eu sou…
um mediador entre dois
sectores da sociedade
que tentam alcançar um consenso.
Interessante.
Outros entrevistados consideram-no
um assassino múltiplo
um sanguessuga, chulo, interesseiro,
assassino de crianças,
e o meu preferido,
Mefistófeles acomodado.
Bom, parece que vai ser
um artigo equilibrado.
Com quem mais devo falar?
55 milhões de Americanos fumadores,
para começar.
ou talvez com os agricultores
produtores de tabaco
que são constantemente tratados
como narcotraficantes.
Por acaso tenho intenção de falar
com um agricultor.
Muito bem.
São gente boa.
Muito terra à terra.
Nick, porque faz isto?
O que o motiva?
Quer mesmo saber?
A sério?
Controlo da população.
É mau.
Todos temos uma hipoteca
para pagar.
A defesa “yuppie Nuremberg”.
Então a hipoteca é a meta de
uma vida?
Bem, 99% de tudo o que é
feito no mundo, bom ou mau,
é feito para pagar a hipoteca,
se calhar o mundo
seria um lugar melhor
se todos alugássemos.
Então porque não aluga?
Bem, eu também alugo.
– A sério?
– Sim.
O meu filho e a mãe dele
e o namorado dela
vivem na minha casa.
Eu vivo no meu apartamento.
Qual é o aspecto do apartamento
do Nick Naylor?
Não sei.
Não é nada demais.
Não faria página de jornal.
Posso vê-lo?
Quer ver o meu apartamento?
Gostaria de ver onde dorme o diabo.
Sei o que devem estar a pensar.
Isto é uma má ideia, certo?
Por favor.
Não é assim tão má ideia.
Mamã, porque não posso
ir à Califórnia?
Porque a Califórnia não é
um… lugar seguro.
Além disso, não sei até que ponto
será apropriado
que o teu pai te leve numa
viagem de negócios.
Apropriado para quem?
Como?
Mamã, será que estás a descarregar
a frustração
do teu casamento falhado na
minha pessoa?
Desculpa?
Esta viagem à Califórnia parece-me
uma grande oportunidade de aprendizagem
e uma hipótese de conhecer melhor
o meu pai.
Mas se achas que é mais importante
usar-me para canalizar a tua frustração
contra o homem que já não amas,
eu percebo.
Como é que a convenceste?
Foi uma argumentação,
não uma negociação.
É assim mesmo.
Nick?
Nick, Jack, o assistente do Jeff.
Como correu a viagem?
Sentes o jet-lag?
São, tipo, 2 da manhã em Washington.
Sabes que mais?
Toma umas vitaminas B.
O Jeff usa e abusa,
eu arranjo-te uma injecção.
Quem está contigo?
Como estás, meu? Tudo numa boa?
Vocês já estiveram em L.A?
Querem ir ao escritório do Jeff?
Já lá deveríamos estar.
Ele é muito pontual.
Tivemos alguns problemas com
a camada exterior de espelhos.
O reflexo do sol estava a causar
choques frontais em Wilshire.
E essas pessoas estão bem?
Sim, meteram-nos a fazer
figuração nos filmes. Eles sobrevivem.
– É bonito o edifício.
– Achas?
Diz isso ao Jeff, está bem?
Ele pôs muito dele neste edifício.
E sabes uma coisa?
Nota-se.
Como é, Hiroshi?
Continua, a areia não se
perfila sozinha.
Muito bem, venham cá, esta
é a minha parte preferida.
Aquele ali?
Vale $7000 dólares.
– $7000 por um peixe?
– Sim.
Tira-te a vontade de comer sushi,
mas é quase uma obrigação.
Vês aquele branco grande, ali?
Juro – $12000,
presente da Oprah.
É um Chamberlain, presente
do Matthew McConaughey.
Que generoso.
Sim. Pois!
Não me leves a mal, o Mathew é
incrivelmente talentoso
e um ser humano extremamente decente,
no entanto, antes de o Jeff o acolher,
ele era apenas uma cara.
Agora é um nome.
Ouvem isto?
Exactamente.
Ei, Neal.
Neal, vou empalar a tua mãe
num espeto,
e vou dar o seu cadáver de comer
ao meu cão com sífilis.
Jack, apanhaste-me!
Este gajo!
É uma piada privada.
Portanto, como podem ver,
o Jeff gosta mesmo destas
merdas Asiáticas.
Candance, ele está pronto?
Fantástico.
Joey, vou levar o teu papá.
Há algo que queiras enquanto esperas,
um sumo de laranja, um café,
um Red Bull?
– Não, obrigado.
– Certo.
Bem, grande escritório.
Sim. Basicamente, isto é tudo
conceito do Jeff.
O arquitecto só fez os desenhos.
Jack, pára com isso.
Ainda lhe vais dizer
em que posição jogava nos Bruins.
Avançado.
Jeff Megall.
Nick Naylor.
O Sr. Naylor quer ver se conseguimos
pôr os cigarros
– nas mãos de alguém que não seja RAV.
– Claro.
– RAV?
– Russos, Árabes e Vilões.
Bem, então sim, é mesmo por
isso que aqui estou.
Ainda bem. Acho que podemos ajudar.
O Jeff inventou o posicionamento
dos produtos.
Sinto que devo perguntar,…
Preocupa-se de todo com…
com a saúde?
Não sou um doutor, sou um facilitador.
Eu aproximo as pessoas criativas.
Independentemente da informação,
ela existe, está disponível.
As pessoas que decidam por si próprias.
Não é o meu papel decidir por elas.
Seria presunção moral.
Podia aprender muito com este homem.
O que nós precisamos é de
um fumador modelo,
um verdadeiro vencedor.
Uma mistura de Indiana Jones
com o Jerry Maguire.
Certo, que fume dois maços por dia.
Mas não pode viver na
sociedade contemporânea.
Porque não?
Temos o problema da saúde.
Todos perguntariam ao personagem
porque fuma ele, e isso deveria
O que acha do futuro?
O futuro?
Sim, quando a saúde deixa
de ser problema.
Um mundo onde fumadores
e não fumadores
vivem juntos em perfeita harmonia.
A Sony tem um filme de
ficção cientifica.
Mensagem do Sector Seis.
Tudo se passa numa estação espacial.
Estão à procura de co-financiadores.
Cigarros no espaço?
É a derradeira fronteira, Nick.
Não rebentaria tudo numa
nave cheia de oxigénio?
Provavelmente.
Mas isso arranja-se numa
linha de diálogo:
“Graças a Deus que inventamos o…”
tu sabes,
um aparelho qualquer.
Brad Pitt.
Catherine Zeta-Jones.
Acabam de esfregar
os seus corpos pela primeira vez.
Estão nus, suspensos no ar
contemplando os céus.
O Pitt acende um cigarro.
Começa a mandar anéis de fumo
por tudo quanto é sitio
A Catherine está nua, corpo
irrepreensível,
enquanto as galáxias vão passando
sobre um tecto de vidro.
Agora, diga-me que não gosta.
Eu veria esse filme.
Eu compraria o raio do DVD.
Se a academia não mos
arranja-se de graça.
Sabe,
vocês podiam desenhar um cigarro
que fosse lançado ao mesmo tempo
que o filme.
Sector Sixes.
Nunca ninguém o fez com
um cigarro.
O que se segue?
Aproveite o resto do dia
com o seu filho.
enquanto eu exploro estas ideias.
Onde posso comer com o meu filho?
Devia experimentar o Nobu.
– Só servem comida branca.
– Óptimo.
Então, vais a um escritório,
depois vais à televisão
e falas sobre cigarros.
Depois voas para Los Angeles
para falar com um tipo que trabalha
com estrelas de cinema.
– O que é isso?
– É o meu trabalho; Sou Relações Públicas.
Eu sei, mas estudaste para fazeres isso?
Não. Não, fui andando e aprendendo.
Então e qualquer um pode fazer isso?
Não, isto requer…
uma flexibilidade moral que vai
para além da maior parte das pessoas.
Eu tenho flexibilidade moral?
Bem, digamos que te tornas
um advogado, certo?
E és chamado a defender um assassino.
Um assassino de crianças.
Agora,
a lei afirma que todos têm direito
a um julgamento justo.
Defendê-lo-ias?
Não sei bem.
Acho que todos
– merecem uma defesa justa.
– Pois bem,
também as grandes multinacionais.
E o que acontece quando estás errado?
Bem, Joey, eu nunca erro.
Mas não podes ter sempre razão.
Se o teu trabalho é estar certo,
nunca estás errado.
Mas e se estás mesmo errado?
Certo, digamos que estás a defender
o chocolate
e eu a baunilha.
E agora se eu te dissesse,
“a baunilha é o melhor sabor
de gelado,” o que dirias tu…?
– “Não, o chocolate é que é.”
– Exactamente.
Mas não ganhas com esse argumento.
Portanto, eu pergunto-te:
Achas que o chocolate
tem um sabor insuperável, não é?
É o melhor gelado.
Eu não pediria outro.
Então contigo é só chocolate, certo?
Sim, chocolate é tudo o que preciso.
Pois, eu preciso de mais do que
apenas chocolate.
E mais do que apenas baunilha.
Eu acredito que precisamos
de liberdade de escolha
no que respeita aos gelados,
e isso, Joey Naylor,
isso é o significado da liberdade.
Mas não estávamos a falar
sobre isso.
Mas eu sim, estava a falar
sobre isso.
– Mas, não provaste que era a melhor.
– Não precisei.
Provei que estavas enganado, e se
estás enganado, eu estou certo.
Mesmo assim
não me convenceste.
Porque tu não me interessas.
Eles é que me interessam.
Estou?
Pensei em te pôr ao corrente.
Jeff. Ainda estás no escritório?
Sabes que horas são em Tóquio?
– Não.
– 4 da tarde de amanhã.
É o futuro, Nick.
Enfim, para o Pitt fumar,
são $10 milhões;
o par, são 25.
25?! Normalmente quando se compra
ao par, tem-se um desconto.
Para que são os 5 extra?
Sinergia.
Eles não são estúpidos. Perceberam
logo tudo.
O Pitt e a Zeta-Jones a fumar
depois de uma foda cósmica
vai vender uma data de cigarros.
Por essa quantia,
esperamos que haja
fumadores à grande.
O Brad sabe fazer anéis de fumo?
Não tenho essa informação.
Bem, por $25 milhões, era bom
haver anéis de fumo.
Mais uma coisa, vai co-financiar
o filme juntamente com
o Sultão de Glutan.
O Sultão de Glutan?
Aquele que massacrou e
escravizou o seu povo?
Não lhe chamam o Hitler do
Pacifico Sul?
Isso não sei. Em todos os meus
negócios,
ele tem sido bastante compreensivo
e sensato.
Ele é divertido. Vai gostar dele.
É melhor falar com os meus.
Não há problema.
Chamam-me de Londres.
São 7 da manhã no Velho Império.
Jeff, quando é que dorme?
No Domingo.
– Operadora.
– Tenho a luz a piscar.
– Está uma encomenda aqui para si.
– Certo, traga-a.
Capitão, estou sentado em frente
a uma mala aberta.
Suponho que não seja um aumento.
Nick, sabes quem é Lorne Lutch?
Sim, claro.
É o homem Marlboro original.
Está a morrer.
Esteve na televisão a semana passada.
Não é propriamente um fã nosso.
O dinheiro é para ele.
Ele tem um rancho aí na
Califórnia.
Quero que lhe leves o dinheiro.
Ele é um cowboy, e os cowboys
Vais até lá sob as asas
dos anjos, filho.
Vamos dar-lhe o dinheiro sem mais?
Creio que Cristo diria,
“É muito decente da sua parte.”
Sem acordo de silêncio?
Com alguma sorte, ficará tão
agradecido
que será obrigado a calar-se.
Miúdo, tenho de trabalhar mais
um pouco
esta tarde, está bem?
Posso ir?
Não. Desta vez não.
Mas eu quero ver o que fazes.
Ficas aqui, está bem?
Que raio estás aqui a fazer?
Tem um minuto?
O que queres?
Papá!
Joey, volta para o carro.
Só quero falar.
Muito bem.
Vamos falar.
Pearl, temos companhia.
Senhor, é preciso ter muita lata
para entrar aqui depois de…
Querida, porque não dás um chá gelado
a este jovem?
Já volto, valente.
Vi-te em qualquer lado…
Não estiveste naquele programa
de televisão?
Sim. Sim, era eu.
Tens sorte de lá teres saído
com vida.
Sim. O tabaco estava sempre presente
na televisão.
Agora a televisão condena-o.
É um negócio estranho.
O ano passado, depois do diagnóstico,
voei para Este para participar na
convenção anual de accionistas.
Disse-lhes que achava
que eles deviam reduzir a publicidade.
Sabes o que o teu patrão me disse?
Ele disse, “Temos pena
do seu problema de saúde.
No entanto, sem mais informação
sobre o historial médico,
não me posso pronunciar.”
Mas depois tentaram fingir
que eu nunca trabalhei para eles.
Tenho os recibos.
Mas, raios, eu estava nos
cartazes.
Nem sequer fumava
Marlboro.
Fumava Kools.
Tu pareces um tipo de bem.
Porque trabalhas para estes imbecis?
Sou bom nisto.
Sou melhor a fazer isto
do que alguma vez fui a fazer
qualquer outra coisa.
Raios, filho.
Eu era bom era a matar chinos.
Não fiz disso a minha carreira.
Suponho que todos temos
que pagar a hipoteca.
O teu pai traz-te sempre com ele?
Não. Eu vivo com a minha mãe.
Ele disse-te porque veio aqui?
Ele disse que o seu marido era
o homem da Marlboro.
Pois, bem, já não.
Estou.
Sim. Pode aguardar um segundo?
Se precisares de mais alguma coisa,
procura no frigorifico.
Estava eu para aqui na minha vida,
a encher frascos de medicamentos…
Queres-me convencer a calar?
É isso que trazes nessa mala?
Sim, basicamente.
Não, não basicamente.
É exactamente isso.
A minha dignidade não está
à venda.
Não é uma oferta.
É um presente.
Livre de impostos.
Fica com ele independentemente
do que faça.
A ideia é que, de alguma forma,
a sua culpa nos garanta que
não nos critique.
Era suposto estares
a contar-me isso tudo?
Não. Só pedir desculpas,
dar-lhe o dinheiro, e sair.
Então porque me dizes isto?
Porque, desta forma, aceitará
o dinheiro.
Porque faria eu isso?
Porque está zangado.
Podes crer que estou.
A primeira coisa que vai fazer,
é chamar o L.A. Times e a CNN…
e insista na Bonnie Carlton.
Ela faz muito bem
a indignação controlada.
Diga-lhes, “Sem a Bonnie,
não há história.”
Veja-a na MSNBC.
Quando eles aqui chegarem,
abre a mala…
e despeja todo o dinheiro pelo chão.
– Porquê?
– Confie em mim.
Assim vai parecer mais real.
Não se esqueça de deitar
tudo cá para fora.
Se conseguir, já sabe, dê uma
ou duas tossidelas.
Uma vez todo no chão,
diz-lhes o que vai fazer com ele.
O que vou eu fazer com ele?
Vai doá-lo.
Sim. Comece com a Fundação
Lorne Lutch para o Cancro.
Vai ter um rancho e uma exposição…
e um circuito de 5 km. A televisão…
Espera um minuto.
E a minha família?
Mas, Lorne, não pode ficar
com o dinheiro.
Porque não?
Como assim?
Denunciar-nos, e ficar com o
dinheiro sujo?
Quer dizer, olhe para ele.
Tenho de pensar sobre isto.
Lorne, calma.
As noticias não funcionam assim.
Não nos pode denunciar para a semana.
Suponho que também não os
posso denunciar pela metade.
Não, Lorne. Ou fica com todo
o dinheiro,
ou…dá-o todo.
Pai, como sabias
que ele aceitaria o dinheiro?
É preciso ser louco para renunciar
tanto dinheiro.
Quando vi que ele não era louco,
soube que o aceitaria.
Tu aceitá-lo-ias?
Se eu fosse a ele?
Claro.
Eu também.
Acho que não percebe, Sr.
Ele é como um animal selvagem.
Temos de estar de guarda a
tempo inteiro.
Ele tem um truque.
Ron, cala-te.
Já me embrulhei com presidentes,
advogados e Chefes Índios.
Acho que consigo lidar com
o Sr. Nick Naylor.
Muito bem, olá outra vez, criançada.
Hoje temos dois convidados.
Primeiro, do nosso estúdio
em Washington…
Tenho de ter esse alfinete de gravata!
…é o senador do grande
Estado de Vermont.
Por favor, recebam Ortolan Finisterre.
Bem vindo, Senador.
É bom estar aqui, Dennis.
A acompanhando-nos aqui no estúdio em
Los Angeles,
ele é o porta-voz
da Academia de Estudos do Tabaco.
Uma espécie de câmara augusta,
permitam-me acrescentar.
– Nick Naylor. Nick, bem vindo.
– É um prazer.
Vimos-te no programa da Joan Lunden
recentemente.
Não fizeste muitos amigos por lá,
pois não?
Digamos que acho
que não vou receber o convite anual
para o churrasco do Dia do Trabalhador
do Sr. Finisterre.
Bem, o Sr. Naylor está sempre
convidado
a juntar-se a nós no Congresso
para discutir a inclusão
do nosso novo símbolo que,
se me é permitido…
Nick, preparado para testemunhar
frente ao Congresso?
Eu adoraria, Dennis, mas o Senador
pede incessantemente a minha
demissão.
Não é propriamente um
convite de boas vindas.
Pois. É uma mensagem ambígua, Senador.
Não tão ambígua quanto a posição
das Tabaqueiras
sobre os perigos de fumar.
– Não…
– Porque te estás a rir…?
És um artista provocador.
Dá uma hipótese a este homem.
Ele tem alguma razão, não tem?
Desculpa. Não o consigo evitar, Dennis.
Diverte-me a ideia
de que este cavalheiro de Vermont
me chame hipócrita quando,
este mesmo homem,
numa conferencia de imprensa,
defendeu
que as plantações de tabaco deveriam
ser cortadas e queimadas,
depois meteu-se no seu jacto privado
e voou até à Feira de Agricultura
onde montou um tractor em palco
– Por favor…
– e lamentou a situação dos agricultores.
Algum comentário, Senador?
Ele… eu… Não.
Eloquência em pessoa.
Questão sensível.
Vamos atender umas chamadas.
Herndon, Virginia.
Força. Está no ar.
Dennis, alguém, alguma vez ameaçou
matar alguém em directo no
seu programa?
Temos um público bastante
peculiar, mas, não…
nós não olhamos de soslaio
os emocionalmente instáveis.
Então é o seu dia de sorte.
Porque quero-lhe dizer que,
dentro de uma semana,
Vamos apagar o Sr. Naylor deste planeta
por toda a dor e sofrimento que
vem causando neste mundo.
Eu disse, questão sensível.
Faremos uma pausa por agora.
Tenho de despedir o filtrador
de chamadas.
Vamos.
Este é o Nick Naylor, para todos
vocês miúdos:
“Não se droguem, fumem cigarros.”
Excelente.
Parece que me estou a ver ao espelho.
Nova ideia:
cigarros para os sem abrigo.
Podia-mos chamar-lhes “Vadios.”
Isso é do pior.
Qualquer coisa é melhor que
“Sector Sixes.”
Pois.
Meu Deus, Nick, estás a dar na
televisão.
“Relações Públicas em vigília.”
Deves estar a brincar comigo.
Quero foder contigo enquanto
te vejo na televisão.
E chamam-me doentio a mim.
Despacha-te.
Antes que acabe a peça.
Está bem.
Fala-me sobre Los Angeles, querido.
Como?
Ele disse que me ia seguir
para todo o lado,
e eu disse, “quem paga?”
Ele disse que a Tabaqueira é
que pagava.
Eu disse, “não preciso de um
guarda costas.”
Sou um homem do povo.
És grande, Kennedy.
Ouçam, todos nós vamos precisar de
guarda costas mais tarde ou mais cedo.
Viram o programa do álcool fetal
que deu este fim de semana?
Eles fizeram parecer que nós
estávamos a encorajar
as grávidas a beber.
Estou surpresa por não ter
sido raptada
a caminho do emprego, esta manhã.
Não me parece que o pessoal
da industria do álcool
necessite de se preocupar
com sequestros.
Perdão?
Quero dizer,
não é nada de pessoal, mas o
tabaco gera
um pouco mais de polémica que o álcool.
Essa é nova.
O meu produto abafa 475 mil pessoas
por ano.
Certo, agora 475 é uma cifra legítima.
Está bem, 435 mil.
Isso faz 1200 por dia.
Quantas mortes por álcool
há num ano?
– E isso quer…
– 100 mil, no máximo?
Isso é o quê, 270 por dia?
270 pessoas, uma tragédia.
Desculpa-me se não estou propriamente
a ver os terroristas excitados
com a ideia de sequestrar pessoal
da industria do álcool.
– Nem sequer…
– Calma,
– tiveste em conta o número de mortes…
– Vamos…
Bobby, quantas mortes relacionadas
com armas existem?
11 mil.
11 mil, estás a brincar comigo?
30 por dia.
Isso é menos que as baixas
por acidentes de automóvel.
Nenhum terrorista quereria saber
de nenhum de vocês os dois.
Tudo bem, ouçam…
argumento estúpido.
Concordo.
Estou certo que ambos justificam
a existência de milícias populares.
Obrigado.
Ei… por favor.
Pare…
Quem são vocês?
A liberdade significa que podemos
fazer tudo o que quisermos.
E isso é muito importante.
Caso contrário, não poderíamos
ser livres.
É por isso que a América tem o
melhor governo do mundo.
Não há necessidade disso,
não há necessidade.
Ei, espera.
Podemos falar?
Nick, queremos que pares de
matar pessoas.
Tantas pessoas.
Meio milhão de pessoas por
ano nos E.U.A.
Não existe informação que
corrobore isso.
Nick… já não estás na televisão.
Muito bem, Joey, é a tua vez.
Nick, quanto fumas por dia?
O que estás a fazer?
De acordo com a caixa, cada
um desses pensos
contem 21 miligramas de nicotina.
Isso é tanto como?
Um maço?
A nossa indústria tem vindo
a trabalhar mano a mano com…
Nick! Ouve-me apenas, está bem?
O que faz com a América tenha
o melhor governo?
A paixão que não existe em mais
nenhum lugar do mundo.
Diz aqui que podem haver
efeitos secundários
advindos desses pensos.
Vejamos, “arritmia,
obstipação, dispepsia,
– náuseas…
– O tabaco gera $48 mil milhões.
faringite, sinusite…”
Claro que lhe podem chamar capitalismo,
mercado livre,
um paraíso dos impostos fiscais.
“dismenorreia…”
Nem quero saber o que isto
quer dizer.
Ouçam, podem começar por pedir,
não sei,
uns 5 milhões, e depois
iam negociando.
Mas eu não quero dinheiro, Nick.
Então o que quer?
Sou todo ouvidos.
Eu chamo-lhe outra coisa,
paixão.
O que é que todo o homem quer?
O amor de uma mulher,
bacon estaladiço…
uma esperança média de vida de 80 anos.
Nick…
…não me pareces muito bem.
Se lhe cheirar a fumo,
por favor marque zero
para falar com a operadora.
Antes de sair do quarto,
verifique a temperatura da porta.
Encontre a saída de emergência
mais próxima,
depois humedeça uma toalha
e cubra o nariz e a boca.
Não remova a toalha.
Tente, a todo o custo, evitar
a inalação do fumo.
Se necessário, gatinhe com
as mãos e os joelhos
para evitar a inalação do fumo.
Não se preocupe.
Não existem estudos conclusivos
que relacionem o acto de fumar
com o enfisema.
Acordou.
Talvez a inflexão não tenha sido a melhor.
Insinuou que tanto podia ter acordado
como não?
Estava tão assustado.
Olá, Joey.
O que aconteceu?
Nenhum não fumador conseguiria
resistir
à quantidade de nicotina presente
na sua corrente sanguínea.
Detesto dizê-lo, mas…
os cigarros salvaram-lhe a vida.
Posso citá-lo, Dr.?
És um verdadeiro combatente,
meu rapaz.
Capitão,
onde está?
Internado, em Winston-Salem.
O raio do coração deixou-me mal
outra vez.
Pensei que podias ser companheiros
de quarto.
Nick, antes que se distraia,
ainda há uma coisa.
Está bem, mas poupe no dramatismo, Dr.
Não pode fumar.
Isso não é problema.
Já deixei antes.
Fi-lo durante a gravidez.
Durante quanto tempo?
Acho que não percebeu.
É um milagre que tenha saído disto
com vida.
Fumar um cigarro apenas
pode levá-lo de novo a um
estado de paralisia.
O seu organismo não o suportará.
Nick, eu não te quero pressionar,
mas temos uma equipa de filmagens
lá fora à espera.
Se queremos chegar a tempo
do noticiário da noite…
Pode-me soltar isto?
Isto só prova o que tenho
dito desde sempre.
Estes pensos de nicotina
são mortais.
Ser fumador salvou-me a vida.
Tendo em conta a sua condição,
estará em condições de participar
na comissão preliminar
do Senador Finisterre
sobre o uso do símbolo nos
maços de tabaco?
Eu acho que agora mais que nunca
é imperativa a minha presença.
Nada me impedirá de testemunhar.
Merda de rapto.
Não compreendo, Sr.
Não estamos a considerar o rapto
como algo de bom?
Bem, ele não morreu.
Quase morreu, Sr.
Exacto.
Agora faz de vitima,
sacana do sortudo.
Pelo que ouvi, a policia de Washington
encontrou-te todo nu
deitado nas entre pernas do Lincoln
coberto de pensos de nicotina
com um aviso no peito
– que dizia…
– Ele não precisa de ouvir os detalhes.
Era uma merda bem marada.
Como te sentes?
Não sei.
É a primeira vez que acho que
os cigarros são mesmo perigosos.
Bem podes dizê-lo.
O que estás a fazer?
Pode ser pequena, mas dá
para o gasto.
Um tiro, pum…
Ouve, o Nick não vai matar ninguém.
Fixe.
É, não é?
Quer dizer…
as armas devem ser tratadas
com respeito, entendes?
Vais dar um óptimo pai.
Obrigado.
Aqui está ele!
Está de volta!
Bem vindo de volta.
– Estás bem?
– Óptimo.
Ainda bem, porque vais sair em todos
os programas de Domingo.
Por uma vez temos a empatia
do público do nosso lado.
Podíamos fazer uma tournée
do coitadinho.
Isto nem planeado nos sairia tão bem.
Talvez para a próxima consiga
ficar sem um pulmão.
Ouvi dizer, que…
O artigo da Heather Holloway
vai sair amanhã.
A sério?
Algo com que me deva preocupar?
Sim, a Associação Contra o Cancro.
Pelos vistos têm-nos na mira.
Cabrões.
Que foi?
Telefonaram-me do jornal.
A sério?
O que queriam eles?
Queriam confirmar o meu nome
e o meu cargo.
Não lhe falaste sobre nós, pois não?
A quem?
À Heather?
Quer dizer, se calhar calhou, eu…
Calhou.
Meu Deus, ele fodeu-a.
Eu avisei-te.
Ei, ele não a fodeu.
Tua não a fodeste, pois não?
Quando?
Calhou.
Ouçam, ele é uma rapariga porreira.
Santo Deus.
Estamos mesmo fodidos.
“Nick Naylor, porta voz da Tabaqueira,
conseguiria fazê-los pensar que
os cigarros são inofensivos.
Mas, na verdade, ele fá-lo para
pagar a hipoteca.”
“O Esquadrão MOD, que significa,
Mercadores da Morte,
é composto por Polly Bailey do
Conselho de Moderação
e Bobby Jay Bliss
da Sociedade Para Progresso das Armas
e Efectivo Treino dos Jovens, SAFETY”
“O propósito dos seus encontros
é discutir qual detém o maior
número de mortes
enquanto comparam estratégias
para enganar o povo Americano.”
“O filme, Mensagem do Sector Seis,
enfatizaria o charme dos cigarros
de uma forma que só os corpos
unidos, nus e flutuantes
de estrelas de Hollywood conseguiriam.”
o homem moribundo
com uma mala de dinheiro, em
troca do seu silencio
no que respeita ao seu recentemente
diagnosticado cancro nos pulmões.”
O filho único do Nick, Joey Naylor,
parece estar a ser iniciado
no trabalho, já que se junta ao seu pai
na maioria das suas viagens.”
Heather Hollway na linha 1.
Heather.
Olá, Nick, o que achaste?
Heather… eu…
Existe aqui um grande número
de informação,
que não era confidencial.
Nunca me disseste o que era confidencial
e o que não era.
Presumi que tudo o que disse enquanto
estava dentro de ti era confidencial.
Nick…
Se quisesses falar num avião
ou no cinema ou durante o jantar,
estaria tudo bem.
Mas tu quiseste foder.
Por mim, tudo bem.
Usaste-me.
Nick, vá lá…
Agora estamos a infantis.
Ambos adoramos o nosso trabalho
Eu sou apenas uma jornalista,
e tu és apenas um relações públicas.
Como me pudeste fazer isto?
Para pagar a hipoteca.
Cabra.
Puta.
Devias ter tido mais cuidado, Nick.
Destruíste toda a boa vontade
gerada pelo teu rapto.
Bom, vamos procurar uma contradição.
A Heather não é a única jornalista
da cidade.
Não, não vai haver nenhuma contradição.
Que queres dizer?
Não fales com ninguém.
Vamos retirar-te da
audiência preliminar.
Não, não, não. Não me podem retirar
da audiência preliminar.
Tudo o que vais fazer é conferir
credibilidade ao seu artigo.
Estou preparado para testemunhar.
Ouve, Nick, metade do meu trabalho
consiste em controlar danos.
Hoje, isso consiste
em distanciarmo-nos de ti
e deixar que te caiam em cima.
O teu trabalho consistia na capacidade
de guardar segredos
e contornar a verdade.
Não consigo imaginar uma forma
de meteres mais as patas.
Não há forma de continuares
a trabalhar comigo.
Então assumo que já falaste
com o Capitão.
O Capitão morreu esta manhã.
Sr. Naylor, fala o Pete o segurança da
Academia.
As suas coisas esperam-no
no guichet de informações, na entrada.
Se não as vier buscar até Sexta Feira
temos instruções para as
deitar ao lixo.
Sr. Naylor, fala o agente especial do
FBI, Johnson.
Não tendo encontrado qualquer
pista no que respeita ao seu rapto
o seu caso será entregue
à policia local,
portanto, por favor, no futuro
remeta-lhe
qualquer actualização ou dúvida.
Nick, fala do escritório do Jeff Megall.
O Jeff gostou muito de te conhecer
no outro dia
ele está… está completamente
arrasado com o facto
de não terem encontrado um projecto
do agrado de ambos.
Ele está mesmo… eu nem sei.
Portanto, ouve, devíamo-nos
encontrar um dia destes,
dá-me um toque quando cá vieres.
O meu e-mail é…
Quem é?
Sou eu, Nick.
Jill, não é boa altura.
Deixa-me entrar.
Trouxe alguém que quer falar contigo.
Então, amigo.
Olá, Pai.
Tens Cola no frigorifico.
Esta tal Heather Halloway,
deve ser uma brasa.
Sim. É bem quente.
Não o leves tanto a peito.
Umas quantas falhas podem ser
apeladoras.
Faz de ti humano.
Quem quer ser humano.
Bem, eu conheço uma pessoa
que ainda pensa que tu és Deus.
Porque contaste àquela jornalista
todos os teus segredos.
És muito novo para perceberes.
A Mãe diz que é porque tens problemas
de dependência
e que era tudo uma questão de tempo
antes de deitares tudo a perder
por causa de uma vadia.
Bem, é uma teoria.
Porque te escondes de todos?
Tem a ver com o facto de ser
odiado por todos neste momento.
Mas o teu trabalho é ser odiado.
É mais complicado que isso, Joey.
Tu é que o tornas complicado
para que possas sentir
pena de ti próprio.
Como tu sempre dizes,
“Se queres um trabalho fácil,
vai trabalhar para a Cruz Vermelha.”
És um relações públicas.
O teu trabalho é estares certo, e és
o melhor no que fazes.
És o rei da reinterpretação.
“Rei da reinterpretação”?
A Mãe assina o Newsweek.
Quem se interessa pelo que
os Brads
deste mundo pensam?
Ele não é o meu pai.
És tu.
Mesmo ali, ao olhar os olhos do Joey,
fez-se luz na minha cabeça.
Porque faço o que faço,
defendo o indefensável.
protegendo as companhias
sem direitos civis
que foram abandonadas pelos
seus próprios clientes.
o madeireiro…
o capataz explorador…
o perfurador de petróleo…
o fabricante de minas…
o caçador furtivo de focas…
caçador furtivo de focas?
Mesmo para mim isso é um
bocado cruel.
Não é essa a questão.
E eu que pensei que te
querias desculpar.
Já lá vou.
Quando?
Ouçam.
Vocês os dois, são praticamente
os meus únicos amigos,
e a última coisa que me ocorreria
seria magoá-los.
E, só posso imaginar…
Porque estás a sorrir?
Porque está ele a sorrir?
Ganhou $100 ás tuas custas.
Eu apostei com a Polly que tu
ias contar tudo à jornalista.
Isso vai contra tudo o que defendemos.
Por favor! Tu denunciaste-nos a uma
jornalistazeca com mamas.
Fantásticas mamas.
Só depois de vocês terem apostado
a minha incompetência?
Fazes ideia da coça que estou a
levar na Moderação.
Estou certo que ambos estarão
a ser alvo de uma apertada vigilância.
Sabes que mais?
Podes parar de usar o plural.
O pessoal da SAFETY gostaram
do nome “Mercadores da Morte.”
Mandaram fazer uns autocolantes.
Vou fazer com que recebas um.
Obrigado.
Isso é nojento.
É Americano.
Posso tirar um bocado.
Então isto quer dizer
que já não vais participar
na audição do Finisterre.
Estava mesmo com vontade de lá ir.
Tem o seu atractivo num estilo
muito Jimmy Stewart.
Mais ao estilo Ollie North.
O Finisterre abria-te um novo
buraco no cu
em frente ao Parlamento.
Com ele posso eu bem.
– Pois.
– Ai é? O que lhe dirias?
Não sei.
Desejava apenas que ele sentisse
uma dor imensurável
humilhação.
Pois, bem, isso seria um pouco difícil.
Quer dizer, ele já é Senador.
Como conseguirias voltar ao activo
mesmo se o quisesses?
Não vai gostar disto.
Obrigado por terem vindo.
Primeiro, gostaria de dedicar
algumas palavras
a todas as pessoas envolvidas
no recente artigo de jornal.
Por favor, reconfortem-se ao saber
que eu não descansarei até que
sejam ilibados.
Esta experiência ensinou-me uma
lição importante,
ter relações sexuais com membros
da imprensa
é deveras injusto.
Não é injusto para mim, não pensem,
mas para todas as pessoas da minha
vida cujo único crime foi conhecerem-me.
Foram os vossos nomes, não o meu,
que sofreram
por um caso insignificante com
uma sedutora
na pessoa de uma jovem
morena, jornalista de Washington
cujo nome não revelo
porque prezo a minha dignidade.
Sr. Naylor!
Ainda pensa testemunhar
na audição de amanhã sobre o tabaco?
Ainda bem que me fez essa pergunta.
Tem havido uns boatos acerca da
minha desistência.
Que fique bem claro
que, a menos que o Senador Finisterre
retire o seu convite
– dirigido à minha pessoa…
– Chama-se intimação.
para estar no Congresso amanhã
para partilhar o meu saber
em relação á Tabaqueira e a todos
aqueles que apreciam os seus produtos.
Muito obrigado.
Vemo-nos amanhã.
Ainda te sentes como o Jimmy Stewart?
Obrigado.
Vão indo.
Isto pode demorar.
Se todos pudessem… se todos
se sentassem, por favor.
Senhores, senhoras.
Se me permitem iniciar esta sessão.
Faremos com que os trabalhos
sejam breves e concisos
para que todos possamos
sair daqui a tempo.
A caveira e os ossos cruzados têm
um significado:
Veneno.
Assim, a mensagem é bastante clara.
Como qualquer outro produto que
carrega este símbolo,
se o tomas, morres.
Mas isto não é um exagero?
Porque não usamos apenas palavras,
como agora?
Algo que descreva os perigos
que o cigarro acarreta.
Bem, porque o público Americano
não se deixa afectar
pelas palavras.
Eles precisam de imagens.
Os estudos que demonstram
que os consumidores reagem
até 80% mais às imagens
do que às palavras.
As estatísticas dizem-no.
É uma pena
que a Academia de Estudos do Tabaco
não tenha disponibilizado
esta informação mais cedo.
Quando fala da Academia de Estudos
do Tabaco,
refere-se a…
à coligação…
Sim, a coligação.
As Taba… as Tabaquei…
…que é representada por…
Por…
E especificamente,
O Sr….
Sr.,… Nick Naylor.
Nick Naylor?
Muito obrigado.
O uso de
palavras em vez de imagens
é um ataque contra a população
que não fala inglês
dos Estados Unidos.
A caveira e os ossos cruzados
falam por si em todas as línguas.
Com a sua negação, eles estão a dizer
que querem que aqueles que não
sabem ler inglês morram.
Senhor Herrera,
pode clarificar o conceito “eles”?
Que fique claro,
o espancamento em público não
caiu em desuso.
Nick Naylor, por favor apresente-se.
Vai-te sentar com ele.
Por favor diga o seu nome,
mora e ocupação profissional.
Chamo-me Nick Naylor.
Vivo no 6000 de Massachussets Avenue
e, de momento, estou desempregado,
mas antes era vice presidente
da Academia de Estudos do Tabaco.
Sr. Naylor,
como vice presidente da Academia
de Estudos do Tabaco, quais eram
as suas funções?
O que fazia?
Informava o público de toda a
pesquisa efectuada
na investigação dos
efeitos do tabaco.
e o que,
até agora, concluiu a Academia
na sua investigação quanto aos
efeitos do tabaco?
Bem, muitas coisas…
Ainda no outro dia descobriram
que fumar pode compensar doentes
com Parkinson.
A comunidade médica deve
estar encantada.
Sr. Naylor, quem financia
a Academia de Estudos do Tabaco?
O Conglomerado do tabaco.
As companhias dos cigarros.
Na sua maioria, sim.
Pensa que isso…
possa afectar as suas prioridades?
Não, da mesma maneira que
as contribuições para as campanhas
eleitorais não afectam as suas.
Senadores, o Sr. Naylor não está
aqui para falar sobre
a Academia de Estudos do Tabaco.
Estamos aqui para debater a
possibilidade da inclusão
de um símbolo informativo nos
maços de tabaco.
Sr. Naylor,
Devo perguntar-lhe, formalmente,
se acredita que o acto de fumar,
continuamente,
pode levar ao cancro do pulmão
e outras enfermidades respiratórias
como o enfisema?
Acho que seria uma tarefa ingrata
encontrar alguém que acredite
realmente
que os cigarros não são
potencialmente perigosos.
Quer dizer, levantem as mãos,
quem pensa
– que os cigarros não são perigosos…
– Sr. Naylor.
Não há necessidade de dramatizações.
Só não vejo a utilidade de pôr um aviso
para algo que todos sabem.
O símbolo
é um lembrete, um lembrete dos
perigos inerentes aos cigarros.
Bem, se queremos lembrar as
pessoas do perigo,
porque não espetamos a caveira
e os ossos
em todos os aviões da Boeing,
Senador Lothridge?
E em todos os Fords, Senador Dupree?
Isso é ridículo.
O índice de acidentes aéreos
e rodoviários
nem sequer chegam aos calcanhares
dos índices dos cigarros.
Nem há comparação.
Vindo de um Senador que chama
a Vermont a sua casa.
Não percebo, Sr. Naylor.
Bem, o verdadeiro
e comprovado assassino número um
da América é o colesterol,
aqui entra o Senador Finisterre,
cujo Estado está,
entristece-me dizê-lo,
a entupir as artérias da Nação com
o queijo cheddar de Vermont.
Se vamos falar em números,
que tal os milhões de pessoas
que morrem de ataque cardíaco.
Talvez o queijo de Vermont
deveria levar com a caveira
e os ossos.
Isso é ri…
O grande Estado de Vermont
não pedirá desculpas pelo seu queijo.
Sr. Naylor,
Estamos aqui para debater os cigarros.
Não é aviões, nem carros – cigarros.
Como havíamos discutido, estes
sinais de aviso
não são para aqueles que sabem
mas para aqueles que não sabem.
E as crianças?
Cavalheiros…
chama-se educação.
Não vem propriamente nos
maços de tabaco.
Vem dos nossos professores,
e mais importante ainda, dos nossos pais.
É o dever de cada pai
prevenir os seus filhos em relação
a todos os perigos neste mundo,
incluindo os cigarros, para que um dia,
quando forem mais velhos,
possam escolher por si próprios.
Eu olho para o meu… filho
que…
foi carinhoso o suficiente para
estar aqui comigo,
e não consigo evitar pensar
que sou responsável pelo seu crescimento
e pelo seu desenvolvimento.
E estou orgulhoso disso.
Bem, tendo dito isso,
deixaria que ele fumasse?
Bem, claro que não.
Ainda não tem 18 anos.
Isso seria ilegal.
Pois, já o ouvi dizer isso na televisão,
mas chega de rodeios.
O que vai fazer quando ele
fizer 18 anos?
Vá lá, Sr. Naylor.
No seu 18º aniversário, vai partilhar
um cigarro com ele?
Vai passar uma tarde agradável,
como uma das suas ridículas
publicidades.
Parece ter muito a dizer
sobre o modo como criamos
as nossas crianças.
Então e os seus?
Que vai você fazer quando
ele fizer 18 anos?
Se ele quiser mesmo um cigarro,
eu compro-lhe primeiro maço.
Obrigado pelo seu testemunho,
Sr. Naylor. Está dispensado.
Vemo-nos lá fora, está bem?
Excelente.
Bem feito, meu rapaz.
Estavas na mesma sala que eu?
A cena da liberdade de escolha?
Acho que eles engoliram essa treta.
Estava a ver os votos preliminares.
A lei vai por água abaixo.
O teu discurso foi pouco ortodoxo,
mas conseguiste, rapaz.
Esmagaste aquele cabrão.
São boas noticias para vocês.
Calma. Calma.
Ainda somos uma equipa, certo?
E o controlo de danos?
Ouve, Nick.
A Winston-Salem está pronta
a fazer o que for necessário
para te manter a bordo.
Nick, vai continuar a defender
a Tabaqueira?
Claro que vai.
Este homem é o nosso general.
Não deixaremos que se retire.
É verídico, Nick?
Continua na Tabaqueira?
Sei o que devem estar a pensar.
Que grande oportunidade
de ensinar ao Joe como usar
da posição contra
um chefe hipócrita.
Mas estava a ser sincero quando
falei da responsabilidade.
Existem coisas mais importantes
do que pagar a hipoteca.
Por isso fiz o que era devido.
Recusei o emprego.
E o momento, não poderia ter sido
o melhor.
Dentro de poucos meses, as
Tabaqueiras
pagaram aos fumadores
a quantia de $246 biliões.
E a Academia de Estudos do Tabaco
foi permanentemente desmantelada.
Pela primeira vez em décadas,
o BR ficou desempregado.
Fora isso, pouco mudou.
O Esquadrão MOD continua a
encontrar-se todas as semanas.
Até adicionamos novos membros.
As coisas que eu podia aprender
contigo, Bobby Jay.
Pois.
Fica por perto. Fica por perto.
O Senador Finisterre continua a lutar
pelas suas causas.
Que tem a dizer às pessoas
que afirmam
que está a destruir os clássicos
do cinema?
Não. Tudo o que fazemos
é usar a tecnologia digital
para actualizar adequadamente os
filmes do passado…
removendo os cigarros.
Acredito que se estas estrelas
fossem vivas,
concordariam que estamos a
fazer o que está certo.
Mas, basicamente, não está a
tentar mudar a História?
Não, acho que estamos a aperfeiçoar
a História
A Heather continua a fazer reportagens.
Toda a cidade foi evacuada.
Eles chamam-lhe a tempestade do século.
Quase nada mudou.
E o vencedor do Clube de Debate
Foggy Bottom é…
Joey Naylor.
Joey!
Joey!
Joey, Joey!
É o meu filho.
Segura-o. Segura-o.
E eu?
Bem, há sempre um lugar para
tipos como eu.
Seja sincero comigo.
É verdade?
– Poderia ser.
– Vá lá.
São conhecidos muito poucos casos.
Não existem provas cientificas.
Houve um infeliz incidente no Iwoa…
É uma situação complicada.
Cavalheiros,
treinem estas frases em frente
ao espelho:
“Apesar de haver uma constante
investigação na matéria,
de momento, não existem provas directas
que relacionem o uso do telemóvel

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