“Smallville” X-Ray 2001 Portuguese Português

Posted by on August 6, 2012

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Mr. Luthor, que posso fazer por si?
Quero fechar todas as minhas contas.
Posso perguntar porquê?
– Há algum problema?
– Não, claro que não.
É só que os Luthor são clientes
deste banco há doze anos.
– É uma grande surpresa.
– Quero tudo em notas.
Faremos o nosso melhor.
– Importa-se de assinar?
– Com certeza.
Mr. Luthor…
…posso ver a sua carta de condução,
por favor?
Porquê?
A assinatura não é a dos registos.
Preciso de verificar a identificação.
Estou aqui à sua frente.
De que mais precisa?
Lamento, mas é a política do banco.
Preciso do dinheiro agora!
Encha a mochila!
Que se passa, Lex?
Sai da frente!
Tina, onde arranjaste isto?
Prometi que resolveria
os nossos problemas.
Diz-me que não foste tu
que assaltaste o banco.
Não fui eu.
Foi o Lex Luthor.
Pára, Tina! Prometeste
que já não ias fazer mais isso.
– Fi-lo por nós.
– Alguém podia ter-se magoado!
Estou bem, mãe.
Agora podemos ter uma vida perfeita.
– Ninguém tem uma vida perfeita.
– A Lana tem.
Roubar não resolve
os nossos problemas.
Vou devolvê-lo. Digo que o encontrei
num caixote de lixo.
Não, mãe!
Merecemos ser felizes!
Vá lá!
112, emergências.
Está aí alguém?
Estou? Está alguém em linha?
Desculpe.
Não é nada.
X-Rays
Isto é incrível! Por que precisaria
Lex Luthor de assaltar um banco?
Já vi coisas muito estranhas,
mas isto excede tudo.
Bem, quase tudo.
Ele fugiu com $100 mil.
Eu conheço o Lex. Não foi ele.
Sei que ele é teu amigo, mas viste-o
com os teus próprios olhos.
Não sei o que vi.
Deve haver uma explicação lógica
para isto, espero eu.
Eu também. Odiaria pensar
que tenho um gémeo malévolo.
Lex. Não o ouvimos chegar.
Posso entrar?
Prometo que não venho armado.
Por que não estás preso?
Porque estava numa recepção para
200 distribuidores de fertilizantes…
…na altura do assalto.
– A polícia tem pistas?
Nenhuma. Por isso é que quis
falar contigo. És testemunha.
– Chegaste a vê-lo bem?
– Sim, era igualzinho a ti.
Mas as impressões digitais
e assinatura dele não coincidem.
Tens a certeza
de que não te enganaste?
O que vai acontecer agora?
Esperemos que o dinheiro apareça.
Entretanto, os tablóides
vão fazer uma festa.
As opiniões de certas pessoas
sobre mim confirmar-se-ão.
Tenho de ir trabalhar.
Lamento teres sido atirado
pela montra.
– Não sou um criminoso profissional.
– Eu sei.
Um criminoso profissional
teria usado uma máscara.
Vá lá! Mexam-se! É isso mesmo.
Vá, vocês conseguem! Despachem-se.
É isso mesmo!
Vamos lá!
Vá! Despachem-se!
Vamos lá! Vá!
Mantém os olhos na cabeça.
Kent!
Estamos a entediar-te?
Desculpe. Dói-me a cabeça.
Precisas de pôr esse sangue
a circular.
A seguir, és tu e o Ross.
Desçam lá, rapazes!
Vá lá. Usem os músculos.
Se o Ross te ganhar,
são dez voltas.
Vá lá, Clark. Vamos lá.
Mexe-te!
Alguém vai ter de dar umas voltas.
O que se passa, Clark?
Clark, o que se passa?
Clark!
Kent, estás bem?
Kent, o que aconteceu ali em cima?
Nessas visões, vês através de tudo?
Pessoas, objectos?
Às vezes, através das coisas.
Outras vezes, é como um raio-X.
Não há aviso?
Acontece sem mais nem menos?
Dói-me a cabeça
e depois dá-me.
Na primeira vez,
pensava que estava a alucinar.
Clark, deve haver forma
de controlar isso.
Vejo através das coisas.
Como se controla isso?
Tens de praticar. Os teus olhos
têm músculos, como as tuas pernas.
A tua mãe tem razão, filho.
Só tens de descobrir uma forma
de os usar para não teres
essas visões.
Parece-me óptimo.
Mas como faço isso?
Lana, tens uma visita.
Olá, Lana.
Tina, não te vi nas aulas hoje.
Está tudo bem?
A minha mãe não se tem
sentido bem,
mas agora está melhor, por isso…
Desististe da claque
e a Nell baniu-te para a garagem.
Estou a tentar resolver-lhe
o problema da tralha.
– Ela perdoou-te por desistires?
– Ainda não.
Pelo menos agora tens mais tempo
para os teus amigos impopulares.
Tina, tu não és impopular.
O que é feito da rapariga que não se
importava com o que pensavam dela?
Foi para o liceu.
Ao menos a tua mãe
não tenta controlar a tua vida.
Tens sorte por a Nell gostar de ti.
Se alguma coisa acontecesse
à minha mãe,
ninguém me acolheria.
Provavelmente, mandavam-me
para um lar ou isso.
– Obrigada pelo ânimo.
– O que queres que eu diga?
Tens uma vida perfeita.
Podes ficar com ela, se quiseres.
Contento-me com essa roupa.
Não seria porreiro
se fôssemos irmãs?
Se acontecesse algo à minha mãe,
achas que a Nell me adoptaria?
Tina, não vai acontecer nada
à tua mãe.
Voltou a acontecer?
– Vamos para casa.
– Não, estou bem.
Não precisavas de ir ao antiquário?
Está cá alguém?
Mrs. Kent… quer dizer, Martha.
Como está?
– Bem. E o negócio?
– Não podia estar melhor.
Estou a vender tanto em Metropolis,
que talvez venda a loja aqui.
Seria uma pena.
Pensava que adorava esta loja.
Nem por isso. Nunca quis esta vida.
Aconteceu.
A Tina está?
Pareceu-me vê-la entrar.
Está em casa da Lana.
Elas são inseparáveis.
– A sério? Podia jurar que…
– Deves estar a ver coisas.
Preciso de ar.
Vou dar um passeio.
– Vim buscar o candeeiro.
– Candeeiro?
O que restaurou para o Jonathan?
Claro, que disparate o meu.
Está lá atrás.
Ainda não está pronto.
Encontrei isto debaixo da arca.
Ando com a cabeça no ar.
Um cliente pagou-me em dinheiro.
Estive à procura disto o dia todo.
É muito dinheiro.
Devia ter cuidado.
Obrigada. Passe por cá para
a semana que já estará pronto.
Mrs. Kent, esqueceu-se da carteira.
Andamos as duas
com a cabeça no ar.
Adeus.
Lex Luthor Assalta Banco
Clark!
Mãe, estás bem?
Clark!
A polícia encontrou a carrinha
ao pé da quinta dos Stewart.
– Mais alguém viu o condutor?
– Não.
Podia jurar que eras tu, Clark.
Não sou o único
com problemas de visão.
Não compreendo.
Onde arranjaram as tuas chaves?
Não faço ideia.
Só fui ao antiquário…
O que foi, mãe?
Nada. A Rose Greer
estava muito estranha.
Encontrei $5 mil em notas
debaixo de uma cómoda.
Tinha um rótulo do banco de Smallville.
Ela disse que um cliente lhe pagou…
– Achas que é do assalto?
– Passou-me pela cabeça.
Rose roubou as chaves, transformou-se
no Clark e tentou atropelar-te?
– Tens razão, é de loucos.
– Eu não acho.
O que foi?
Tive uma visão do esqueleto
da Tina Greer.
Era esquisito e verde.
Não parecia humano, como os que
se vêem nos livros de anatomia.
Deve ser porque a Tina nasceu
com uma doença nos ossos.
Tomou uma série
de medicamentos em teste.
Achavam que não chegaria
à 1ª classe.
Mas ela melhorou,
quando fez três anos.
Depois da chuva de meteoros?
– O que estará a Tina a fazer?
– Não sei.
Tive a mesma visão do esqueleto
depois do assalto… acho eu.
Quem me dera controlar isto.
E se tentares focar,
como se fosse um telescópio?
Podes começar com algo pequeno.
Tenta dizer-me o que tenho na mão.
O teu canivete.
Viste através da minha mão.
Não. Trazes sempre o canivete,
nesse bolso.
Que se passa, querida?
Mentiste-me acerca da minha mãe.
– Posso ajudá-lo?
– Roger Nixon, Metropolis Inquisitor.
Saia de cima do meu carro.
É uma fotografia e tanto, Lex.
Aumentou-nos imenso as vendas.
Banda desenhada tem menos
ficção que o vosso jornal.
E isto é ficção?
É o seu cadastro juvenil.
É fascinante.
O seu pai deve ter pagado bem
para manter o silêncio deles.
Esse cadastro é confidencial.
Sou um tipo com recursos.
Vi a fotografia ontem
e pensei num seguimento.
“A Juventude Louca de Lex Luthor.”
Club Zero diz-lhe alguma coisa?
– Publique isso e processo-o.
– Os processos demoram anos.
O génio já terá saído da garrafa
e todos saberão
que a versão nova e melhorada de
Lex Luthor não passa de uma fachada.
Sabe o que eu acho, Rog?
Se quisesse publicar isso,
já o teria feito.
– É uma proposta de negócios.
$100 mil e este cadastro
desaparece para sempre.
Questionaria a sua integridade,
mas é jornalista.
O seu pai achava que podia
escondê-lo aqui para sempre?
Tem 24 horas até isto aparecer
na primeira página.
Lana, não te menti.
Disse-te que a tua mãe teria tido
orgulho de ti e é verdade.
Ela adorava-te.
Contaste-me um conto de fadas
de uma mulher com uma vida perfeita,
mas essa vida foi uma mentira.
Ela afinal odiava a claque,
mas tinha medo de desistir.
Ela não queria ficar em Smallville,
queria ver o mundo.
Devia ter dito que a tua mãe
era infeliz?
Teria preferido a verdade.
Disse-te o que eu achava
que aguentarias.
A tua mãe era uma adolescente.
Tinha altos e baixos.
Passei a vida toda a tentar
ser igual
a uma Laura Lang
que nunca existiu.
Estás a ler o diário
de uma rapariga de 17 anos.
É só uma fase da vida dela.
Parece que eu própria escrevi isto.
A tua mãe era a rapariga mais
inteligente e bonita da turma.
Ela foi escolhida para fazer
o discurso de formatura.
O diário acaba antes disso.
Devias ter ouvido o discurso
que ela fez.
O que disse?
Tudo o que se tinha acumulado
dentro dela durante 18 anos.
Disse que se sentia sufocada
em Smallville.
– Tens uma cópia?
– Não.
Mas nunca me esquecerei
da primeira frase.
“Nunca marquei uma diferença aqui…
…mas talvez os meus filhos
o façam.”
Olá, Clark.
Está tudo bem?
Não repararam em nada de estranho
na Tina Greer?
Nada que merecesse a atenção
que lhe estás a dispensar.
O que é estranho na Tina
é a veneração que tem pela Lana.
Ela é praticamente o clone dela.
Vamos.
Lana!
– Ela não te larga.
– Gostas da camisola?
É espectacular.
Tenho uma igual.
Eu sei. Comprei-a na mesma loja.
Fui às compras.
Até encontrei este colar de esmeraldas
no antiquário.
Por que não estou surpreendido?
Vemo-nos ao almoço.
Estás bem?
Passei por tua casa e a Nell disse
que estavas mal humorada, por isso…
– Estou bem, não te preocupes.
– Óptimo, porque preciso de um favor.
A minha mãe vai mudar-se
para Metropolis,
mas não quer tirar-me da escola.
Estava a pensar em ir viver
contigo e com a Nell.
Durante quanto tempo?
Não sei. Alguns meses.
A minha mãe paga-vos, claro.
O dinheiro não é problema.
É só dizerem quanto.
Até podia comprar um cavalo
para montarmos juntas.
Não seria fixe?
Sim. Deixa-me pensar
algum tempo.
– A tua mãe concorda com isso?
– Sim.
Ela sabe que somos melhores amigas.
Foi ideia dela.
Tenho de perguntar à Nell.
Ela é selectiva…
A Nell adora-me.
Não compreendo.
Pensei que ficasses contente.
Dizem que somos parecidas,
que podíamos ser irmãs.
Não tenho a certeza
se é boa ideia.
Entendo.
Então, foi tudo mentira?
Fingiste gostar de mim.
Quando te peço ajuda,
viras-me as costas?
– Tem calma.
– Devias ter dito que sim.
Teria sido perfeito.
Por que estás sempre
a olhar para mim?
Não sei.
Desculpa.
– Que fazes tão cedo em casa?
– Estás a ter mais problemas de visão?
Já controlei o problema.
Uma vez. Mais ou menos.
Concentrei-me e resultou.
– Óptimo!
– Concentraste-te no quê?
– No cacifo da Tina Greer.
– E o que viste?
O dinheiro do assalto ao banco.
Estava a fechar a loja.
Em que posso ajudá-los?
Estamos à procura da sua filha.
Ainda não chegou.
O que se passa?
Encontrámos o dinheiro roubado
no cacifo dela, esta tarde.
Só podem estar a brincar.
A minha Tina?
Como pode ela estar envolvida?
É isso que queremos
perguntar-lhe.
Pode levá-la à esquadra,
quando ela chegar?
Claro. Colaboraremos totalmente.
A propósito, quem vos disse
que o dinheiro estava no cacifo?
Um miúdo informou-nos
anonimamente.
Clark, o que estás a fazer?
A tentar ver
quanto dinheiro tenho.
Podes tirá-lo e contá-lo.
Assim não é divertido.
Já sabes da Tina?
Encontraram o dinheiro do assalto
no cacifo dela.
A sério?
Ela hoje perguntou se podia
ir viver comigo e com a Nell.
Era o que te faltava,
uma colega assaltante de bancos.
Eu disse-lhe que não era
boa ideia.
Já tenho problemas que cheguem
com a Nell.
Sempre pensei que tu e a tua tia
se dessem bem.
Ela quer que eu seja algo
que não sou.
É como ter dupla personalidade.
Há aquela pessoa que todos vêem
e a pessoa que queremos ser.
Sei como isso é.
Foi por isso que vim aqui.
Acho que és a única pessoa
que me vê como realmente sou.
Quero agradecer-te por isso.
– E o Whitney?
– Esquece-o.
Estou interessada em ti,
tal como tu por mim.
Não sei como descobriste
sobre o dinheiro,
mas não devias ter-te metido
na minha vida.
Não há sinal da Tina
nem da Lana.
Viste-a mesmo voltar
a transformar-se na Tina?
Acho que a chuva de meteoritos
afectou os ossos dela.
– E ela pode mudar de aparência?
– Sim, e deu-lhe força.
– O que dizemos à polícia?
– Nada.
A Tina pode transformar-se
em quem quiser
e eu sou o único
que sei ver a diferença.
Se voltares a atirar essa aranha
de borracha, levas com o agrafador.
Posso entrar?
A rapariga que escreve sobre
o desfile dos pompons não está.
É o editorial desta semana?
A minha divagação semi-anual de
“Onde Estão As Nossas Prioridades?”
Se é que te interessa, gosto muito
do que fizeste com o jornal este ano.
Deves ser o única pessoa.
Desculpa a piada do pompom.
Quando dou para ser implacável,
sou mesmo.
Até admiro isso.
Sabes quem és
e não o escondes.
Obrigada pelo elogio.
Não deves ter vindo até este buraco
para deitar conversa à rua.
O Torch publica o discurso
de formatura todos os anos, certo?
Tendo transcrito a seca do ano passado,
infelizmente a resposta é sim.
– Que ano queres?
– 1977.
Isso é PC.
– PC?
– Pré-computador, era da disco.
Tudo antes disso é RP.
– Registo em papel.
– És de compreensão rápida.
Vejamos…
1977, aqui está.
“Saturday Night Fever” foi o tema
do baile. Os Styx eram o grupo…
Uau. Alguém pisou os calos
da administração.
“Dada a natureza controversa
do discurso deste ano,
os editores decidiram não o publicar
no Torch.”
Ironicamente, deve ser o único
que vale a pena ler.
Talvez eu encontre alguma coisa.
Sabes quem deu o discurso?
A minha mãe.
Quer uma bebida?
Prefiro receber o meu dinheiro
e ir embora.
Claro.
Não é preciso contar, pois não?
Até lhe dou o saco.
Está muito satisfeito
consigo próprio agora, não está?
Com o que o meu pai gastou, ele devia
ter feito as coisas desaparecerem.
Talvez ele não seja tão esperto
quanto julga.
O original.
Tenha uma boa vida.
Se sair por aquela porta,
faço-o desaparecer.
O que vai fazer?
Vai mandar matar-me?
Não, vai estar bem vivo,
mas não haverá provas
da sua existência.
Do que está a falar?
Carta de condução, passaporte,
conta bancária… será tudo apagado.
Com um telefonema meu, não restará
registo da sua passagem pela Terra.
Está a fazer bluff.
Ligue ao seu banco.
Veja se a sua conta ainda existe.
Isto é, se o seu telemóvel
já não foi desligado.
O que fez?
Não se preocupe, Roger.
Vou dar-lhe uma nova identidade.
Uma que seja menos íntegra.
Talvez a de um assassino.
Ou a de um traficante de droga.
Vai perder o emprego,
a casa e a família.
Eu devolvo o dinheiro.
Então, ficaremos quites.
Não, não ficaremos.
Também sei que o seu irmão
trabalha no Tribunal de Menores.
O que lhe disse? Rouba os registos
e vais ganhar dinheiro fácil?
– Ele pode ser preso por isso.
– Não o envolva.
Você é que o envolveu,
não eu.
Entrou na minha vida
a pensar que me extorquia
porque eu era um mimado rico
que precisava da protecção do papá.
Quando faço coisas desaparecerem,
desaparecem para sempre.
O que quer de mim?
A sua ajuda.
O meu pai é obcecado
pelo Daily Planet,
mas sei que o Inquisitor tem mais
leitores. Esses é que me interessam.
Eu dou-lhe histórias
e você publica-as.
Elimina todas as histórias negativas
sobre mim e quero-o disponível.
Siga-me.
– O que aconteceu ao seu carro?
– Atirei-o de uma ponte, a 100 km/h.
Como é que ainda está vivo?
É esse o mistério que preciso
que me ajude a solucionar.
Que se passa, Clark?
Por que estás a olhar
para mim assim?
Desculpa, não é nada.
Não sabia se eras mesmo tu.
– Cheguei em má altura.
– Não.
Fui correr, não queria ir para casa
e vim parar aqui.
Tu e a Nell ainda estão zangadas.
Como é que sabes?
Intuição, suponho.
Encontrei o diário da minha mãe.
Descobri que ela também sentia
o mesmo que eu sinto.
Isso é formidável.
É, não é?
É formidável, frustrante
e assustador.
Parece que ela via através de mim.
Costumas sentir-te assim?
Mais do que imaginas.
Quando li as palavras dela,
parecia que ela estava a falar comigo.
E depois foi-se.
Tens sorte de ter isso,
pelo menos.
Já tentaste encontrar
os teus pais biológicos?
Nem por isso. Estão muito longe
da minha vida agora.
Se pudesses perguntar-lhes algo,
o que seria?
O que aconteceu?
Por que me abandonaram?
Como posso perceber tudo
o que há de estranho na minha vida?
Acho que nenhum de nós
obterá respostas.
Espero que encontres
aquilo que procuras.
Pensava que estavas a trabalhar
num projecto.
Acabei mais cedo. Vim passar tempo
com o melhor namorado do mundo.
Adoraria, mas tenho um teste
de trigonometria amanhã.
Pois, esqueci-me.
Não faz mal.
Temos o resto das nossas vidas.
O que te deu?
É o novo “eu”. Gostas?
Posso habituar-me depressa.
Queres boleia para casa?
Não é preciso.
Emprestas-me o teu casaco?
Está frio.
Claro.
Até amanhã.
A Tina Greer consegue torcer
os ossos como uma contorcionista?
Eu vi-a fazê-lo.
Lamento.
Isso é do domínio da Chloe.
A minha área são raparigas,
futebol, coisas de homens.
Ela escreve sobre o inexplicável.
Telefona-lhe.
Já telefonei.
Ela disse que está ocupada.
Isso é como ser rejeitado
pelo The National Enquirer.
Por que somos amigos?
Porque mesmo quando
te acho louco, ajudo-te.
Porreiro, está fechado.
Nunca viste o Cops, pá?
O último lugar onde a Tina
se esconderá é na loja da mãe.
Terra para Clark.
– Está tudo bem?
– Temos de entrar.
– Porquê?
– É um palpite.
Estamos à procura do quê?
– Quem é?
– A mãe da Tina.
Raios! Como sabias
que ela estava aqui dentro?
– Porque vi através da porta.
– Muito engraçadinho, Sherlock.
– Como achas que ela morreu?
– Tem o pescoço partido.
É um palpite.
A Tina já deve estar
a caminho de Metropolis.
Acho que não.
Por que está ela a fazer
a assinatura da Lana?
Disseste que a Tina
era obcecada por ela.
– Ela vai mais longe.
– Ela quer matar a Lana?
Pior. Ela quer ser a Lana.
Encontrei o diário
que escreveste no liceu, mãe.
De repente, estas conversas
não parecem tão unilaterais.
Tentei encontrar o teu discurso de
formatura, mas não foi publicado.
Sempre que me aproximo de ti,
algo nos afasta.
Lana.
– Whitney, que fazes aqui?
– A tua tia disse que foste montar.
Eu segui o rasto.
Estava a falar com os meus pais.
Eles estão mortos, Lana.
Tens uma vida espectacular
e nem percebes isso.
Não tens o direito de ser infeliz.
Eles não vão voltar, Lana.
Aceita isso.
O que estás a dizer?
Estou a dizer que não mereces
a vida que tens.
Eu é que mereço!
O que fazes aqui?
Ia perguntar-te a mesma coisa.
– Onde está a Lana?
– Não sei.
A Nell disse que ela veio para aqui,
mas não a encontro.
O que se passa, Clark?
Não te sentes bem?
– Tina, onde está a Lana?
– A Tina já não existe!
Sei como é viver com um segredo.
Sei o que aconteceu à tua mãe.
Isso foi há séculos.
E não te preocupes com a Lana.
Vais juntar-te a ela, em breve.
Pensava que te tinha matado. Não
cometerei o mesmo erro duas vezes.
Onde está a Lana?
Quem és tu?
Onde está ela?
Está morta.
Lana!
Soube o que aconteceu.
Vieste ver se eu estava bem?
Por muita preocupação
que eu tenha pelo teu bem-estar,
não vim aqui ver-te.
Estive a investigar.
DISCURSO DE FORMATURA
Como encontraste isto?
Se te contasse, teria que te matar
e parece que já passaste
pelo suficiente.
– Obrigada, Chloe.
– De nada.
– Como está a Tina?
– Já não fará mal a mais ninguém.
Não percebo por que alguém faria
tudo aquilo.
Eu percebo.
Vivemos a vida com um dom
que temos de manter segredo.
Quando vemos a normalidade
de todos à nossa volta, temos inveja.
Queremos ser outra pessoa.
Gostas muito dela, não é?
Mãe, se pudesses ver tudo,
o que farias?
Aprenderia a fechar os olhos.
Como reitor do Liceu de Smallville,
apresento-vos
a discursante da classe de 1977,
Miss Laura Potter.
Senhoras e senhores, seniores
que se vão formar, boa noite.
Estas palavras familiares iniciam
todos os discursos deste liceu
e uso-as propositadamente
porque o resto do meu discurso
não será tão reconfortante.

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