La vita e bella 1997 Portuguese Português

Posted by on March 19, 2012

movie image

Descarregar da legenda La vita e bella 1997 Portuguese Português

Esta é uma história simples,
mas nem por isso fácil de contar.
Como numa fábula, há nela tristeza,
e, como uma fábula, está cheia
de maravilha e felicidade.
Canto o que vejo, nada me escapa.
“Aqui estou eu”, disse ao caos…
“Sou o teu escravo!” E ele disse:
“Óptimo!”.
“Porquê?” disse eu.
“Afinal, estou livre!
Para que serve uma carícia
“quando neste homem
está o contentamento?
“Aqui estou, pronto.
“Os comboios partiram,
foram-se os travões.
“Não resisto mais.
Vem, doce Baco, leva-me…”
Foram-se os travões!
Já ouvi!
– Não, foram-se mesmo!
– Trava!
Não estavas a recitar um poema?
Estão avariados!
Trava!
Vamos morrer! Olha as árvores!
Trava!
Vem aí o Rei!
Lá vem ele!
Está além um monte de gente.
Vai em frente!
Não temos travões!
Afastem-se!
A VIDA É BELA
Vai dar uma volta
senão só lá chegamos amanhã.
Encontrei o parafuso.
Agora o que é que te falta?
Nada. Preciso de 10 minutos
de sossego.
Está bem. Deixo-te sozinho.
– Queres o tal parafuso?
– Não. Quero que me deixes em paz.
Deito fora o parafuso
se o encontrar?
Deixa-me dez minutos sozinho.
Vou lavar as mãos.
Linda menina! Como estás tu?
Que estás a fazer?
Foi a tua mãe que pôs
tudo isto aqui?
Não, foi a patroa.
É um mercado? Que coisas bonitas!
Quanto custa? Que idade tens?
Onde está a tua mãe?
– Como te chamas?
– Eleonora.
Prazer em conhecer-te.
Eu sou o Príncipe Guido.
Príncipe?
Sou um Príncipe, sim senhora!
Tudo isto é meu.
Este principiante pertence
ao principado do Príncipe.
Chamarei a este lugar Addis Abeba.
Vou mudar tudo!
Fora com as vacas,
venham os camelos!
Camelos?
Até alguns hipopótamos!
Vou-me embora. Tenho um encontro
com a Princesa.
– Quando?
– Agora!
Bom dia, Princesa!
Que susto! Quase me matei.
Magoei-o?
Nunca estive tão bem.
Sai sempre de casa desta maneira?
Queria queimar aquele ninho
de vespas, mas fui picada.
Foi picada por uma vespa? Aí?
Dê-me licença!
Fique quieta, Princesa.
O veneno das vespas
é muito perigoso.
Temos de retirá-lo.
– Deite-se, vai demorar um pouco.
– Já está bem, obrigado.
– Foi picada em mais algum lado?
– Não, obrigada.
Mas que lugar! É lindo!
Pombos voam, mulheres caem do céu.
Vou mudar-me para cá!
É tudo dele! Quer encher isto aqui
de camelos. E um Príncipe!
Exactamente!
Príncipe Guido, para servi-la,
Princesa.
Já aí vou!
Então, adeus!
Como posso agradecer-lhe?
Não é preciso.
Se quer mesmo agradecer-me
levo uns ovos para fazer
uma omeleta para o meu escudeiro.
– Leve o que quiser, é tudo seu!
– Obrigado.
Levo dois… seis. Está bem?
Faço uma bela omeleta.
Adeus, Eleonora! Os meus respeitos,
Princesa.
Adeus!
Cá estou eu, Nuvolari!
Esta noite temos ovos.
Camelos por todo o lado!
– Onde é a casa?
– Vira à esquerda. Estamos quase.
O teu tio dorme na mesma casa?
O quê? Há mais de 30 anos que vive
no Hotel. E maître d’…
Empresta-nos a casa.
Usa-a para arrecadação.
Cá estamos.
Aquele é Robin Hood,
o cavalo do meu tio.
Isto é a charrete do meu tio
e a casa dele.
Lá dentro está o meu tio.
Olá, querido tio, cá estamos!
Despacha-te, é tarde.
Cá estamos. O carro avariou!
Tio Eliseo!
– Bárbaros!
– Quem foi?
– Ninguém, apenas bárbaros.
– Por que não pediu ajuda?
O silêncio é o grito mais poderoso.
É o teu amigo poeta?
O meu nome é Ferruccio.
Também sou estofador.
Tem de se contentar com o que há.
E um velho armazém cheio de coisas,
uma velha paixão,
uma estranha mania!
Para que é tudo isto?
Podem ficar o tempo que quiserem.
Não é fácil ser empregado de mesa.
Aqui é a cama. Conta-se que
Garibaldi dormiu nela.
Nada é mais necessário
do que o desnecessário.
Bárbaros.
A Câmara é na Via Sestani,
à direita depois da colunata.
Aqui é a casa de banho, equipada
com a útil invenção de Sr. Bidet.
Têm alguns livros, entre os quais
“A Vida de Petrarca”.
Ali dentro é a cozinha.
Isto é um velocípede, vulgarmente
chamado de bicicleta.
Tenho de voltar para o Hotel.
Só temos uma chave, não a percam.
Que bom ver-te!
Já lá vou, Robin Hood!
Que tio!
Olha para isto.
Não te disse? Estamos numa cidade,
fazes o que quiseres.
Somos livres. Se queres fazer
uma coisa, fá-la!
Queres descontrair?
Queres gritar? Então, grita!
Pára! Estás maluco?
Estamos na cidade. Não podes fazer
como se estivesses no campo!
Há 3 horas que gritas como louco!
Não podes gritar!
Maria! A chave!
Estás a ver? Não podes gritar.
Percebeu? Se pensasse menos
em poesia,
fazia o seu pai mais feliz,
ganhava mais do que ele.
É verdade, Oreste, é o que
eu também lhe digo.
Tem de assentar!
Que belo chapéu! Que tal me fica?
– Bonito, não é? Como me fica?
– Bem, mas é meu.
Quando começo a trabalhar?
Já está atrasado! Agora mesmo.
Vá buscar aquela cadeira de braços
e leve-a para a oficina.
– Aquela?
– Sim, aquela. Com cuidado.
Óptimo. Vou à Câmara. Adeus.
Adeus e porte-se bem.
São tempos difíceis!
São tempos difíceis?
Quais são as suas ideias
políticas?
Benito! Adolfo! Portem-se bem!
Que disse?
Perguntei como iam as coisas.
Então, adeus.
Cuidado, não parta as pernas!
Conseguiu levar-me o chapéu.
Hei de encontrá-lo.
Benito, ainda levas uma estalada!
Tenho de cumprir toda a burocracia
para abrir uma livraria?
– Leva muito tempo?
– Anos.
Então, é melhor começarmos já.
Primeiro tem de fazer o pedido para
o chefe da repartição tem de assinar.
Entretanto…
Quase quebrei os ovos!
Tenho-os aqui desde ontem.
Tinha-me esquecido. Graças a Deus
não se quebraram. Tome nota.
Eu, abaixo-assinado,
Guido Orefice…
…peço autorização para abrir…
– Ele não pode assinar isso agora.
Que se passa?
Preciso de uma assinatura sua
para abrir uma livraria.
– Menina, que se passa?
– Dr. Rodolfo, eu disse-lhe…
– É só uma assinatura.
– Não posso.
a uma hora. Peça-lhe.
– Mas só preciso de uma assinatura.
– Fechamos à 1:00.
Faltam dez para a 1:00.
Apresente uma queixa!
Mas que antipático!
Só tinha de assinar um papel.
Agora tenho de esperar pelo outro
que só chega daqui a uma hora.
Vou apresentar queixa. Escreva: Eu,
abaixo-assinado, Guido Orefice…
Mas que pancada!
Dói-lhe? Eu ajudo-o.
Não fiz de propósito.
Não me toque!
Pode esquecer a sua livraria!
Não, os ovos estão aí!
Patife, mato-te!
Saiam do caminho!
Bom dia, Princesa.
Não nos encontramos nunca
de pé?
Desculpe, tenho de correr!
Adeus, Princesa!
– Galinha.
– É fácil.
Serve-se inteira, peito para cima.
– Importa-se de cortar?
– Naturalmente.
Mantenho-a firme com a faca
espetada debaixo da asa,
depois corto a coxa.
Corto a carne ao longo
do osso do peito.
– Fora com as asas, o peito e a pele.
– Lagosta.
É canja, tio Eliseo.
Meto a asa debaixo da perna…
Fora com a perna.
Corto a lagosta, meto o…
A lagosta é um crustáceo.
Fora com a crosta do crustáceo.
E com as antenas. Não se comem
as antenas, pois não?
Fora com as antenas,
fora com a lagosta.
Não ficou nada.
Acabaram-se as lagostas, mas temos
uma galinha deliciosa.
Não me lembro de como se serve
a lagosta.
Serve-se directamente da cozinha.
Não é preciso tocar-lhe!
É muito fácil,
por isso é que não me lembrava.
– Continua.
– Postura.
À mesa: tira-se o prato
sujo e coloca-se um novo.
Fazer o contrário
seria um erro grave!
Para o vinho, há o mordomo do vinho.
Não posso ser eu a fazer tudo!
Copos! Copo de vinho,
caneca de cerveja, taça, jarra…
bricconcello… balute; mas só para
religiosos: “Boa tarde, vossa Eminência.”
Comportamento:
Enquanto espero, fico firme, assim.
– “Criado!”
– “Sim?”
– À espera de ordens.
– “Criado!”
Por que é que me chamam todos?
Não há mais criados?
Cortesia? É canja!
Inclina-se mais.
Assim gosto. Ângulo de 45 graus,
como uma garrafa de champanhe.
45 graus, mesmo 50 ou 55…
…90 graus, um ângulo recto.
Como é que me inclino,
a 180 graus? Assim?
Pensa nos girassóis.
Inclinam-se para o sol.
Mas se vires alguns
demasiado inclinados,
significa que estão mortos!
Estás a servir, mas não és servo.
Servir é uma arte superior.
Deus é o primeiro servidor.
Deus serve os homens,
mas não é servo dos homens!
– Não havia aqui botão.
– Não é suposto haver, idiota!
Tenho de levar o carro ao meu pai,
ele está a contar com isso.
Devolve-lo daqui a um mês ou dois.
Não, tenho de o devolver em breve.
Sabes porquê.
Porquê?
– Que horas são?
– As horas! Estavas a dormir?
Claro que estava!
Fizeste-me uma pergunta, voltaste
a cabeça e adormeceste.
– Como fizeste isso?
– Schopenhauer.
Quem?
Schopenhauer diz que com o poder
da vontade, podemos fazer tudo.
“Sou o que quero ser.”
Neste momento quero estar a dormir
e estava a dizer para comigo:
“Estou a dormir, a dormir.”
E adormeci.
Espantoso. E simples.
Também quero experimentar.
Estou a dormir, a dormir…
Não mexas as mãos,
não és um malabarista!
É uma questão de mente, é sério
e, além disso, leva tempo.
Falamos disso amanhã.
Espantoso!
Acorda!
Que foi agora? Que estás a fazer?
– Resultou em cheio!
– O quê?
Schopenhauer! Sabes o que eu disse?
“Acorda!”
E zás! Acordaste.
Que teoria incrível!
– Como é que isto aconteceu?
– Estavas a gritar ao meu ouvido.
Foi por isso que acordei.
– Então, devia ter falado mais baixo.
– Não é preciso falar.
Não devo dizer nada?
É uma coisa profunda,
Tens de pensar.
– O que é?
– Diz?
– O que é?
– Não falei! Disse à lâmpada para apagar,
pois não consigo dormir com luz acesa.
– Então vai apagá-la!
Tu vais, tu vais, tu vais, tu vais…
Tu vais, tu vais, tu vais!!
– Está bem, já percebi.
– Tu vais..
Ah! Resulta…
Que pressa é essa? Mais devagar!
Despacha-te, já é tarde.
Maria, a chave!
Atira a chave todas as manhãs.
– Guido, olha!
– O que foi?
A famosa editora Guicciardini.
Se ela publicasse os meus
poemas, seria maravilhoso.
Então vai buscá-los.
Eu manenho-a aqui.
La Guicciardini!
Estou a ir, mantém-na aqui!
– Senhora Guicciardini, bom dia!
– Espero bem que sim.
O meu nome é Guido Orefice, estou
a abrir uma livraria na cidade.
– Quando?
– Assim que reunir os papéis precisos.
Eu vim com um amigo, Ferruccio Papini,
que é um poeta contemporâneo.
– Ele já publicou alguma coisa?
– Não.
‘Eu não gosto das rosas que não colhi.’
Quem me dera que ele soubesse isso…
Ele foi buscar os seus
manuscritos para lhos mostrar.
Como dizia, gostava que ele soubesse
a sua opinião. Ah, aqui está ele!
– O que é?
– A cha-…
– Sim?
– A chave de casa… tem-la contigo?
– Os manuscritos têm de ser organizados.
– Ele vai mostrar-lhos em breve.
Está bem, adeus.
Ela vai publicar o teu livro!
Ferruccio Papini, ‘O Amanhecer’,
Edições Guicciardini.
O primeiro livro que vender
deve ser para ti.
Olha!
É aquela professora! Não é bonita?
Até sonhei com ela.
Vem cá que eu apresento-ta.
– Grande gaita! Não te mexas!
– Que foi?
Não te mexas!
O tipo no carro. É o idiota que levou
com os ovos, o da Câmara.
Se me vê, mata-me! Sê bonzinho.
– Que está ele a fazer?
– Está a conversar.
– Que está ele a dizer?
– Sei lá!
– Que está a fazer?
– A despedir-se. Vai-se embora.
Tem um carro igual ao meu.
– Lá está ele!
– Não te mexas. Se me vê, mata-me!
Fica quieto, Ferruccio.
Bom dia, Princesa!
Você, outra vez! Como faz isto?
Esta é a Princesa que caiu
nos meus braços, vinda do céu.
Foi o que te chupou o ferrão
da coxa?
Sim. Encontramo-nos sempre assim.
Aparece de repente.
Podemos combinar encontrar-nos.
– Esta noite, ás 8 horas?
– Não, assim é mais agradável.
Vamos, Dora, ainda te atrasas.
Espero que nos voltemos
a encontrar, inesperadamente.
Adeus, Princesa.
Não é bonita?
Gosta que eu apareça, de repente.
– Vamos contornar o prédio e apanhá-la.
– Estou muito cansado.
Tens que fazer-me este favor!
Vamos lá.
– Por favor!
– Vamos.
Porra!
Ela já passaram por aqui,
devias ter corrido mais rápido!
– Temos que dar a volta a mais este…
– Estás doido?
Vamos!
Olha o repugnante que isto é,
aposto que a tua mãe ia gostar.
A minha só veste vestidos vermelhos.
Olá Princesa!
Que ridículo!
Não acredito.
“Escuridão.”
Você é um génio!
“Quanto mais há, menos vemos.”
Solução: Escuridão.
Maravilhoso.
Inventou essa?
Não, mas tu resolveste-a
em 5 minutos e eu levei 8 dias.
Escuridão!
Salmão, salada e um copo
de vinho branco.
Escuta esta, Guido.
Se me dá licença, é a minha vez.
O meu pai contou-me esta quando
era criança.
Branca de Neve e os Sete Anões
sentam-se para comer.
Quanto tempo leva a descobrir
o que ela lhes serve a seguir?
– Quero resolvê-la agora mesmo.
– Coma primeiro senão esfria.
Não quero, já é muito tarde.
Salada, salmão e vinho branco,
é leve.
Branca de Neve…
e os Sete Anões…
– A cozinha está fechada?
– Foram-se todos embora. Porquê?
Chegou um senhor de Roma,
do Ministério. Quer comer.
A cozinha está fechada.
Teria dado uma boa gorjeta.
A cozinha está aberta!
Queira sentar-se, por favor.
Doutor, não come?
Branca de Neve e os Sete Anões…
Sei que a cozinha está fechada,
talvez um prato frio…
É tudo delicioso, escolha.
Uma coisa leve.
Bem, temos carne,
carneiro, rins, fígado panado
com muita gordura.
– Ou então, temos peixe.
– Pode ser peixe.
Temos um rodovalho bem gordo…
enguias recheadas com salsichas e
passadas em gordura e Grand Marnier
ou salmão sem gordura.
O salmão, por favor.
– Acompanhamento?
– Também tem acompanhamento?
Escolha à vontade. Temos cogumelos
muito, muito fritos…
batatas em manteiga de Nancy
com um molho espesso.
Não terá uma salada leve?
Se não tem, não quero nada.
Uma salada leve? Que pena,
os cogumelos muito, muito fritos…
…eram do outro mundo.
Então, uma salada leve,
um salmão pouco gordo e um copo
de vinho branco.
– Perfeito. O mais rápido possível.
– Farei o que puder.
“Quanto tempo leva a descobrir,
o que ela lhes serviu a seguir?”
É isso?
– Branca de Neve e os Sete Anões!
– Boa noite, Doutor!
Boa noite, génio!
Que disse ele? Branca de Neve?
Está bêbedo?
É uma charada. “Sete segundos.”
“Sete segundos” é a resposta.
“Branca de Neve e os Sete Anões.”
Se estão Sete Anões a jantar,
e ela serve segundos pratos,
isso quer dizer “sete segundos.”
O Dr. Lessing é um clínico,
pessoa muito séria.
Mas é obcecado por charadas,
nem dorme para as resolver!
Desculpe-me, onde fica a escola
Francesco Petrarca?
A escola primária? Tenho uma amiga
que ensina lá. É linda.
Não é longe daqui. Porquê?
Óptimo. Posso dormir mais
meia hora.
Tem de ir a essa escola amanhã
de manhã?
Esperam-me às 8:30.
Por favor, meninos, silêncio!
Atenção.
O Inspector de Roma não tarda
a chegar.
Quero causar uma boa impressão.
Escutem muito quietos e calados
o que ele disser.
Vai dizer coisas muito importantes
sobre o nosso belo país.
Por que está o Roberto na 1ª fila?
Roberto, vai para a última fila.
Cosimo, vai para o lugar dele.
– O Inspector chegou.
– Já chegou? Vem mais cedo!
Senta-te, Roberto.
Levantem-se, todos.
Bom dia, Princesa.
Bom dia Sr. Inspector.
Sou a directora.
Estes são alguns dos nossos
professores.
Óptimo.
Há quantos anos ensina neste
distrito escolar?
Dezasseis.
Tem conhecimento do novo programa
escolar aprovado pelo Ministério?
Leu o boletim sobre a higiene
na infância?
Claro!
Que faz no Domingo?
Não, refiro-me ao Domingo
dia de Santa Maria. Que vai fazer?
Vou ao teatro.
– Ver o quê?
– Offenbach.
Isso, está em cena Offenbach.
Excelente. Bem…
Muito obrigado e adeus.
Vim apenas para…
Nós sabemos.
O Inspector veio de Roma para falar
sobre o manifesto da raça
assinado pelos cientistas
italianos mais esclarecidos.
Irá demonstrar-nos,
para nossa honra,
que a nossa raça
é uma raça superior,
a melhor de todas!
Sentem-se!
Pode começar, Inspector.
– A nossa raça…
– E superior.
Naturalmente.
A nossa raça é superior.
Acabo de chegar de Roma,
neste minuto,
para vos dizer, para que saibam
que a nossa raça é superior.
Fui escolhido pelos cientistas
italianos da raça
para demonstrar como a nossa raça
é superior.
Por que é que me escolheram,
meninos?
Devo dizer-vos?
Onde encontrariam alguém
mais bonito do que eu?
Muito bem, o silêncio…
Sou um original da raça superior,
Ariano puro.
Vamos começar por uma coisa
que se acha de pouca importância.
A orelha. Vejam a perfeição
desta orelha.
Aurícula esquerda com um pequeno
lóbulo pendente.
Ora vejam! Cartilagem móvel!
Flexível!
Se encontrarem duas orelhas mais
bonitas, vou-me já embora!
Mas terão de mas mostrar!
Em França, sonham com estas!
Olhem aqui. Vejam esta coxa,
é de ariano puro!
Uma jóia de perna!
Vejam esta curvatura,
que articulações tem a nossa raça!
Isto é conhecido como
‘curvatura da perna ariana’
..com um movimento
circular do pé italiano
O tornozelo Etrusco abaixo da
canela Romana! Vejam o vigor!
É a inveja de todo o mundo. E quando
crescerem, vão ter 2 pernas como estas!
Se esta se partir, temos a outra.
Se a outra está partida, temos esta.
Se estão ambas partidas, é mesmo azar.
As raças existem, meninos.
Não duvidem!
Mas continuemos. Quero mostrar-vos
outra coisa.
Tomem atenção.
Ele disse, “Inspector”?
De Roma?
O umbigo!
Olhem bem para este umbigo!
Mas que nózinho!
Não são capazes de desfazê-lo,
nem mesmo com os dentes!
Aqueles cientistas da raça bem
tentaram, mas não conseguiram!
Isto é um umbigo italiano.
Faz parte da nossa raça.
Olhem só este estilo!
Vejam estes músculos: ceps…
…bíceps, tríceps!
Olhem para esta beleza!
Admirem esta anca!
Reparem no movimento!
Meus senhores!
Agora despeço-me porque tenho
de me ir embora, tenho um encontro.
Saio à maneira Ariana
e de vós me despeço.
Adeus! O umbigo!
Vemo-nos em Veneza, Princesa!
Só ouço deste ouvido.
Olha para mim, Princesa.
Vamos, olha cá para baixo.
Olha para mim, Princesa.
Vira-te, Princesa.
Guido.
Eu não oiço nada!
– O que é que ele quer?
– Dizer-me a resposta: 7 segundos.
– O enigma da B. de Neve e os 7 Anões?
– Sim, é essa a solução.
– Queres um gelado de chocolate?
– Sim, mas tem de ser depressa.
Porquê?
Temos de estar em casa do Prefeito
às oito. Convidou-nos para jantar.
– Onde?
– Em casa do Prefeito.
Tem piedade de mim, Senhor!
Que não seja verdade.
Outro jantar em casa dele?
A tua mãe também vai.
Então, jantamos noutro lado
e passamos em casa dele para o café.
Eu não vou.
Está bem, já ouvi!
Digo-lhe que não vamos.
Jantamos só nós dois.
– Boa noite, Rodolfo!
– Boa noite, Sr. Prefeito.
Vemo-nos mais tarde em minha casa.
Espero-vos às oito.
Lá estaremos.
Onde está ela? Viste-a?
– Tem de estar aqui.
– Estás cá?
Amanhã, a horas, entendido?
Tirou aquilo do carro?
É seda, não estrague.
Tenha muito cuidado.
– Mas que ópera!
– Linda!
É uma das suas cortinas?
Não, deve ser de um
dos meus colegas.
Levou outra vez o chapéu!
– Vamos.
– Não vês como chove?
– Vai buscar o carro.
– Está mesmo à esquina.
Está bem, espera aqui.
Eu encosto aqui e buzino.
Dá-me a chave!
Não é a chave da casa,
é a do carro!
A chave do carro? Estás maluco?
Distrai o parvo que levou
com os ovos.
Distrai-o enquanto puderes.
Até logo à noite!
Dentro do carro está…
Vai devagar!
O mínimo que podias fazer era
vir-me buscar com o chapéu-de-chuva.
És muito grosseiro.
Olha o estado em que estou!
Além disso, jantar em casa
do Prefeito põe-me nervosa.
Já sabia. Estou com soluços.
Fico sempre com soluços quando
tenho de fazer o que não quero.
Não sabes que não é preciso muito
para me fazer feliz?
Um gelado de chocolate basta!
Mesmo dois!
Um bonito passeio juntos e depois
o que acontecer, acontece.
Mas em vez disso…
Bom dia, Princesa!
É incrível! Deve-me uma explicação.
Não, a senhora é que me deve
uma explicação!
Paro debaixo de um telheiro
e cai-me nos braços vinda do céu.
Caio da bicicleta e dou comigo
nos seus braços.
Faço uma inspecção à escola
e lá está a senhora outra vez!
Até aparece nos meus sonhos!
Quer deixar-me em paz?
Está mesmo perdida por mim!
Não a censuro, mas…
Está bem. Eu cedo. Ganhou.
Onde vamos, Princesa? Para o mar?
Gosta do mar?
Sim, mas estão à minha espera
no teatro. Leve-me de volta.
Está bem, vamos voltar ao teatro.
– Soluços?
– Sempre que faço algo que não quero.
– E o que quer fazer?
– Eu fico feliz com qualquer coisa…
Um gelado de chocolate, talvez dois.
Um pequeno passeio…
e depois o que acontecer, acontece!
Que se passa?
Princesa, sabe como funcionam
os limpa pára-brisas?
Trave!
Não tenha medo, agarre-se a mim!
– Está partido!
– Quando aprendeu a conduzir?
– Há 10 minutos.
– Pensei que fosse há menos tempo.
– A capota não fecha.
– A porta não abre.
Espere, estamos fechados.
Vamos sair daqui, eu trato disso.
O importante é que não se molhe.
Cubra-se com isto.
Pegue. Vamos sair daqui.
Eu trato de tudo.
Vamos lá.
Pode sair, Princesa.
Saia agora!
Está aqui uma poça enorme,
vai molhar os pés. Espere!
Pronto!
– Pode ir, Princesa.
– Onde estamos?
Já aqui estivemos.
– Eu e você? Quando?
– Não se lembra?
Na noite em que chovia
e eu lhe fiz um chapéu-de-chuva
com uma almofada!
Foi uma noite maravilhosa.
Pus o volante ao ombro,
dei uns passos de valsa e quando
parei diante de si,
você beijou-me.
Princesa, o seu traseiro está
ao vento.
Depende da pessoa.
O meu pai era assim.
Tinha a habilidade de conseguir
que eu fizesse qualquer coisa.
Compreendia-me, sabia
lidar comigo.
Era massa de moldar na sua mão.
Dizia sempre sim.
Então, todos esses tesouros
que esconde…
há uma forma de abrir a caixinha
e conseguir que diga sempre sim!
É mais fácil do que pensa.
– Precisa apenas da chave certa.
– E onde está essa chave?
Só Deus sabe.
– Está a clarear.
– Estava a dizer…
…que a chave que a faz dizer sim
tem de vir do céu?
– Isso mesmo.
– Vou tentar.
Se a Virgem Maria ma atirar…
sabe-se lá!
Maria, a chave!
É esta?
Tem mesmo de ir para casa?
E o gelado de chocolate?
– Vamos tomá-lo agora.
– Agora, não.
– Então, quando?
– Não sei.
Vamos também deixar o céu
decidir isso?
Não, deixe a Virgem Maria em paz.
Não a mace por causa de um gelado.
É muito importante. Não podemos
ser nós a decidir isso.
Tenho de lhe perguntar.
Maria, manda alguém dizer-nos
quando podemos tomar o gelado.
Sete segundos!
– Esta é a minha casa.
– Passei por aqui mil vezes.
Sempre me perguntei:
“Quem viverá aqui?”
Queria abrir a minha loja
mesmo ali em frente.
– A livraria?
– Assim, vejo-a todos os dias.
Então, adeus.
Tem sido muito amável. Agora,
só quero tomar um banho quente.
Esqueci-me de lhe dizer…
Diga.
Não pode imaginar a vontade
que tenho de fazer amor consigo.
Mas nunca direi a ninguém,
especialmente a si.
Teriam de me torturar
para me obrigar a dizê-lo.
– A dizer o quê?
– Que quero fazer amor consigo.
Não só uma vez, mas outra e outra!
Mas nunca lho direi.
Era preciso ser louco para lhe
dizer que faria amor consigo agora,
aqui mesmo, para o resto da vida.
É melhor correr, senão molha-se.
Vai voltar a chover.
– Princesa.
– Está todo molhado.
O meu fato não importa.
É o chapéu que me preocupa.
Preciso de um chapéu seco,
mas onde encontrá-lo?
Como faz isso? Já sei, é fácil.
Maria, manda alguém trazer
um chapéu seco ao meu amigo.
Boa noite, Princesa. Adeus.
– Por favor, onde é a casa de banho?
– Sempre em frente, à esquerda.
– Tio, aqui está o ovo de avestruz.
– Cuidado!
– Isto é uma sobremesa africana?
– Sim, é um bolo da Etiópia…
…feito com zabaglione
de ovos de avestruz.
É uma oferta do hotel em
celebração deste evento.
É uma festa etíope?
Não. É uma promessa de casamento.
Sai daqui.
Ernesto, traz as penas de avestruz.
Põe isto na boca da avestruz.
– Empregado.
– Sim?
– Onde está o gerente?
– Está à direita, antes das escadas.
Nossa, que curvatura!
Se não te levantas já,
juro pela alma do teu pai
que não te volto a falar.
Para o resto da vida!
Tenho a cabeça a andar à roda.
Dora, querida.
Queres que a tua mãe passe o
resto da vida presa em casa?
Porque se não apareceres esta noite,
nunca mais mostro a cara em público!
Talvez eu só precise de uma sesta.
1º tenho que virar-me para a direita…
depois para a esquerda… O que queres?
– Volta daqui a uma hora.
– Uma hora?
Dora, isto levou dois meses a preparar,
e uma grande quantidade de dinheiro.
Vou contar até três.
Se não te levantas, obrigo-te.
dois,
três.
Linda menina.
Sim, isso foi há dois anos.
– Eu admiro-o muito.
– Guido.
– Senhora Guicciardini.
– Fico feliz por ver-te outra vez.
– Como estás?
– Óptimo.
– E a livraria?
– Está quase preparada.
– Parabéns.
– Obrigado.
Mais logo quero oferecer-lhe
uma fatia do nosso bolo etíope.
– Etíope?
– Sim.
– É feito com ovos de avestruz.
– Avestruz!
– Senhora Guicciardini.
– General.
Guido, eles gostam dos poemas!
Talvez agora sejam publicados.
Eu sabia que sim.
– Peço-te, nada de enganos esta noite.
– Não, está tudo organizado.
Vai sentar-te à mesa, e finge
apenas que também foste convidado.
– Qual é a ocasião?
– Uma promessa de casamento.
Sabes quem se vai casar?
Não te disse? O idiota dos ovos!
– Com quem se vai ele casar?
– Não sei.
Mas ela ainda nem apareceu!
Estão todos à espera.
Procurei-te por todo o lado!
– O teu tio!
– O meu tio?
Aconteceu qualquer coisa.
Vem comigo.
Lá fora! O cavalo!
O que é isso?
É o seu cavalo?
Mas que coisa!
Que escreveram nele?
“Cuidado, cavalo judeu”.
Os bárbaros do costume, vândalos.
Que tristeza, que disparate.
Cavalo judeu!
Não se aborreça, só fizeram
isso para…
Não fizeram por brincadeira,
foi por maldade.
Terás de te habituar.
Também vão começar
a implicar contigo.
Comigo? Que me poderiam fazer?
O pior que pode ser é despirem-me,
pintarem-me de amarelo
e escreverem:
“Cuidado, criado judeu”.
Nem sequer sabia que o cavalo
era judeu.
Vamos, amanhã de manhã, lavo-o.
Leva-o para a cavalariça.
Olha ali em frente.
Espera, vou surpreendê-la.
Vem comigo. Gostava
de te apresentar o Fido Giovanardi.
Doutor Lessing! Onde vai?
Telegrama urgente. Tenho de ir
imediatamente para Berlim.
– Que flores são essas?
– São para a sua despedida.
Levo apenas uma.
Dou-a à minha mulher.
Uma flor do Guido.
Diverti-me muito contigo.
És o criado mais original
que já conheci.
Obrigado. O senhor é o cliente
mais culto que já servi.
Obrigado.
Adeus, Doutor Lessing.
A propósito, se disseres
o meu nome
deixarei de existir. Quem sou eu?
Se disseres o meu nome,
deixarei de existir.
Que foi que ele disse?
O silêncio!
Que maravilha! Se proferirmos
a palavra, deixa de existir.
Não estou a falar de Berlim.
Nos arredores, imaginem!
3ª classe, ouçam este problema.
Lembro-me dele porque me chocou.
Um demente custa ao Estado
4 marcos por dia.
Um aleijado, 4 marcos e meio.
Um epiléptico, 3 marcos e meio.
Considerando que a média é de
4 marcos por dia
e que há 300.000 doentes,
quanto pouparia o Estado
se esses indivíduos
fossem eliminados?
Não posso acreditar!
Foi exactamente a minha reacção!
Não posso acreditar
que uma criança de 7 anos
tenha de resolver
este tipo de equação.
É um cálculo difícil.
Proporções, percentagens…
Precisam de alguma álgebra
para resolver estas equações.
Para nós é matéria do liceu.
Não. Basta apenas a multiplicação!
Disse que havia 300.000 aleijados?
300.000 vezes 4.
Se os matássemos todos, poupávamos
1.200.000 marcos por dia.
– É fácil!
– Exactamente!
Mas você é adulto.
Eles têm 7 anos.
São, de facto, de outra raça!
Bom dia, Princesa!
– Que disseste?
– Está aqui, no bolo.
Por que estás aí especada?
Vamos dançar.
Só umas palavras, já devem
saber de tudo,
e já o sabem há vários anos.
A Dora e eu nascemos na mesma rua,
andámos juntos na escola,
tivemos os mesmos amigos.
A única coisa que não fizemos
juntos foi o serviço militar!
A Dora é a mulher da minha vida
e eu sou o homem da vida dela.
Decidimos casar-nos dentro
de um ano.
Estão todos convidados para
o dia 9 de Abril
para a Basílica de Santa Maria
del Pellegrino…
e, nessa altura, festejaremos
até de madrugada todos juntos,
tão felizes como estamos agora.
Beije-a!
– Guido, aconteceu alguma coisa?
– Não, apenas tropecei.
– Como te sentes?
– O que é isso?
– Não, nada.
– Vai embora…
Obrigado, eu consigo sozinho.
– O que aconteceu?
– Nada, apenas tropecei.
Eu vou apanhar tudo…
– Que tens?
– Nada.
– Sentes-te bem?
– Muito bem.
Quem pôs aqui esta cadeira?
Estás bem?
– Estou óptimo.
– Desculpa.
– Não me magoei.
– Não, estava a falar de…
– Estás a divertir-te?
– Estou, sim.
Volta para a tua mesa.
Vai, eu faço isto.
Estás bem?
Estou, sim. Por que é que todos
me perguntam isso? O que se passa?
Nada.
Mas vai para a cozinha.
Cozinha.
Esta noite mudaram o sítio a tudo.
Olha onde puseram a cozinha!
Adivinha quem é.
Sou eu! Que foi,
ficaste com o miolo mole?
Finalmente encontramo-nos, Dora!
Ele nunca nos apresentou.
Estavas com medo, meu malandro?
Agora, já não precisas de vir
connosco para o bordel!
Desculpem, se vos incomodei.
Felicidades e o melhor para todos.
Meu grande malandro!
Mas que tipo simpático!
Senhora Dora, os meus parabéns.
De agora em diante vai passar a
jantar em minha casa mais vezes…
– Rodolfo, os meus cumprimentos.
– Obrigado, senhor Prefect.
Não tem importância,
eu apanho tudo.
Peço desculpa.
Princesa!
Também aqui está?
Leve-me daqui.
E agora, senhoras e senhores,
uma magnífica surpresa oferecida
pelo Grand Hotel:
O bolo Etíope!
Obrigado! Música, maestro!
– Felicidades!
– Obrigado.
Por aqui, Princesa.
Mas você é…
Depressa, Princesa.
Mas ele é…
É o idiota dos ovos!
É ele que tem as chaves de casa.
Raios partam!
Um arame!
Posso abri-la se achar um arame.
Sou perito com o arame.
O meu pai ensinou-me.
Costumava fazer brinquedos
de arame quando era criança.
Consegui abri-la.
Vamos, vais atrasar a mamã.
Perdi o meu tanque.
Não te preocupes, vamos achá-lo.
Onde o deixaste?
– Está nas escadas.
– Vou buscá-lo.
Segura a bicicleta. Vou buscá-lo.
Toma.
Vamos.
– Anda, papá!
– Vai devagar! Vocês são malucos?
Estás atrasada para a escola!
Vamos!
Um cavalo, dois cavalos.
Pára de tocar a buzina,
põe-me doida.
– Não sou eu, é o Josué!
– Não sou eu, é o papá!
Pára e deixa-me descer!
Chegámos.
Até logo à noite.
Vamos depressa, papá!
Podemos comprar isto para a mamã?
– Quanto custa?
– 5 liras.
Deve ser um bolo a fingir,
como o teu tanque.
Vamos, Josué.
“Proibida a entrada a judeus
e a cães”.
Por que é que os Judeus e os cães
não podem entrar?
Não querem lá dentro Judeus
nem cães!
As pessoas fazem o que querem.
Há ali uma loja de ferragens
que não deixa entrar nem Espanhóis
nem cavalos.
Mais adiante há uma drogaria.
Ontem estava com um amigo meu
Chinês que tem um canguru
e perguntei “Podemos entrar?”
“Não queremos Chineses
nem cangurus”.
Não gostam deles, que mais
te posso dizer?
Nós deixamos entrar toda a gente
na nossa livraria.
Não, a partir de agora também
vamos escrever qualquer coisa.
– De quem é que tu não gostas?
– Aranhas, e tu?
Não gosto dos Visigodos.
A partir de amanhã escrevemos:
“Proibida a entrada a aranhas
e a Visigodos.”
Estou farto desses Visigodos!
Bom dia!
– Tudo por metade do preço.
– Guido Orefice?
– Sou eu.
– Tem de vir à Prefeitura.
Outra vez?
– Ele já lá foi.
– Vamos.
Porquê?
– Aquele homem está consigo?
– Sim, vamos.
Eu também vou.
Tu ficas aqui.
Não me demoro, pois não?
Não senhor.
Vê lá se tratas bem os clientes!
Volto já!
– Bom dia.
– Bom dia.
Levo este.
Custa 5 liras.
Está marcado 10 liras.
Está tudo a metade do preço.
Dá isto à tua mamã e diz-lhe
que é da avozinha.
Nunca vi a minha avozinha.
Gostavas de conhecê-la?
– Vais vê-la amanhã.
– Amanhã?
Amanhã é o dia do teu aniversário
e a tua avó vem cá e traz-te
um bonito presente.
Um tanque novo?
Não, uma surpresa.
Dá a carta à tua mamã.
– Adeus, Josué.
– Esqueceu-se do troco, avozinha.
Obrigada.
– Quando voltas?
– Daqui a uma hora mais ou menos.
Vou passar por casa do meu tio
e ver se ele trouxe alguns restos.
– Então, o que disse a avozinha?
– Que vem amanhã.
Já não era sem tempo.
– Vamos tomar banho.
– Não quero.
– Vai tomar banho.
– Tomei na sexta-feira!
– Ele tem razão.
– E tu, muda de camisa.
– Mudei na quinta-feira!
– Não te esqueças das flores.
Estão lá fora, já as apanhei.
– Vou contigo, papá!
– Tens de tomar banho, teimoso!
Não quero!
Despacha-te, tenho de ir
buscar a avozinha!
– Onde queres as flores?
– Põe-nas aí, já lá vou.
Tomei banho na sexta-feira!
– Sabes onde está o Josué?
– Deve estar aí.
Podes arrumar aquelas coisas?
Por que não me mostras as flores?
São tão bonitas.
Pois são, já as trago.
Queres ver as flores?
Faço-as vir já!
Venham, flores!
Schopenhauer, poder da mente.
Quero que a cómoda venha cá.
Vem cá, cómoda!
Pára!
Esta cómoda parece-me muito suja!
Bom dia, Princesa!
Já sabe ler e escrever?
– Há mais de um ano.
– Fizeste um bom trabalho.
Chegámos.
– Eu ajudo-a a descer.
– Não, eu sou capaz sozinha.
Dora, o que se passa?
Chegámos?
Não, é uma passagem de nível.
– Não me dizes onde vamos?
– O que queres dizer?
Perguntaste-me mil vezes! Vamos…
para um lugar… Como se chama?
– Vamos para…
– Para onde vamos?
Que dia é hoje?
E o dia do teu aniversário!
Sempre disseste que querias
fazer uma viagem!
Levei meses a planear tudo isto!
Sabes para onde vamos?
Não te posso dizer. Prometi à mamã
que não te diria.
Sabes como ela é. Ficava furiosa.
Até me dá vontade de rir.
O meu pai planeou uma coisa assim
para mim quando eu era pequeno.
Foi tão… Ena, rapaz,
foi tão divertido!
Não te vou dizer.
Quero que sejas tu a ver.
É uma surpresa…
Dá-me mesmo vontade de rir.
Estou cansado.
Dorme.
Para onde vamos?
Para onde nos levam?
Que horas são? Saímos a horas.
Que organização!
– Nunca andaste de comboio?
– Não. É bonito?
É muito bonito!
É todo de madeira. As pessoas
vão de pé, ninguém se senta.
– Não há lugares sentados?
– Lugares sentados num comboio?
Vê-se mesmo que nunca andaste num!
Não, toda a gente fica de pé
muito juntinha.
Estás a ver esta bicha? Consegui
os últimos bilhetes mesmo a tempo!
Despache-se, tio Eliseo. Não quero
que me digam que cheguei tarde
e que tenho de voltar para casa.
Esperem, temos uma reserva!
Deixem-nos espaço!
Olha para esta bicha!
Cá estamos! Fizemos uma reserva!
Obrigado!
Posso ajudá-la?
Houve um engano.
Que engano?
O meu marido e o meu filho
estão nesse comboio.
Como se chama o seu marido?
Guido Orefice.
Josué Orefice e Eliseo Orefice
também estão no comboio.
Não há nenhum engano.
Também quero ir nesse comboio.
Estamos prontos.
Manda-os partir.
Podem partir!
Vá para casa, minha senhora.
Quero entrar naquele comboio.
Faça-me entrar naquele comboio!
A mamã chegou!
Pararam o comboio para deixar
a mamã entrar.
Tio Eliseo.
Estás contente? Viste o sítio?
Estás cansado?
– Não gostei do comboio.
– Eu também não.
Quando voltarmos para casa,
vamos de autocarro.
De regresso, vamos de autocarro!
O que tem lugares sentados.
– Já lhes disse.
– Assim é melhor.
Estás a ver? Está tudo organizado.
Viste aquela bicha? As pessoas
estão à espera para entrar.
Querem todos entrar!
Que jogo é este?
É isso mesmo!
É aquele jogo em que…
É o jogo…
Somos todos concorrentes.
Está tudo organizado.
O jogo é assim:
Os homens estão aqui
e as mulheres estão ali.
E também há soldados, são eles
que nos dão o nosso plano.
É difícil. Não é nada fácil.
Se alguém faz um erro,
mandam-no para casa.
Quer dizer que temos
de ter cuidado.
Mas se ganhamos, recebemos
o primeiro prémio!
Qual é o prémio?
O primeiro prémio!
– É um tanque.
– Já tenho um.
Mas este é a sério!
Novinho em folha!
A sério?
Sim! Não te queria dizer.
Onde vai o tio Eliseo?
Ele pertence a outra equipa.
Está tudo organizado.
Adeus, tio Eliseo.
Um tanque a sério.
Não te tinha dito?
Fabuloso!
Mas que lugar!
Despacha-te ou ainda nos roubam
os lugares. Temos uma reserva.
Dois individuais!
Deixem-nos passar!
O nosso lugar é aqui.
Esta é a nossa cama.
Vamos dormir muito juntinhos.
É feio e cheira mal.
Quero estar ao pé da mamã.
– E vamos estar!
– Tenho fome!
Já vamos comer!
E são muito maus, aqui. Gritam!
Gritam porque todos querem ganhar
o 1ºprémio. Têm de ser rigorosos.
– Posso ver a mamã?
– Quando o jogo acabar.
Quando acaba?
Tens de fazer mil pontos.
Quem fizer mil pontos ganha
um tanque.
Não acredito. Não nos dão
um lanche?
Um lanche?
Pergunta. Aqui somos todos amigos.
Olha quem aqui está!
Como se chama ele?
– Bartolomeo.
– Queria perguntar-lhe uma coisa.
O tipo que traz o pão e a compota
já passou?
Raios partam! Perdemo-lo
por um segundo!
Ela volta, não é verdade?
Volta a passar.
Que disse ele?
Pergunta se alguém fala Alemão.
Vai explicar as regras do campo.
– Fala Alemão?
– Não.
O jogo vai começar. Quem está aqui,
entra, quem não está, não entra.
O primeiro a fazer mil pontos,
ganha. O prémio é um tanque!
Sorte a dele!
Todos os dias dizem pelo
altifalante quem vai à frente.
Quem tiver menos pontos tem de usar
uma inscrição que diz “Idiota”…
aqui mesmo nas costas.
Nós fazemos o papel dos tipos maus
que gritam.
Quem tiver medo perde pontos.
Há 3 casos em que perdes
todos os pontos.
Primeiro: Se começas a chorar.
Segundo: Se queres ver a tua mamã.
Terceiro: Se tens fome
e queres um lanche.
Esquece!
É fácil perder pontos por ter fome.
Ainda ontem eu perdi 40 pontos
porque insisti em comer
um pãozinho com geleia.
Geleia de alperce!
Ele queria morango.
Não peçam chupa-chupas.
Não vo-los dão.
Comemo-los todos.
Ontem, comi vinte.
Fiquei com uma valente dor
de barriga.
Mas eram bem bons!
Não duvides!
Desculpem ir tão depressa,
mas estou a brincar às escondidas.
Tenho de ir, senão encontram-me.
Não me perguntes nada. Pergunta
ao Bartolomeo, ele sabe tudo.
Não te esqueças de me dizer
o que ele disse.
Mil pontos?
Não te disse que nos íamos divertir?
Estes tipos são malucos!
Isto deve pesar cem quilos!
Devem estar aqui uns 3000 graus!
Vittorino, não aguento mais!
– Logo depois da primeira?
– Temos de levar mais?
Estamos aqui até à noite.
Bartolomeo, o que aconteceu?
Para onde te levam?
Para o hospital. Feri o braço.
Vamos morrer aqui!
Não aguento mais! Vou pousar isto.
Digo-lhes que não posso.
Que me podem fazer?
Matam-te!
– Para onde vai isto?
– Lá para baixo.
Santo Deus, nunca conseguirei!
Devem estar aqui uns 10.000 graus.
Papá!
Olha! Não é bonito?
Estamos inscritos.
Quando lá cheguei para nos inscrever,
o juiz estava lá e disse:
“Você e o seu filho não estão
na lista, não pagaram as quotas.”
Quase caí.
Ele disse, “Vá para casa.”
E eu respondi, “Vá você!”
“O Josué e eu estamos inscritos.”
“Dê-me o meu número!”
E deram-me um. Olha!
Mandei-os porem-no aqui também,
pelo sim pelo não.
Estás a ver para que sítio
simpático o papá te trouxe?
Brincaste com os outros meninos?
Sim, mas eles não sabem as regras.
Disseram que o primeiro prémio
não é um tanque.
Não sabem nada.
Tu acreditaste? São manhosos
como raposas.
Querem ganhar-te! Estás a brincar?
Não há tanque? Não acredites neles.
Quantos pontos conseguimos hoje?
Não, 48. Tiraram-me dois porque…
…passei uma rasteira quando
estava a jogar à malha.
Hoje rimos que nem uns perdidos!
Diverti-me à farta! Estou morto
por recomeçar amanhã.
Malha, corda de puxar, e o-rei-manda.
Nem me lembro de todos os jogos.
“Vocês estão obcecados. Parem
que estou cansado!” disse eu.
Comeste alguma coisa?
Sim, mas não pedi lanche.
Lindo menino! Isso quer dizer
que também conseguiste 12 pontos!
48 para mim, 12 para ti
são 60 pontos!
Isto é o que se ganha
quando se chega a 60.
Um pedaço de pão, mas sem geleia.
Toma, come.
– 60 pontos é muito?
– Estás a brincar?
Claro que é!
Olha quem está aqui! O Bartolomeo!
Como correram as coisas?
Pior do que isto só…
Deram-me 20 pontos.
Nós ganhámos mais do que ele.
Não lhe digas isso.
Vamos à frente.
Já disse, nada de crianças
nem velhas!
Outra vez lá para dentro!
Não vai trabalhar.
O resto lá para baixo!
Vamos, raparigas, depressa.
Por aqui!
Aquela é nova, aprendeu logo.
A senhora da porta pareceu-me
simpática quando chegou.
É a pior de todas!
Pelo menos não mandou as velhotas
nem as crianças para trabalhar.
Não mandam gente idosa nem crianças
trabalhar porque as matam!
Um dia destes chamam-nas
para tomar duche.
“Meninos, é hora do duche!”
A verdade é que as obrigam a tomar
duche na câmara de gás.
Lá para baixo!
Como é que posso fazer isto?
Onde é que eles encontraram todas
estas bigornas?
Que estás aqui a fazer?
Não deves estar aqui!
Vai-te embora!
Por que é que não estás
com os outros meninos?
Disseram que todos os meninos têm
de tomar duche hoje e eu não quero.
– Vai tomar duche!
– Não vou.
– Vai!
– Não quero!
Vai tomar o duche!
Que estás aqui a fazer?
Estamos a construir…
…o tanque.
Ainda estamos a trabalhar
nas lagartas.
Estamos atrasados.
Não podes ficar aqui.
Vai tomar o teu duche!
Não quero ir!
Não quero, não quero!
Teimoso! Vou dizer à mamã.
Ficas com menos 10 pontos.
Esconde-te ali atrás. Regressamos
juntos quando eu acabar.
Não deixes que ninguém te veja.
Isto é bem divertido!
Tudo! Dispam-se todos!
Pendurem a roupa ali.
Voltam a vestir-se
depois do duche.
Avancem.
Lembrem-se do vosso número
para recuperarem a roupa.
Mulheres e crianças tomam
o duche juntas.
Magoou-se?
Obrigado, Bartolomeo.
A partir de agora, tens de ficar
aqui escondido todo o dia.
Se nos vêem, acabou-se.
Somos desclassificados.
Que tenho de fazer?
Nada. Vittorino, ajuda-me.
Tens de ficar escondido o dia inteiro.
Não deixes que ninguém te veja,
sobretudo os maus que gritam.
Não te esqueças de que tens
de estar escondido.
Esta é a parte mais difícil.
Se a fizermos bem, o tanque é
nosso. Vale 120 pontos por dia.
Levo-te comigo e escondo-te.
Ninguém te vê!
Quem é que já te viu? Quem és tu?
Onde está ele?
Percebeste?
Apanhei-te!
Lindo menino!
Está aqui alguém?
Estou a incomodar?
Vem cá!
Rápido como um relâmpago!
Bom dia, Princesa!
A noite passada
sonhei contigo toda a noite !
Íamos ao cinema e tu trazias
o vestido rosa de que tanto gosto.
Só penso em ti, Princesa.
Penso sempre em ti. E agora…
Mamã!
O papá mete-me no carrinho de mão,
mas não sabe guiá-lo.
É de morrer a rir!
Estamos à frente.
Quantos pontos temos de avanço?
Corre! Os tipos maus que gritam
andam atrás de nós!
– Onde estão?
– Ali!
Está seca?
Está, sim.
Apanha. Veste-te.
Que aconteceu ao Vittorino,
ao Alfonso e aos outros?
Não resistiram.
“Se disseres o meu nome,
deixo de existir.”
O silêncio.
Graças a Deus, estava a ficar
assustado. Que te aconteceu?
São meio malucos!
O homem que faz os exames,
o capitão,
é meu amigo. Conheci-o quando
eu era criado de mesa.
Vão dar um jantar com todos
os oficiais e as mulheres.
Perguntou-me se eu queria servir
à mesa nesse jantar.
Talvez me queira ajudar.
Podia tirar-nos daqui.
Viste o Josué?
– Que estás a fazer? Vem cá!
– Não.
Disse-te que viesses cá.
Não? Sai daí!
Sai! Estás todo porco.
Onde estiveste?
Tive de acabar de jogar “rummy”.
Fazem de nós botões e sabão.
– Que estás a dizer?
– Queimam-nos no forno.
Quem te disse isso?
Um homem estava a chorar. Disse
que fazem de nós botões e sabão.
E tu acreditaste?
Outra vez?
Julgava que fosses um rapaz
esperto, inteligente.
Botões e sabão de pessoas?
Ainda há-de vir o dia!
Acreditaste nisso?
Imagina-me amanhã de manhã
a lavar as mãos com o Bartolomeo.
Uma boa ensaboadela e depois
abotoo-me com o Francesco.
Raios partam!
Olha, caiu-me o Giorgio!
Isto parece-te uma pessoa?
Estão a gozar contigo! E tu caíste
que nem um patinho!
– Que mais te disseram?
– Que nos cozem no forno.
Queimam-nos no forno.
Também caíste nessa?
Tu acreditas em todas.
Já ouvi falar num forno a lenha,
mas nunca vi um forno a gente.
Acabou-se a lenha!
Leve este advogado!
Este advogado não arde, não está
bem seco. Olhe para este fumo!
Botões, sabão,
sermos queimados no forno…
Falemos de coisas sérias.
Amanhã tenho uma corrida de sacos
com os maus.
Já chega. Quero ir para casa.
– Agora?
– Agora mesmo.
Está a chover.
Vais ficar cheio de febre!
Não me importa. Vamos.
Está bem, se queres…
Vou arrumar as tuas coisas
e vamo-nos embora.
Podemos ir-nos embora?
Claro! Que pensas que eles fazem?
Que nos obrigam a ficar?
Ainda está para vir o dia!
Era o que faltava! Vamos arrumar
os nossos sacos e sair daqui.
É uma pena porque íamos à frente.
Outro menino vai ganhar
um tanque de verdade.
Não há mais meninos.
Só cá estou eu.
Não há mais meninos?
Está cheio deles!
Então, onde estão?
Estão todos escondidos.
Ninguém os deve ver.
– É um jogo sério!
– Mas eu não percebo.
Quantos pontos temos?
Quase 687, já te disse mil vezes.
Vamo-nos embora.
– Estamos a ganhar. Mas se queres…
– Estamos a ganhar?
Estamos em primeiro lugar,
já te disse.
Mas se quiseres, desistimos.
Ontem vi o quadro. Mas vamos.
Adeus, Bartolomeo. O Josué e eu
vamo-nos embora.
Estamos fartos de aqui estar.
O tanque está pronto.
Limpa as velas
antes de o pores a trabalhar.
Abre a válvula reguladora.
Senão as lagartas
ficam encalhadas.
Viste como o canhão é bonito?
Saiu como esperávamos.
Solta o travão de segurança
antes de começar a andar!
Nós vamos andando.
O Josué quer desistir.
Podíamos regressar com um tanque,
mas hoje vamos de autocarro.
Vamo-nos embora. Adeus a todos.
Estamos cansados deste lugar.
Vamos, senão ainda perdemos
o autocarro.
Vamos, Josué.
Está a chover, ainda fico com febre.
Sou eu, o papá!
Tenho de te dizer uma coisa
importante. Vem cá.
Aquele malandro tem andado toda
a manhã a fugir-me.
– Há lá mesmo um menino?
– Deve haver uns 2000.
São como ratos, escondem-se
por todo o lado.
Aqueles monstrinhos querem
o nosso tanque!
Espera.
Parece que o vi.
Acho que está perto.
Olha. Vai ver se está escondido
ali dentro. Eu espero aqui.
Eu fico de guarda.
Está ali, papá!
Como era ele? Cabelo castanho?
Então, é ele. Chama-se Schwanz.
Está lá dentro há 3 semanas.
Estava em 2ºlugar,
mas nós vencemo-lo.
Mais cedo ou mais tarde,
também encontro os outros.
– Quantos são?
– São um enxame deles, já te disse.
Estão todos escondidos.
Olha, papá!
É um esconderijo!
Apanhei-te! Estás fora!
Vamos!
– Gaita, ela viu-nos!
– Estamos eliminados?
Ela vem buscar-te.
Agora é o jogo do silêncio.
Nunca deves falar.
Jura!
– Jura!
– Juro!
Falam todos de maneira estranha,
não vais perceber uma palavra.
Se vencermos este,
o prémio é nosso.
Estão a reunir todos.
É o jogo do silêncio.
Nem uma palavra, percebeste?
Por que está aqui com as crianças?
Silêncio! Não deves falar!
Juro.
Tenho de falar contigo.
Muito importante.
– Onde? Quando?
– Faço-te um sinal. Mais tarde.
Obrigado.
Disse-lhe que não falasse
com as crianças.
Doutor, a minha mulher também
cá está.
Devagar.
Come devagar senão faz-te mal.
Estamos à frente. Talvez nos vamos
embora mais cedo.
O jogo acaba mais cedo.
Não faças nenhum erro,
agora que estamos a ganhar.
Devagar.
Preste atenção.
Gordo, gordo, feio, feio,
todo ele é amarelo.
Se me perguntares quem sou,
respondo,”quá, quá, quá”.
Quando caminho faço cocó.
Quem sou eu? Diz-me a verdade.
Um patinho, é isso?
É um patinho?
Não é!
Um veterinário amigo meu,
mandou-me esta charada de Viena.
Não lhe posso mandar a minha
até resolver esta.
Pensei que pudesse ser
um ornitorrinco,
mas esse não faz “quá, quá, quá”.
Um ornitorrinco faz assim:
Traduzi-a a noite passada
para Italiano.
Que dizes?
Tudo aponta para um patinho.
Ajuda-me.
Pelo amor de Deus, ajuda-me.
Nem consigo dormir.
É um patinho!
Vem cá!
– Estou cansado!
– Vem cá.
Onde estamos?
Talvez tenha tomado
o caminho errado.
Lindo menino, dorme.
Bons sonhos.
Talvez seja apenas um sonho!
Estamos a sonhar.
Amanhã de manhã a Mamã
vem acordar-nos
e trazer-nos duas belas chávenas
de café com leite e bolinhos.
Primeiro, comemos,
depois faço amor com ela
duas ou três vezes.
Se puder.
Desculpa, Bartolomeo…
Chamaram aqueles dois oficiais
vinte vezes. Aposto que fugiram.
– Percebeste mais alguma coisa?
– Não precisas de falar Alemão.
A guerra acabou. Andam a correr
de um lado para o outro.
Para onde vão aqueles camiões?
O importante é não entrar neles.
Saem cheios e voltam vazios.
Sabes para onde vão?
E as mulheres? Que se passa?
Vamos sair deste atoleiro
e separar-nos.
Nem sequer temos de levar
os sacos!
Há horas que ouço as metralhadoras
e os cães a ladrar.
– Querem ver-se livres de tudo.
– Vou-me embora.
Vemo-nos em Viareggio.
Montamos uma fábrica de bigornas!
Adeus, rapazes, vou-me embora.
Vem ver.
Olha como eles estão furiosos!
Estás a ver? Andam à tua procura.
Só à tua procura.
Tudo isto por tua causa.
És o último que querem encontrar.
Até procuram debaixo das pedras.
O jogo acaba amanhã de manhã.
Se não te encontrarem esta noite,
ganhamos 60 pontos!
Quantos pontos temos?
Temos 940 pontos. Mais 60?
– Mil!
– Primeiro lugar! Ganhámos!
Procuram-te por todo o lado!
Andam loucos!
Esta noite, não faças nenhum erro.
E pronto, acabou-se!
– Esconde-te naquela caixa, depressa!
– O Schwanz está lá.
Quem?
O rapaz louro.
Encontraram-no ontem.
Foi eliminado.
É o esconderijo mais seguro.
Ninguém volta lá a procurar.
Vamos, depressa como um relâmpago.
Lá para dentro!
Fica com este cobertor
para se tiveres frio.
Eu não me demoro.
Ponho-os na direcção errada.
Acho que o vi além!
Papá, ia morrendo de susto!
Dá-me o cobertor. Estás com frio?
Então, dá-me a tua camisola.
Atiro-a para uma árvore
e despisto-os.
Procuram-te por todo o lado!
Gritam todos:
“Onde está o Josué?”
Até praguejam. Estão danados!
Ninguém te vai encontrar.
Adeus, volto mais tarde.
Escuta, se me demorar muito…
…não te mexas.
Não deves sair daqui
enquanto não estiver tudo calmo
e ninguém à vista, por segurança.
Repete!
Não saio enquanto houver gente.
Lindo menino teimoso.
Vai-te embora!
Sai daí, cão.
Vai, cão!
Sai daí, cão.
Sai daí!
Muito bem, Ferruccio.
Resulta!
Está aqui alguém de nome Dora?
Dora, estás aqui? É o Guido.
Sei que está aí alguém escondido.
Está aqui uma Dora?
Está aqui alguma Dora? É Italiana.
E a minha mulher.
Sim, há aqui uma Dora.
Sou eu, Dora!
– O que foi?
– Não é ela! Há outra Dora?
Mal saiam daqui saltem do camião.
Saltem para fora!
É verdade!
Olá, rapaz!
Estás sozinho?
Como te chamas?
Não percebes o que digo, pois não?
Vem, dou-te uma boleia.
Sobe cá para cima!
Mamã!
Pára!
Esta é a minha história.
Este é o sacrifício
que o meu pai fez.
Esta foi a sua dádiva.
– Ganhámos!
– Sim, ganhámos!
Mil pontos para rir
que nem uns perdidos!

Get Adobe Flash player

Comments are closed.